terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Vênus



Conforme a Astrologia - que não entendo, mas admiro e respeito - 2010 nos deixa um número de sobra que é o 8, e portanto o regente do ano seria Vênus, planeta que manifesta os atributos de Harmonia e Beleza. Um ano dito feminino. Sob a regência de Vênus, a quem o poeta Homero descreveu como a "amante do riso", dotada de irresistível encanto, buscaremos o entendimento, os acordos, os tratados, o dividir nosso pão com os menos favorecidos. Será mais fácil sentar à mesa das negociações. Um ano voltado à força, beleza e esplendor femininos.
Ah, se nós mulheres soubéssemos de nossa real força. Não física, e sim a sábia força que nos move. Nosso escudo delicado e forte ao mesmo tempo, que desconhecemos. Nossa forma discreta de reger o mundo. Reinamos, mesmo sem sabê-lo. Nosso sorriso, nosso olhar , nossos gestos. Nosso sexo. A fala mansa que sai da boca rosa depois de muito pensar. Voz doce que embriaga o ser amado.
Ah, se fossemos mulheres no sentido mais íntimo da palavra, se deixássemos de tentar ser iguais, se usássemos de nossas verdadeiras armas, pobres homens. Seriam enlaçados pela nossa teia de amar...
Portanto, amigas, 2010 é o nosso ano.
Sejamos femininas, sejamos nós mesmas, e teremos um mundo todo a nossos pés!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Rotina

Hábitos. Nunca fui muito firme neles. Vejo pessoas fazendo exatamente as mesmas coisas por anos a fio. A mesma hora de acordar, o mesmo alimento pela manhã, o mesmo jeito de pensar. Os mesmos horários para cada coisa. Tudo igual, do levantar ao deitar, dia após dia. Por evzes me fazem lembrar dos personagens de Garcia Marquez e seus intermináveis dias...
Eu não: a cada dia vejo como único, cada assunto como novo, não sei pré-determinar as coisas. Numa conversa posso mudar de opinião. Na alimentação, experimentar coisas novas. Mudar o caminho de chegar. Escolher a hora de ir dormir. O que me cansa não é a correria do dia-a-dia, mas sim a monotonia de fazê-la. Não sei ser movida a cronômetros...
Por isso, sempre que posso, fujo dela, da rotina que me sufoca. Como se calasse minha voz. Como se tirasse de mim a minha bagagem de vida, meu livre arbítrio. Meu bem viver. Meu alimento. É dificil sair da roda viva. Mas tento. Quebro meu simples seguir. Vivo. Ou tento viver. Um dia de cada vez. Um hoje diferente do ontem. E a cada dia mais.

Talvez seja uma fuga do tempo. Talvez eu queira enganá-lo. Talvez me esqueça e deixe eu fazer meu próprio passar. Deve ser essa minha alma de criança...

domingo, 27 de dezembro de 2009

Preparação



"Não haverá borboletas, se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses”. Esse texto caiu aos meus olhos e em minh'alma ontem, depois de horas dentro de um carro percorrendo caminhos. Serviu.
Tenho passado por muitas transformações. Umas mais lentas, outras tão rápidas que nem as sinto - quando vejo, já estão lá. Umas assumidamente minhas. Outras me vêm, embrulhadas feito presente. Umas são ruidosas, batalhas que enfrento. Outras se fazem sorrateiras, solenes, penetrantes. Ou doidivanas, como eu. As ligeiras podem vir do nada, chegam de surpresa, escapando pelo meu sorriso de satisfação. Outras, entranham feito hábito, sem nem se perceber. Quando vejo, estão em minha pele.
Minhas borboletas, coloridas ou nem tanto, amanhecem em mim. Por vezes me despertam. Por vezes no acaso que, como dizem os Titãs, protegem meu ser. Outras vezes meticulosamente calculadas. Batem suas asas, de uma forma ou outra, e saem de seus casulos. Voam em minha frente, alertam-me sobre a vida, surpreendendo-me ou não. Eu, sabiamente, acato-as, todas. São, todas, um pouco de mim.
Minhas asas a caminho da Vida.
Um preparar de mim.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Ressaca





Não se fazem mais natais como antingamente. Do presépio bem arrumado. Do lanche sobre a mesa para o bom velhinho. Da noite mal dormida, dividindo a cama com a ansiedade da manhã seguinte. Do pequeno presente sob a árvore na manhã. Dos gritinhos e gargalhadas ao sol nascer. Não mais.
Hoje ganha-se tudo. Escolhe-se na loja. Vê-se na televisão ou nas caras vitrines. Hoje o Natal acontece a qualquer hora, qualquer manhã de segunda, basta insistir. Um Natal de comparações e de poderes. Um Natal de ter. De ceia onde o ser não foi convidado. Do falso papai noel de barbas de fio. Tão falso que não lhe deram o panetone da boutique, nem o peru encomendado no restaurante.
Hoje é Natal, e dia de ressaca. Ressaca da bebida exagerada, da comida excessiva. Ressaca dos sorrisos impostos e conversas vãs. Dia de juntar os papéis coloridos do chão.
Dia de limpar a sala de visitas dos restos de ontem.
Hoje é dia de restos de um ontem festivo. Um dia comum. E só. O dia e nós.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Meu Natal


Pitangas colhidas em plena calçada, alegres revoadas de bandos de coloridos periquitos no parque: assim começou meu Natal. Meu Natal é feito de meu sorriso, mesmo que interno. Meu Natal é feito de meu silêncio interno,onde hoje habito. É feito dos sorrisos meus arrancados pelos recados de tantos e tantos amigos. Uns me chamam de presente, outros de alegria.
Sigo feliz.
Não quero me deixar contaminar pela correria histérica da data. Um corre-corre que me parece desnecessário. Um nervosismo descabido, um forçar de emoções. Não se vê sorrisos, a não ser depois dos primeiros goles. Não se vê nada do proposto - amizade, confraternização, amor - a não ser os de encomenda. Ou se vê, mas não se sente.
Sinto-me em um espírito natalino próprio. Quieta, querendo me rever. Silenciosa para receber o que a Vida tem de melhor para me dar. Essa Vida que amo, mesmo sem saber o quanto, mesmo sem entender o tudo. Essa Vida que mora dentro de mim e faz meu ser melhor. Eu sou o seu sentido, ela o meu viver. Meu passado, presente e futuro, juntos.
Minha Vida é meu renascer. Meu real Natal.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Certa


Natal chegando. Poderia me firmar nas impressões de uma vida toda e dizer que é uma data chata. Ou melhor: triste. Mas não. Depois que tive meu filho, e nisso já se vão 15 anos, fiz dessa data um espaço para se aprender mais sobre respeito.

Nunca tive nessa data - e nem em outro qualquer - nada muito familiar. Talvez nos divertíamos graças ao leve embebedar. Como essa não é mais a minha praia, como não uso mais a bebida como conforto e sim como degustação, então achei melhor ver outro significado. Admiro as grandes famílias que trazem ao natal seu real significado. União, repensar, encontro. Não um simples comer e beber sem parar. A bebida amortece e nem sempre é o melhor caminho.

Respeito. Ensinei isso para meu filho hoje em nossa caminhada. Gostando ou não, tenhamos respeito pelo que nos recebem. Ou pelos que recebemos. Pelos mais velhos, que já tem sua vida pautada em hábitos já calcificados. Pelos mais novos por se tratar de uma reunião social. Não custa nada. Quem sabe disso venham as reconciliações, sempre tão difíceis. Quem sabe venha dessa reunião uma melhor compreensão. Abstraio de mim as coisas ruins e deixo vir a tona meu melhor sorriso, o melhor de mim. Ele quebra gelos. Ou pelo menos me defende de todo mal.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Verdades

As férias sempre me trazem surpresas, seja nas pessoas que conheço, os caminhos que pego ou livros que leio. Não me disponho muito a ler durante o ano porque, também para ler o que não é de estudo, preciso de um silêncio interior que só acho nelas.
E desta vez acertaram em cheio: ganhei um livro de presente que, para minha surpresa, está me encantando. Trata-se de "Mulheres cheias de graça", do para mim desconhecido como escritor, padre Fábio de Melo. A doce voz eu já conhecia, mas desconhecia totalmente seu lado poético, com textos que por vezes lembram os mais pueris de meu querido Garcia Marquez. E, convenhamos, falando de mulher, é de se espantar.
Todos os textos são bons, entre engraçados e encantadores, num uso de simples palavras colocadas de forma a fazer pensar, como gosto. Mas um me encantou mais, talvez por ser tiro certeiro. Na primeira frase já parei: "amor que é amor amansa". Uma enorme verdade que sei, mas esqueço. E isso vale para todo tipo de relacionamento. Fala do poder que nós mulheres temos e deixamos de lado, embrutecidas pela vida. O poder de nossa delicadeza amolecendo os corações mais brutos. Ou de nossa feminilidade sendo ressecada aos poucos, fazendo-nos virar o que detestamos. Se não cuidarmos , viramos homens, diz o texto. "Mulher que é mulher faz da sua fragilidade seu escudo" diz ele. Estremeço. Olho para mim e me desconheço. Meu ser mulher sendo preterido. Minhas armas se igualando as do macho. Eu esquecendo de me ser.
Que bom que existem as pausas, como esta. Que bom ter homens sensíveis que escrevem bem. Que bom ter conhecido um, sensível, que me deu de presente, mesmo sem querer, um rever de mim mesma...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Inusitado


Estou em pleno bairro nobre de São Paulo para uma parada antes de pegar estrada para as festas de Natal. O típico almoço em shopping, caminhadas intermináveis vendo vitrines, um café para finalizar. Programa paulista, diria.
Mas na chegada ao apartamento, a supresa viria pelo janelão da sala: saguis. Casal de filhotes seguindo a mãe entre os ramos da ameixeira que chegava fácil até o segundo andar. Se contasse , ninguém acreditaria. Mas pode apostar, a mais pura verdade. Feito crianças, corriam de um galho para outro, e se aproximavam cada vez mais de nossa janela. Espanto e alegria, com cenas gravadas para sempre na câmara fotográfica, filme e foto. Presente, o ver e sentir, nas gargalhadas e euforia, minhas e de meu filho. Enfim, ali, em meio à tarde de domingo, o verdadeiro espírito do Natal. O saber-se vivos, a vida na janela. O inusitado que veio do menos esperado.
Disso que falo dos pequenos presentes. Disso lembro quando falo das pequenas alegrias. Do nosso divertir vendo criaturinhas tão encantadoras. De nossa gargalhada sem ensaio, nossa fuga das regras de salões. E em plena grande metrópole. É, até São Paulo tem sua selva...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Excessos


Festas de final de ano chegando. Lá vem de novo aquele agradar a gregos e troianos que nem sempre gosto. Tenho para mim que esta fase do ano deveria ser usada para pensarmos na própria vida , no ano que passou - mas cadê o tempo?
Perdemos tempo nas lojas lotadas, nos corredores atropelados. Nas listas intermináveis de presentes, onde sempre falta um. Eu, de minha parte, aboli isso. E repassei aos outros os presentes que querem ou tem que dar. Dei aos que amo meus presentes durante o ano. A maioria em forma de carinho. E se não os presenteio agora, é porque não me cabe no saldo.
Perdemos tempo nos empanturrando nas mesas, como se alimentássemos nossas faltas, tantas. Comemos e bebemos como se o mundo fosse acabar, deixando para o outro dia os pratos sujos.
Perdemos um tempo precioso. O tempo de sentar e centrar. O tempo de rever e apostar. De escolher as novas cartas do mesmo jogo. Um recomeçar...

sábado, 19 de dezembro de 2009

Padecer


Prestando atenção às chatices do dia, vi o quanto a falta de privacidade me incomoda. Altera-me quando não tenho. Acho chata essa imposição da vida de que nós, mulheres, mães, não temos direito a ela. Uma salva de palmas às raras mães/mulheres que deixam na mão dos homens as tarefas do dia a dia. Não só os enfadonhos ir e vir, mas também as paradas, tantas, para prestar atenção aos seus ao redor. Meu sonho de consumo. Eu dona de mim e mandante. Ele servo obediente.
Meu filho está de férias. Uma mãe sabe o que isso significa. Ao invés de paz em casa, tumulto. Parece ligado em bateria recarregável. Não para de falar, nem muito menos de pedir a atenção. E ai parece que cria um círculo vicioso - ou seria melhor dizer circo? - ao seu redor. Até o cachorro se vê no direito de me buscar. Perguntas como " o que vai ter de almoço" as nove horas da manhã, ou " o que vamos fazer hoje" por vezes, descontrolam-me. Sentada em frente ao computador, mil ideias a escrever , perco o chão. E a estribeira. Deve ser por isso que tomo tantos banhos nas férias, meus oásis.
Mas, enfim, a vida segue e eu me pergunto até quando. Dizem que filho criado, trabalho dobrado. Mas se me der tempo de me viver, já vai estar de bom tamanho.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Anotações


Fim de ano. Vai dando aquele friozinho na barriga. Uma sensação de que estou esquecendo de alguma coisa. Reviso minha lista (elas, sempre elas) e não sinto falta de nada. O que será que me aflige?
Vou tentar ter mais tempo para o filho. talvez para o cachorro. E para mim também. Continuar a escrever, mas focar nos ganhos. Vou continuar a faculdade, tentar fazer uma pós. Continuar a dieta e os treinos de corrida. E quem sabe voltar para a academia. Usar mais vestidos, arrumar-me mais. Tentar viver com menos, com o mínimo, um treino para o futuro. Dormir mais cedo. Organizar meus dias. Não deixar tudo para a última hora. Nem para depois. Nem para o final do ano. Lista interminável... mas sinto falta de algo...
...
Descobri.
Esqueci de listar para ser mais feliz.
Quem sabe se eu colocar no papel, trato de fazê-lo...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Agrado


Comprar é satisfazer a criança interior, dizia o texto. E quem não gosta? Nessa época de renovação em mim (enfim, mandei uns quilos a mais pras cucuias), tento não me afetar com as tentações. Organizo meu cérebro e tranco minha gaveta de paixões . Listo as necessidades, que nem são muitas. Meu armário está cheio. Mas as vitrines também. E nesse reencontro com minha mulher interior, minha redescoberta de meu lado feminino - e porque não dizer de minha sensualidade? - baseio meu anseio no bom senso (desde que não veja uma liquidação de sandálias...). Nas famosas e certeiras poucas e boas. Nas outras coisas que me enchem a alma, como livros, filmes e viagens (essas me povoam sempre, quem me dera). Mas não há como negar: se estamos felizes, compramos. Se estamos tristes, também. É...ser mulher não é fácil. Sempre falta alguma coisa. Sempre uma novidade no ar. Sempre uma tentação na próxima esquina. Sempre a vontade de nos agradar...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Check-list


Final de ano chegando e parece que as tarefas de última hora são intermináveis. Contas, matrículas, acertos finais. Um repassar de ações feitas ou não. Um check-list para ver se , enfim, cumprimos as metas do ano - ou não. Enfim, se alcançamos os pedidos feitos nas sete ondas.
Some-se a isso a minha velha mania de limpar gavetas e armários. Tirar delas o que não me serve mais, os entulhos da minha vida. Ou uma revisão. Revisando as gavetas, reviso a mim mesma. O que queria ser e o que fui. O que sonhei e o que realizei. Como se me preparasse para receber de braços abertos um "novo" ano.
Ah, e eu sou a rainha das promessas. Das listagens sem fim. Mas esse ano mereço parabéns. Fui além do meu esperado - pelo menos nas coisas que só dependiam de mim. Posso dizer, de boca cheia e coração aberto que, sim, eu vivi. Não foi perfeito - se é que perfeição existe - muita coisa me deixei levar. Mas o saldo deu positivo. Disso não posso reclamar.
Gavetas limpas, armários a receber novos ares. Essa sou eu, pronta para as novas aventuras que virão. Meu novo renascer que já começa bem antes do novo ano chegar.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Meninas


Estou indo viajar esta semana, a trabalho. Podia ser um simples organizar de minhas ideias e mala. Mas não: deixo a casa toda certinha - comida certa na geladeira, cardápio combinado, o leva e trás, quem faz o que, os remédios do cachorro. Isso que meu filho já é um "moço" e que está de férias, senão teria que organizar - e pedir - as devidas caronas, separar as devidas roupas, organizar os devidos lanches...
Quanta diferença. Aos homens, basta avisar a tempo de fazermos suas malas (desta eu sempre escapei, fazendo-me de tola). Não mais. Nada muda na rotina da casa. Nada falta. Resolvemos tudo, sozinhas e a contento, como sempre. Lembrei de quando tentei dar palestras pelo Brasil afora, coisa que amava fazer e dava-me belo sustento. E tive que desistir porque me ligavam, no meio da madrugada, só para reclamar que o filho estava com febre...
Que tipo de pessoas somos nós, as mulheres. Seria culpa nossa esse saber fazer? Esse deixar o caminho certo para eles trilharem, mesmo que nos deixando pelo caminho? Crescemos brincando de boneca e eles de sair para o trabalho e nos deixar em casa. Começamos bem cedo a sina de sermos quem somos. E há quem ainda diga que somos o sexo frágil...

domingo, 13 de dezembro de 2009

Surdos


Acho que o que mais me incomoda na vida "moderna" são os barulhos (nem teria cara de chamá-los de sons). O mundo gira em torno deles, mostrando as posses. Alarmes incessantes de casas e carros, a madame que buzina para a serviçal abrir o portão ou a amiga não se atrasar para a academia. Ah, e os estrondosos toques de celulares (que saudade do trim-trim...). Junte-se a eles os sons da garotada arrebentando seus tímpanos. Ou dos carros onde o som vale mais do ele mesmo.
O barulho é tanto que nem nos damos conta dos outros sons, tantos, das melodias próprias da vida. A gargalhada de meu filho que enche a casa de boa energia, do prazer do meu cachorro ao receber a massagem no lugar certo, da passarinhada brincando em meu quintal. Ontem, do vento forte, brincando de pegar entre as casas. Hoje da primavera anunciando um dia quente. Quem sabe mais à noite eu possa ouvir a cigarra. Ou um sapo -martelo? Educo, todo dia, meu ouvido para que não se curve diante da surdez humana.
Ah, se pelo menos todos os dias fossem manhãs de domingo...
(Bem falam que eu devia morar no nada...)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Caricato

Por vezes é curiosa a vida. Nós, mulheres, quando somos meninas, queremos ser adultas. E quando adultas, somos loucas para voltar ao frescor das meninas. Falo isso pelas outras, não por mim. Sempre tive um espírito de moleca que me impediu de ser uma apaixonada por saltos e maquiagens. Até vestidos relutei para usar. Maquiagem, nem hoje.
Mas ontem na formatura do meu filho, meninas de 14, 15 anos, com cara de 20. Seu frescor escondido sob pesada maquiagem e andares equilibristas. Nem se cabiam no papel. Mais preocupadas com os alisados cabelos em dia de chuva do que com a mudança de vida pela qual passarão. Até seus sorrisos eram calculados, como se estivessem a tirar fotos para um book e não para o álbum de família. Nas mais naturais, entre menina e mulher, o suave retoque e o vestido rodado lembravam filmes românticos, romances de gaveta. Nas apressadinhas, quase uma caricatura do que imaginam que seja ser mulher.
Não as condeno. São os novos tempos. Um dia a ficha cai - assim espero - e vão ver que ser mulher é um movimento que vem de dentro para fora. Ser mulher é muito mais que pastas na cara e andares sexies. Vão descobrir que a sensualidade feminina está nos gestos firmes e delicados ao mesmo tempo, nos sorrisos francos, no posicionamento frente a vida , e não nas escadarias perfumadas dos salões de festa. Vão descobrir, talvez tarde, que essa fase doce da vida se vai e não volta mais. Talvez só lá sintam saudades de suas bonecas , de suas risadas e outras delícias. Talvez sintam falta de não ter sido, tarde demais.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Modernidade


Ontem choveu. Chuva normal e chuva de amigos. Talvez seja só no aniversário que a gente tenha a plena noção do quanto somos queridos. E o quanto esse mundo virtual é, sim, uma segunda vida para nós.

Choveram amigos. Por e-mail, MSN, Facebook, Orkut. Uns me acharam na vida, celular em punho. Outros no conforto de minha casa, pelo telefone normal. Perdi a conta de quantos, amigos e recados. De quantos presentes virtuais e reais. E ainda virão os retardatários, que alegrarão minha vida quando eu menos esperar.

Fico aqui pensando como sobrevivemos sem toda essa tecnologia. E vou mais longe: sem os amigos a nos levantar. Uns me fizeram rir, outros até chorar. Mas todos fizeram-me ver que estou no caminho certo. Dou a eles meu melhor sorriso, minha réstia de paz. Mando a todos meu carinho diário e os amo, desse jeito moderno de amar.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Madura


Se eu tenho medo de envelhecer?


Não...


Lembro sempre dos bons vinhos, ali, bem conservados em barris de puro carvalho ou em alguma adega de nível, ao alcance de poucos que apreciam a boa cura, a longa espera do melhor gole de sua vida. Uma bebiba encorpada, madura, de sabor misterioso, para ser degustada e não simplesmente engolida... (risos).
Aliás, devíamos ser assim com tudo na vida. Um sorver sem pressa. Um vivenciar , não só viver, não só o rápido passar de horas, de um dia para outro, de um ano para outro. Vivenciar com gosto e cheiro. Sentir na pele cada momento. Sentir o que a Vida tem de melhor para nos dar.
Nossa, fazer aniversário me fez poeta...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Atenta


Se tem uma coisa que em encanta de verdade é ver as transformações pelas quais os dias passam. Dos tapetes amarelados do Outono aos multicoloridos da Primavera, encanto-me. Meu sorriso se abre na cara. Contemplo a eles como se mais cara obra de arte. Nem os piso, tamanha admiração. Onde passei encantada pelos tons de terra, hoje vi românticos tons de rosados a vermelhos.
Quem dom, esse, maravilhoso, da natureza. Quanta sabedoria. Avisa-nos de cada fase dela. Que bom se fossemos assim, atentos a isso. Moldar-nos á natureza, respeitar nosso corpo e nossa'lma. da hora de dormir ao sol a nos acordar. A hora certa de comer e a hora certa de correr. Ao tempo de espera do Outono à explosão do Verão. Seríamos, com certeza , mais felizes. Filhos dignos da terra. Pés no chão.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Dezembro


Estamos, de novo, em Dezembro. Época louca, essa. Correria total, até uma certa histeria, que se agrava com a chegada do Natal. Queremos fazer mais ainda que um certo presidente, estranhamente mineiro, que queria milagres em tão pouco tempo. Queremos fazer tudo que não fizemos durante o ano todo. Como ganhar uma maratona sem ter treinado, e muito. Resultado: cansaço, estresse, nervosismo. Saco cheio, mas não de presentes.

Fiz tanta coisa durante esse ano que me sinto bem. Tenho feito isso desde o ano passado, quando reencontrei a minha Vida. Estudei, li muito, trabalhei o quanto tive que. Tratei de cuidar de mim da melhor forma que pude. Algumas coisas alcancei, outras ainda não. Muitas vou correr atrás já no início do ano, tenho muitos planos. Acho que só deixei para trás as coisas enfadonhas que reluto em resolver. Talvez por gosto, não sei. Talvez por acomodação. Talvez por medo.

Mas Dezembro está aí, daqui a pouco as "festas" e um novo ano. Para mim, promete, já que estou me redescobrindo. O voltar a estudar depois de tantos anos me fez um certo renascer - como se as novas coisas - ensinamentos e convivências - tivessem feito uma faxina em meu ser. Acho que até rejuvenesci.

Quem sabe será assim, eu vivendo o máximo que dá, só para terminar meus dias de mãos entrelaçadas com a Vida em algum canto por aí? Melhor que tantos, que deixam para viver quando o corpo e a cabeça já não ajudam mais. Esses são pobres, não sabem se levar. Penso que deixar para viver só quando não der mais é morrer aos poucos...e isso, jamais!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

País do futebol

Olhando para a TV, vendo meu país parar para ver um jogo de futebol, fico aqui pensando que bom seria se tivéssemos essa garra, essa vontade, para resolver algumas mazelas bem piores que nos assolam. É um juntar de vontade, de grito, de incentivo ao time jamais vista em qualquer outra situação para nós. Não nos incomoda a corrupção e a fome, a violência urbana e infantil. Imaginei esse povo todo que grita nos estádios em passeata nas ruas para pedir o fim de tantos problemas, brigar por uma causa. Com certeza conseguiríamos tudo.
Porque temos vergonha de lutar por direitos óbvios, mas não de chorar e de descabelar por um time?
Não os culpo, também tenho minhas vergonhas. Já me descabelei também, em frente a muitos jogos da Copa. Ou por meu filho em muitos momentos. Gritei de me descabelar. Mas já mais lutei por qualquer causa em plena praça pública. Jamais levantei meu punho para qualquer causa. Sou do tipo que muito fala e pouco faz. Como todos nós.
Talvez torcer pelo time seja um ópio. Anestésico natural de sabermos quem somos. Talvez nos baste, como já disseram, pão e circo. E seja no estádio nossa redenção.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Receita


Ah, se você soubesse como basta pouco para ser feliz!
Assim me veio a mensagem dessa imagem tão simples e tão profunda ao mesmo tempo. Para a pequena princesa, basta sentir-se como uma. E um picolé para adoçar a vida. Para nós, o que bastaria?
O crescer traz sofrimentos bem por causa disso. Não nos basta qualquer coisa. Uma após a outra, queremos. Por vezes, queremos por querer. E depois de consegui-las, não nos servem mais. Não curtimos o picolé da vez, nem a sensação da falsa tiara. Estamos no agora pensando no depois.
Está ai a grandeza - e até a cura - da meditação: viver o agora, o presente, livre de outros e tantos - tantos! - pensamentos. Viver o que se tem para viver, de bom grado e bom sorriso na cara. Curtir a vida, como dizíamos certa época.
Eu tenho tentado, pelo menos, não me atropelar nem ser atropelada por sonhos e desejos infindos. Muitos, por vezes, desnecessários. Tenho tentado viver cada momento. É uma lição difícil. Um pegar de caminhos e sentir cada passo no chão. Cada bocada, cada mastigada antes de engolir.
Estar, de corpo e alma, em cada momento. Sentir na boca o gosto doce da Vida.
Meu picolé de manga.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Saber viver

Assisti, ontem, um programa sobre a longevidade japonêsa. Comer certo, pouco e com calma era uma das dicas. Manter o corpo e a mente ativos, outra. Coisas bem difíceis de se fazer, penso eu. Mas o que mais chama a atenção é a alegria. Sempre que mostram pessoas que passaram dos cem anos - quem nos dera - elas tem um sorriso especial estampado na cara. Eu mesma já tive muitos pensamentos em torno disso. Tenho em mim que a raiva, a mágoa, o nervosismo por nada, enfim, o não saber viver leva às doenças do momento: cancêr, Alsheimer, Parkhinson. Não sei se tem algum estudo nesse sentido, mas tenho essa convicção, minha, de que tem alguma relação. Por vezes até a obesidade, em pessoas que parecem sempre alegres, até demais. Uma alegria externa mas muita mágoa para si. Como se a comida fosse uma forma de se resguardar do sofrimento, como se suprisse algo.
Isso eu sei, falo de carteirinha em punho. Pego-me devorando comida quando sinto-me rebaixada, preterida, mal amada. E ali, nesse momento, tanto faz o que estou comendo, vale a quantidade: muita.

Mas penso que em só saber disso, já estou no bom caminho. Quero viver muito, e bem. Ter ao meu lado pessoas que me amam de verdade. Uma vida simples, sem falsas luxúrias, mas regada de alegria e amor. Acordar ao lado de quem quero, receber em minha casa as pessoas que me trazem sorrisos, beijar a Vida da minha forma mais apaixonada. Uma vida leve. Quem sabe até lá aprendo a comer como os centenários, porque sorriso na cara e alegria de bem, viver eu já tenho. E muita!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Cabeça cheia


Queria descobrir o que tira a minha energia. Acordei como que se atropelada por um caminhão carregado de preguiça. O corpo pesado, a cabeça vazia e uma necessidade sem tamanho de nada fazer. Pode ser hormonal, diria a médica. Pode ser o inferno astral, diria meu terapêuta. Ou posso ser só eu mesma fugindo do que tenho para fazer. Ou coisas da natureza, já que até o sol , de pirraça, não veio.
O que fazer nestas horas? Entregar-me aos braços dos lençóis ou revidar saindo para uma corrida? Ah, que bom se a gente se entendesse consigo mesmo. Se , já ao abrir de olhos, ali estivessem as respostas. De como seria o dia, do porque estou assim. Das faltas e dos excessos. De mim.
Hoje é sexta, não sábado nem domingo. Minha mesa repleta de papéis e de listas, as tantas que faço e não cumpro. E ideias de textos saindo pelo ladrão....
É isso! Ideias!
Culpo-as enfim: o que me tira a energia é querer sentar e só escrever...
tirar esse peso de meu coração...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Visão


O que mais me encanta na primavera - além da alegria dos pássaros e do colorido das flores formando tapetes - é esse frescor matinal. Junte-se a ele o despertar do dia e tem-se ai uma visão do paraíso. Melhor que isso só se eu estivesse em uma praia, vendo aquela névoa da manhã se dissipar entre a areia gelada e o mar, tendo como música de fundo
o barulho das ondas a brincar.
Aliás, nada mais lindo do que essa imagem, do dia se espreguiçando à beira mar. Quem me dera um dia tê-la, ali, sempre à minha frente. Ver o dia acordando preguiçoso, a movimentação dos pescadores, as gaivotas a esperar. Uma caminhada com o cachorro, sentir o gelado da vida nos pés, colher flores para a mesa do café. Um breve passeio antes da Vida despertar.
Paraíso. Ele lá, em meu futuro, a me esperar.
Ele aqui, no presente de minha mente. E eu aqui, teimando em descrevê-lo...
(Foto de Rose Diehl)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Metamorfose


Esta semana me ligaram. Fui uma das escolhidas - eu não, expliquemos: um texto meu - em um prêmio literário da cidade onde vivo. Minha primeira vez, pelo menos por aqui.
E pelo menos depois que reaprendi a escrever.
Sim, reaprendi. Escrevo desde os seis anos ou até antes disso. Aprendi com meus irmãos muito antes de entrar numa sala de aula. Poeticamente, comecei a devanear já com sete - tenho até um caderninho para provar. Fazia poesias, umas até hoje lembradas, a título de gozação, por um de meus irmãos. Aos 13 participava de concursos estaduais, menções honrosas a parte. Depois disso, textos carentes do tempo de aborrescente, em cadernos enfeitados com flores e corações.
Anos se passaram e ainda colocava em papéis perdidos meus desabafos de mulher. Mania. Ressurgi das cinzas de me esquecer no final do ano passado. Deixo aqui, todos os dias, um pouco de mim. Resolvo aqui, todos os dias, meus conflitos internos, tantos. Ou tento. Aqui me trato e me alimento. Ou tento. Aqui começo o meu dia. Bem ou mal , sempre. Aqui parece que deixo o mal para trás e me transformo.
Meu casulo? Talvez. Entro lagarta e saio borboleta.
Simples assim. Simples palavras.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Dominó


Gosto de sua alegria, dizia o recado. Pego-me pensando se eu era tudo aquilo mesmo, a pura alegria que vêem em mim, ou se eu lançava mão dela para recebê-la de volta. Tanto faz.
Dizem que fica perfume na mão de quem entrega flores.
Quem sabe fica alegria em quem manda sorrisos?
Na verdade, não vejo sentido em passar aos outros minhas mágoas. Egoísticamente acho que são minhas. E as guardo tanto quanto posso. São efêmeras em mim. Esqueço-as com facilidade. Ou dou nova roupagem. Ou quem sabe as transformo? Quem sabe meus sorrisos são choros e minhas alegrias, tristezas. Quem sabe.
Mas quero passar aos outros só o meu melhor. Mágoas e tristezas vêm e vão. Lembramos dela hoje, amanhã talvez não mais. Se falo ao outro delas, posso fazer surgir as dele. E ele , as do outro, como um grande jogo de dominós. Cai uma peça, que derruba a outra, e outra e outra. Tente fazer o movimento contrário e verá como é difícil. Mais fácil sorrir e segurar a sua. Sempre. E pode saber: ao lado do outro, tudo melhora.
Ainda mais com um belo sorriso...

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Espera

Ah, os verbos. Por isso adoro a fala mãe, que requer cuidado em dizê-la. Como os verbos ser e estar, tão diferentes para nós, tão iguais em outras línguas.
Hoje pensei de novo sobre eles. Sou feliz, mas não estou. Sou, eu, em meu ser, em minh'alma, uma pessoa extremamente feliz, leve, de bem com a vida. Ela, a vida, que tem deixado a desejar, talvez tentando me ensinar sobre ela mesma, talvez tentando me persuadir a deixar as coisas como estão.
Mas sou movida por sonhos. Ingênuamente movida a sonhos. E ai vem um vento mineiro, morno e com cheiro de quero mais, que me diz que "sonhos são como deuses: se não se acredita neles, deixam de existir". Sim, sonhos, tantos. Meus. Muitos já deixados para trás, outros novos, beirando o caminho. Sim, sonhos tantos, que ainda hei de realizar.
Sim, sonhos, muitos que ainda hão de chegar.

domingo, 29 de novembro de 2009

Novo


Domingo, sol lindo, milagre. E eu esperando, ansiosa, por um curso de roteiro de cinema, com Tabajara Ruas (teve um dedinho dele na maravilhosa minisérie A Casa das Sete Mulheres). Um misto de expectativa e timidez.
Sim, timidez. Sou, tenho. Mas gostei da forma nada tímida que consegui esse curso. Essa sou eu, a que corre atrás. Esta tenho sido eu, de novo. Parece besteira , mas a cada coisa que quero e consigo, sinto-me melhor. Um curso, uma viagem, uma superação qualquer. As ideias que corro atrás. Só pelo batalhar já me sinto bem. São indícios de que os tempos de engessamento estão ficando para trás. Indícios de que a casca que deixei crescer em mim está caindo. E depois dela, eu, "verde", pronta para me reconstruir.
Domingo, sol lindo, e eu feliz pro passar um dia todo dentro de uma sala fechada. Quebrar paradigmas. E, quem sabe, encher uma gaveta antes vazia - ou cheia de papéis embolorados - de meu cérebro com coisas novas. Quem sabe absurdamente novas.
Quem sabe um renascer?

sábado, 28 de novembro de 2009

Conjugações


Ontem em conversa com um amigo, dei-me conta de uma ideia que já havia trabalhado, mas tinha esquecido em alguma gaveta mofada de meu cérebro: vivemos verbos.
Sim, nossa vida é feita de verbos. Verbos nos definem. Nossa ação é definida por eles. Acordar, abrir os olhos, espreguiçar, levantar, falar, beijar, vestir, lavar,escovar, vestir, comer, entrar sair, estudar, trabalhar, etc.etc.etc. Tudo demanda verbos.
Somos corpos a espera de comando - e que bom quando os temos, comandos e corpos obedientes. Que triste seria se não os tivesse. Fico a pensar na angústia de não tê-los.
Ou de perdê-los.
Meus verbos são muitos, tantos e todos os prováveis. Dos ditos racionais e de sobrevivência, a outros que cultivo por minha boa vontade. Sorrir é um deles, minha marca registrada. Ser feliz, outro. Amar, sempre, imprescindível. Beijar sempre que possível. Que bom poder fazê-los.
Meus verbos prediletos, resumidos em um só: viver!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Saberes


Hoje começam as férias de meu filho e acabam o meu silêncio produtivo. Levantei cedo, de surdina, e logo estava ele atrás de mim. Nem meu sossegado banho matinal foi possível. Chego a pensar que não vou mais escrever. Chego a pensar que não haverá mais um minuto sequer que possa estar a sós com as Joyces que me habitam. E olha que ele já é um adolescente...

Posso ter duas saídas. Uma, encrencar e levar o barco num mar revolto, cheio de "chega para lá". Outra, usar de minha sapiência - e de muita paciência - e conseguir contornar as coisas. Ver o mar, ali, revolto, e deixar que as ondas me levem para um lugar mais calmo. Como a dica para não se afogar. Quanto mais me debato, mais afundo.

Hoje começam as férias de meu filho e temos muitos dias ainda pela frente. E planos diferentes. Eu pretendo dar uma geral na vida, coisa que faço todo final de ano. Gavetas, armários, roupas, pensamentos. Talvez uma aula de dança, quem sabe. E me exercitar muito, corpo e alma.

Ele , pelo que diz, pretende aventurar-se - que tanto faz na frente do computador ou da vida. Faz, sim, muitos planos, e em todos me inclui. Passa para mim a responsabilidade total de ser feliz.
Ah, se ele soubesse que a felicidade está nas coisas não planejadas do amanhã e sim da vivência do hoje, ai sim, teria, umas boas férias...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sonho


Tenho um jeito próprio de levar a vida, certo ou não. Alterno dias de paradas para pensar e refletir com dias de total ação. Saio da letargia ao impulso em um momento só. Como se me preparasse para tal momento. Como se um dia fosse treinamento para outro.
Assim sigo, e sempre, defeituosamente sempre sem pensar no futuro. Penso, sim, mas de forma romântica, do que gostaria de fazer, de ver a Vida ao meu lado quando acordar, da vida que sonho levar.
Segredo que é uma vida bem simples - quiçá olhando de minha janela aquele mar parado como eu em meus momentos de pensar. Quem sabe sentada em uma poltrona velha e confortável, numa mesa antiga, marcada pelo tempo e cheia de coisas que gosto ao meu redor. Ver de minha janela o pescador que volta de seu trabalhar. Ver no azul do mar minha poesia, no vôo da gaivota minha sintonia, ao meu lado meu bem querer.
E escrevendo. Ah, quero morrer escrevendo - nem que seja para mim mesma.
Tenho sonhos simples, sonhos fáceis de sonhar. Tomara a Vida me dê essa chance de me realizar...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Alice


Hoje acordei com a música Maria, Maria de Milton Nascimento na cabeça. Depois entendi o porquê. Era a vida me dando um consolo. E uma força. A letra tem tudo a ver com meu momento. E de tantas mulheres que se deixam levar pelo machismo dominante. Com eu.
"Mas é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana sempre". Assim dia a música. E assim o é. Alguns podem se perguntar qual problemas eu teria em relação à vida. Afinal, arquiteta formada, estudando jornalismo aos 45 do primeiro tempo. Fiz meu nome , sou conhecida e reconhecida. Tenho um lindo filho de 14 anos, já plantei várias árvores, penso já no meu livro - ou meus tantos. O que mais poderia querer?
Respeito. Na minha vidinha pacata, muito assédio moral. Não dava trela ao assunto até entender. Se se vêem no direito de me menosprezar, de me mal querer, se me menosprezam e nem assim me deixam ir, é, sim, assédio moral. É que a gente se acostuma com as coisas. Até com as ofensas. E acha que tudo é normal. Acorda, ALICE! Não é!
"Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça, é preciso ter sonho , sempre". Isso que vejo, nisso que acredito. Esmurrar de nada adianta. Berrar só dá voz ao agressor. precisa-se de estratégia, do calar para vencer. E seguir, forte e linda. Seguir sorrindo, minha marca registrada.
...Quem traz na pele essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida....

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Olhos de menina

Admirando as fotos de Corrie White, temos uma pequena noção da perfeição da vida. Como uma simples gota de leite ou de qualquer líquido pode conter tanta beleza. Um assunto que me acompanha desde sempre, desde os tempo que ficava horas observando os desenhos que o vento fazia na areia ou que o mar deixava nela. Desenhos sem explicação.
Simples e ao mesmo tempo da mais alta complexidade.
Imaginava neles tecidos para o vestido da princesa, brincos que a deixassem mais bela. Anéis de vegetal, colares de conchas. Até das bolas de espuma fazia tais divagações. Devia ter seguido o que queria: desenho de produto. Quem sabe jóias. Quem sabe.
Mas voltando ao que a vida me deu, aos caminhos que segui - e sigo - vejo em cada canto sua beleza. Tenho guardada em mim essa visão pura e atenta da menina que corria na praia. Vejo , ainda, castelos nas dunas, crateras de lua no chão. Vejo mundo de elfos nos musgos das árvores.
E nisso tudo, vejo muita poesia. Uma poesia imensa e linda que só um grande ser pode ter criado. Um mundo não visto aos olhos cegos de adulto. Um mundo ao alcance de todos, um frescor na nossa imaginação. Quem sabe se, atentos, damos mais valor a tudo?
Eu erro, sim, ao dar mais valor a isso do que aos parcos e chatos passos do meu dia...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Nuvem


Por vezes penso que aquele ditado que diz que "desgraça não vem sozinha" tem um fundo de verdade. Explico: meu final de semana começou a dar para trás ainda no sábado, como se tivesse passado uma nuvem negra por mim. E foi de repente. Instantâneo. Sem aviso.

Começou com a história de sempre, da tal pergunta " o que estou fazendo aqui". Um lindo casamento e eu triste. E rindo, falsamente rindo. E enquanto ria e conversava "animadamente", revia internamente minhas perdas, meus desvios de caminhos.


E de lá para cá tenho tentado me aprumar, colocando a cabeça no lugar, revisando coisas. Vendo em cada uma delas algo de bom. Mas parece que mente suja trás sujeira. E não sei se é só comigo: se não estou bem , nada na casa funciona, nem máquinas.


Hoje me vejo sobrevivente. Coisas tolas, bem sei, mas afetantes. Como rosetas na grama que me parecia macia. Sento, enfim, na calçada e tiro-as, uma por uma. O dia amanheceu, não vai me esperar melhorar...quem sabe a Vida me agrada e me faz melhorar?

domingo, 22 de novembro de 2009

Começo


Ontem, um casamento. A cerimonia toda muito alegre, noivos rasgando seus rostos em sorrisos, eternas trocas de carinho. Uma festa. Vida, cor, boa convivência.
Na rápida e sábia fala do padre, a frase " sem o amor eu nada seria" ecoou em minha mente. Somou-se a isso a benção de todos os presentes sobre o casal. Um apostar, um unir de pensamentos, um unir de corações. Uma energia boa a circular, energia real de amor e cuidado.
Tomou-me por inteira. Não tive esse caminho normal de flertar, namorar, noivar, casar. Há, por esse caminho, um comprometimento maior de um com o outro, penso. Ou deveria. Uma escolha feita aos poucos, não um arrebatar de sentimentos aos tropeços. Deve ser bom sentir isso sendo concretizado em um novo recomeço a dois. Deve ser boa a sensação de receber o outro em nossa vida de uma forma ritual. Não sei se isso faria alguma diferença, mas deveria.
Talvez ali estivesse a chave de anos de bem viver.
Olho para o lado e vejo casais se amando ainda depois de anos. Um carinho, um chamar para dançar, uma mão segurando a outra, por vezes já craquelada pela vida. Não tive, não tenho.
Se tiverem a receita, que me digam.
Quem sabe um dia a Vida me pede em casamento?

sábado, 21 de novembro de 2009

Revelação


Prestando atenção às chatices do dia, vi o quanto a falta de privacidade me incomoda. Altera-me quando não tenho. Acho chata essa imposição da vida de que nós, mulheres, mães, não temos direito a ela. Uma salva de palmas às raras mães/mulheres que deixam na mão dos homens as tarefas do dia a dia. Não só os enfadonhos ir e vir, mas também as paradas, tantas, para prestar atenção aos seus ao redor. Meu sonho de consumo.

Eu dona de mim e mandante. Ele servo obediente.
Meu filho está de férias. Uma mãe sabe o que isso significa. Ao invés de paz em casa, tumulto. Parece ligado em bateria recarregável. Não para de falar, nem muito menos de pedir a a atenção. E ai parece que cria um círculo vicioso - ou seria melhor dizer circo? - ao seu redor. Até o cachorro se vê no direito de me buscar. Perguntas como " o que vai ter de almoço" as nove horas da manhã, ou " o que vamos fazer hoje" por vezes, descontrolam-me. Sentada em frente ao computador, mil ideias a escrever , perco o chão. E a estribeira.

Deve ser por isso que tomo tantos banhos nas férias, meus oásis.
Mas, enfim, a vida segue e eu me pergunto até quando. Dizem que filho criado é trabalho dobrado. Hoje ele foi passear em outra cidade com amigos. Talvez eu aproveite melhor meu dia. Talvez sinta falta. Talvez veja que é na adversidade que crio mais.

Que seja ela, a princípio, a minha inspiração, o meu bem estar...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Novos ares


Minha vida já anda com ares de férias. Deve ser a proximidade delas ou o sol que nesta época do ano que entra cedo, cedo. Acordo animada, mesmo nos dias que não está prevista a minha sempre bela caminhada. Acho que já entrei no espírito de verão. Gosto. Visto azul e sorrio para a Vida, minha eterna companheira.
Pergunto-me porque não poderia ser sempre assim, mesmo no mais rigoroso inverno. Porque a natureza é sábia, bem sei. Basta ouví-la. No outono fazemos uma preparação para o tempo fechado que virá. Um tempo de guardar. Um acúmulo de energia para o inverno, onde fechamo-nos para pensar, como um hibernar de ideias. Já a primavera é tempo de preparação para um abrir. Tempo de plantar. Ficamos atentos aos movimentos, fazemos planos, medimos passos. É esse sol, esse cantarolar dos pássaros, essa aragem fresca que nos chamam para a rua, para o bem viver. É a vida nos avisando do tempo que virá. Logo, logo, já vem o verão, explosão de luz e calor, tempo de expansão, tempo de se expor. Nele queremos aproveitar tudo do que temos direito, nossas vontades e anseios, nossa colheita do que queremos ser. Tempo de colher.
A natureza é sábia. Também podemos ser, se ficarmos atentos, ligados a ela. E tal feito a Mãe, também sermos sábios e tirar de seus ensinamentos belos proveitos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Viva


Acordei bem cedo para caminhar, quando a cidade ainda ensaiava acordar. Como é fascinante essa hora do dia! Um mundo lavado pela noite. Perfumes inebriantes das flores acordando, a luz diferente do sol se espreguiçando. De sons, só o feliz canto dos passáros começando um novo dia.

Fora o frescor, ah, o frescor matinal. Arrepiou-me o corpo e a alma.


Nesse cenário, caminhei, lenta, sem pressa. Esqueci frequencímetros e regras. Aproveitei os poucos momentos de paz e enamorei da vida. Senti na pele o bem viver. Senti a mágica alegria de estar viva. Sorvi o perfume de um novo dia. Meu sorriso no rosto, meio tímido ainda, denunciou os prazeres, tantos. Estes, tão simples, renegados, esquecidos em meio a horários e papéis. Estes, onde vemos a prova de algo maior. Nosso presente diário. E eu, viva.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Bom dia, Vida!

Hoje acordei particularmente feliz. É aniversário de uma pessoa que prezo muito, que tem uma importância enorme em minha vida, mesmo não estando ao meu lado. Uma pessoa que me incitou a tirar de mim meu melhor. Que me ajudou a ser quem sou. Que me ensinou o caminho do Amor. Que me ensinou a amar as palavras e a própria vida. Ensinou -me sobre a Vida, assim, maiúscula, vivida com intensidade e paixão.
As nossas pegaram caminhos diferentes. Mas ainda assim reconheço nela meu prumo e meu chão, meu fio condutor. Devo a ela minha sensibilidade, meu bem querer. Devo a ela um sentido maior ao que dizem viver. Com ela, vejo as palavras com letra maiúscula. Com ela, leio nas entrelinhas. Com ela, sinto mais cada passo no chão. Com ela, sinto-me. Vivo. Sou.
Hoje acordei particularmente feliz. Talvez seja a Vida me dando o Bom Dia do resto de nossos dias. Talvez seja a Vida me dizendo que me Ama. Talvez seja a minha fé, hoje reforçada, de que temos ainda muita vida pela frente.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sabedoria


"E no meio do inverno eu descobri que dentro de mim havia um verão invencível".

Quando li essa frase de Rubens Alves, tremi. Definia-me. Acho dentro de mim , invariavelmente, muitos verões. Ou pelo menos primaveras, quando o tempo ainda não está totalmente firme, mas as flores garantem o frescor das manhãs, e os pássaros chamam alegria. Sou uma otimista incorrigível. Tenho baques, como tantos, mas ponho a culpa nos hormônios e sigo em frente.
A única coisa que me pega de jeito, e me derruba se eu deixar, é o não seguir o que penso. É o não fazer o que sei ser o melhor para mim. Tenho em minha frente as respostas e ignorantemente ignoro. Isso acaba comigo, esta fraqueza, essa fragilidade humana que me impede de ser feliz.
Mas a minha capacidade de sair do buraco é imensa. Talvez tenha aprendido que depois da tempestade vem um dia lindo, que o sol brilha mais depois da chuva. E que a parte mais escura da noite é de madrugada, pouco antes do amanhecer de um novo dia.
Não, não sou perfeita. Sou é teimosa. E aprendi a esperar o melhor momento. A usar de estratégias para ser feliz. Não dou mais murro em ponta de faca, nem choro pelo leite derramado. Espero, sempre, o melhor tempo para agir. O meu melhor tempo de reagir. Talvez seja uma falha, talvez seja uma vantagem.
Não sei. Só sei que dentro de mim sempre há um verão invencível.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Ela


Hoje minha mãe faz aniversário. Tem exatos 30 anos mais que eu, por isso nunca esqueço sua idade.
Caso a parte, ela. Mulher de "sempres". Sempre trabalhou. Sempre deu aulas, dia e noite. Sempre estudou. Fez faculdade depois dos 40. Voltou para a faculdade depois dos 70. Sempre procurando, sempre aprendendo, sempre apanhando e sempre levantando.
Mulher de " jás". Já pintou, bordou, esculpiu, desenhou. Já plantou sua árvore, já teve cinco filhos, já escreveu vários livros.
Mulher de começos. Começou a escrever aos 65. Começou a usar computador com 70. Começou uma nova vida aos 75. Está sempre começando algo. Sempre tentando algo novo. Sempre em constante mutação. Sempre.
Mulher de nuncas. Nunca pára, nunca está satisfeita, nunca aceita a ela mesma. Nunca deixa para trás uma ideia. Nunca desiste do que quer. Nunca desiste de tentar. Nunca deixa de falar.
Nossas divergências, penso, vêm de nossas semelhanças, muitas. Desde os olhos de mar até o jeito direto de falar. Descubro que só se conhece a mãe quando se é. E que só se é quando se conhece a mãe....

domingo, 15 de novembro de 2009

SuperAção


Uma das coisas que ainda vou fazer - quem sabe nestas férias, já que tenho pressa de ser eu mesma - é aula de dança de salão. Cansei de ficar a mercê da felicidade de saber dançar. Cansei de ficar sentada à mesa com medo de errar. Do medo de não sabê-lo e por isso não o fazer.
E são tantos, o medos. Muitos, que transformo tudo em não gostar. Fica mais fácil. Mas a idade vai trazendo a maturidade de reconhecer o que são medos e o que são gostos.
Nos últimos anos tenho perdido muito deles. Hoje até acho graça. De viajar sozinha. De pegar a estrada. De usar vestido, salto alto. De ser bonita. De corresponder a um flerte,
só para treinar o ego. De ser eu mesma.
Este está sendo o ano de perder os medos, por mais banais que sejam. De correr. De andar de bicicleta. De me impor sem magoar. De discussão - as sadias. De ser do contra. De me arriscar. De me comprometer. De amar e dizer eu te amo. De dizer não, este o mais difícil. Descubro neles, no ir contra os medos, uma força enorme,
a da satisfação de conseguir ultrapassar as barreiras impostas.
Que me venham as aulas de dança!
E que deixem meus receios para trás...

sábado, 14 de novembro de 2009

Surpresa

Sempre fui preguiçosa em relação a exercícios. Sentia deles os benefícios, mas nada que me fizesse amá-los. E isso desde as aulas de colégio. Detestava.Depois arranjei a desculpa de uma lombar com defeito de fábrica. Um defeito de nomes complicados
que servia muito bem de desculpa.
Hoje, no auge de meu motor 4.5, sinto-me outra e com pena pelo tempo perdido. Ando com vontade pelas ruas da cidade. E , para minha própria surpresa, alterno com corridinhas. Mínimas, mas que me valem um sorriso de superação. Tímidas, mas que mantém meu frequencímetro na medida certa. Meu coração, minhas coxas e meu bumbum agradecem. As roupas perdidas também. Mias ainda as roupas esquecidas no armário. Acima de tudo agradece a minha auto estima. Mais pelo superar-me que o agradar-me. Mais pelo sentimento que pelo espelho. Um ultrapassar de marcas, um alcançar de metas, um esquecer medos.
Que me venha o 4.6!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Férias


Férias chegando e vejo meu filho fazendo mil planos. Como um diário, tenta aprisionar cada dia de sua extensa pretensão de ser feliz. E assim são muitos, programando tanto, sendo tão intensos que voltam cansados. Saem para supostamente descansar e voltam exaustos.
Eu , ao contrário, queria umas férias diferentes. Um não prever. Uma não pretensão. Deixar acontecer. Sentir-me livre outra vez, como já fui e amava ser. Seguir de ventos, feito passageiro de balão. Saber a saída mas não saber a chegada.
As propostas são muitas. Voar está entre elas. Quem sabe dominar as ondas. Ou subir paredes. Mas o que quero mesmo das férias são férias. Não do corpo, mas de alma.
Experimentar coisas novas, não programadas.
Vivenciar. Viver.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Desabafo


Por vezes, muitas delas, sinto-me completamente ingênua frente ao mundo. Recebo um e-mail que diz "tudo vai dar certo", que me enche de alegria e do que sou, uma menina. Outro fala de perigos, de golpes, trazendo para nós os medos, tantos. Fico me perguntando o porquê das coisas ruins. O que nos leva a apostar nelas, a escutá-las e a cada dia nos fecharmos mais à vida e à felicidade?
Vivo como se numa redoma, e por isso muitas vezes criticada. Talvez eu esteja errada e todo o mundo seja mal. Talvez eu esteja certa e, sendo otimista, estaria vedada a tais manifestações ruins. Talvez o bom atraia o bom. Assim como meu sorriso, sempre atento, atrai outros. Atraiu gente feliz. Ou quem fica feliz com ele. Quem dera.
Mas, nego-me a me enclausurar. Nego-me a tornar-me desconfiada. Nego-me a olhar o mundo por detrás das grades. Nego a crer que não tem mais saída. Que não tem mais volta. Meus músculos faciais são meus amigos e meus defensores. Quem sabe o lado mal da vida se assusta e me deixa passar...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Dica



Acordei hoje com o cantarolar dos passarinhos. Identifiquei um por um, como se cantassem só para mim. Um cantarolar sempre alegre, sempre festivo, pronto para o dia. E alegrando já cedo o meu. Fizeram-me abrir um sorriso. Começar bem. Ver o dia com outros olhos, com outro sabor. Com outra energia.
Devíamos ser como eles, acordar de bem com a vida. Acordar feito criança.
A vida agradeceria sendo sempre bem melhor...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Hóspede


Mais uma vez fui contemplada com um ninho de passarinho na varanda da minha casa. O ritual se repete todos os anos e já ficamos esperando tal momento. Os cuidados para receber os hóspedes temporários são muitos, desde silêncio até leveza na faxina. Acompanhamos o dia-a -dia, da construção do ninho ao revoar dos filhotes. Cuidamos para que não haja nenhum intruso e torcemos pelo futuro dos novos habitantes dos céus. Fica no adeus o ninho ali vazio nos lembrando de momentos tão doces. Poucos e rápidos, mas bons.
Engraçado esse apego a coisas tão simples. Mas nelas, muito a dizer, muito a ensinar.
Do respeito ao carinho. Do bem amar.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Lúcios


Este final de semana tive o prazer de assistir a peça Lúcio 30-80, com o comediante Lúcio Mauro (ai, que saudades da Ofélia!) e seus filhos. Levei meu filho, 14 anos, para conhecer um dos maiores personagens da TV brasileira. Não errei: ele amou.
Nela muito de emoção e de riso. Encantei-me pelo olhar profundo daquele homem que já nos fez rir tanto, o lúcido Lúcio, com seus intensos 80 anos. No contraste entre a comédia jovem do filho e a comédia discreta dele, muita história para contar. Neles se confunde a própria história desse país de comediantes natos, grandes mestres do picadeiro.
Mas fiquei mesmo extasiada com o Monólogo das Mãos, onde o Grande Lúcio descreve, com toda a sua intensidade, a serventia delas, para o bem e para o mal. " A mão que afaga é a mesma que joga pedras". Vi nisso uma verdade de doer. Carinhar e bater. Apertar de mãos ou jogar de granadas. Salvar e matar. Nelas, nas palavras bem ditas, meu encanto.
E hoje, Lúcio, uso das minhas para te agradecer ao belíssimo momento.
Marco de vida, que não morre jamais.