sábado, 31 de janeiro de 2009

Loucura?

Fui acordada pela Saudade.
Não me chamou com carinho de mãe, mas em rompante, em disparo de bala mortal. Uma saudade, aos meus olhos internos, doía, profunda, incompreensível. Meu lado mulher ficou triste, verteu lágrima. Mas meu lado menina - poeta compreendeu, absorveu e transformou em um sentimento gostoso, infinito, leve. Era um saudade aberta, sem nome ou sobrenome, errante, e por isso bela, por isso, ao final, reconfortante.
Lembrei do texto de ontem, sobre o Amor. E de coisas que falei, com olhos molhados e brilhantes, ao meu filho, uma fala minha, para mim, feito bumerangue. Sinto um prazer infinito quando faço por alguém (piegas?), mais do que a mim, gestos ou pensamentos. Sinto um deleite enorme, feito um gozo que não me cabe no peito, quando envolvo com esse Amor infinito que tenho as pessoas ao meu redor, íntimas ou não. Como se tecesse uma rede de conforto e nela deitasse ao final da tarde, e nela desfrutasse de um sentimento fresco, suave, ares de montanha. E de um abraço intenso, imenso, envolvente, do que teço e me volta, em forma de uma paz intensa, contínua, inundante. E aí não dá para esquecer Ferreira Gullar , o poeta das metades, quando diz " e que a minha loucura seja perdoada...porque metade de mim é amor, e a outra metade...também".
Foto de um novo amigo, achado nas páginas da internet: Rubem Gandres, grande Rubem.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Sobre o Amor



Ah, o Amor... tão mal-dito, tão falado por falar. Aos menos desavisados, sai da boca feito palavra tola , sai seco, fraco, sem vida. Sai qualquer. Aos atentos, como eu, custa a sair, porque leva junto um pedaço do meu ser, um pedaço de minh'alma. Na palavra - ou sentimento - vai um pouco de mim. Ou muito, já que me é imensurável. Muitas vezes me sai pelo olhar e segue aos olhos do outro, se atento. Outras, bem raras, sai pela minha boca, pleno e satisfeito, feliz por ter sido corajoso, liberto. Porque, para amar, é preciso entrega, é preciso desinteresse maior, é preciso humildade e desapego de mim. Precisa ser pleno, total, seguro, certeiro, seja ele o Amor que for (são tantos...).
Fernando Pessoa já dizia que "amar é cansar-se de estar só...uma covardia...uma traição a nós próprios". E Khalil Gibran já nos ensinava que "quando o amor vos fizer sinal, segui-o; ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados. E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir".
Numa coisa, concordamos, todos: para amar, é preciso coragem...


quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Mulher menina

O que mais me fascina nest blog , muitas vezes mais que sua condição de terapia, são os comentários e/ou emails - sempre tão poéticos e gentis - que recebo. Ontem, mais um, vindo de uma pessoa muito especial para mim. Dizia que " suas simples palavras são de um alcance incrível. Despertam coisas fascinantes. Agora entendo o porquê da sua vontade terapêutica de escrever....essa coisa visceral...só você mesmo. Estou me sentindo como quando descobri o que era uma ópera....ou dança....e toda essa linguagem lúdica ".Fiquei entre lisonjeada e emocionada, vindo de alguém que despertou em mim, entre tantas outras coisas,
o amor pela boa leitura, pela poesia da vida e dos mestres.
O lúdico me atrai, porque desperta em mim meu lado menina (já escrevia aos 6 anos , pueris poesias). Faz-me leve, risonha (amo rir, bela terapia, sempre em boa companhia), feliz, dançarina da vida. E faz aguçar ainda mais meu lado mulher, sensualidade à flor da pele. Porque, o lúdico é , pelo menos para mim, a mais pura fantasia, matéria -prima de uma cabeça criativa como a minha.
Da gargalhada infantil, gutural, ao riso cheio de malícia, voo fácil.
Me encanto, por mim e pela vida!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Confissão


Ganhei um presente matinal, um presente em forma de mensagem, de uma pessoa que prezo muito, que me é apoio bem mais do que imagina... Incentivo puro às simples palavras! E mais, muito mais: um trecho de Pablo Neruda em Confesso que Vivi, falando, também ele, o grande poeta do amor, neste delírio, sexy e sensível, do convívio com as palavras. Dele, uns pequenos , mas intensos, pedaços : " são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as... Amo tanto as palavras... As inesperadas...
As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem...
Vocábulos amados... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho... Persigo algumas palavras... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas...
E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as...
Deixo-as como estalactites em meu poema"...
Absurdo dizer que chorei? Não. Estas palavras, sim, como ao poeta, me são paixão, me dão tesão.
Delas meu gozo , nestas páginas de amar...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Sou duas

Ontem fui questionada (de novo) sobre o que quero da vida, que caminho quero seguir, para onde quero ir. Claro que esta pergunta era de fundo estritamente profissional - não poderia ser outra a "preocupação" , vinda de quem veio. Ser pensante que sou, pensei na vida como um todo, o que quero dela, o que espero que ela me traga, se continuar seguindo os misteriosos caminhos de minha intuição. Lembrei até do tal e-mail ( polêmico...) que me pedia para ser mais centrada. E sou, centrada, mas em mim mesma, em meus sonhos.
Sonho, sim, sei disso, já falei isso aqui. Tenho sonhos, muitos, todos. São simples, deliciosamente simples, como já mostrei em tantos textos. Aos olhos dos mais precavidos (serão felizes?) sou uma eterna sonhadora, etérea, sem os pés no chão. Talvez seja uma casca, uma proteção. Ou não: talvez seja eu mesma, cabeça de vento, pés na água...e feliz! Mas, sinceramente, não me vejo fora da casinha, não me vejo solta ao vento, nem se deixando levar. Estou atenta , e aproveitando, o que a vida me dá ( e tem me dado muito!). E me vejo em extremos: suave e forte, tranquila e batalhadora. Não seria esse o equilibrio?
Sou duas, reconheço.
Da porta para fora, sou paixão, vou à luta, piso firme, vou em frente. Da porta para dentro, sou suave, feminina, estou inteira, me entrego total.
Não seria esse o ideal?
E ai me confortam, muito, as palavras de Saramago: "Sempre acabaremos chegando aonde nos esperam'.
Não sei onde, não sei com quem, mas minha alma me diz que é lá que devo chegar. E estou indo!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Simples palavras?


Ontem tirei o dia para repensar a vida (mais ainda?) - reconhecer minhas dúvidas, ansiedades e minhas infinitas culpas. E vi, senti, vejo, sinto, que este blog, que deveria apenas servir para me deliciar colocando para fora as tantas idéias que me vem, me serve de alívio, muitas vezes pura e simples terapia. Loucura?
E mais uma vez leio nas palavras tão bem escritas de Fernando (já virou amigo íntimo, ele...)..." Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas".
Assim sinto as palavras - mais as escritas que as faladas : um conforto, um oásis, um gozo, devaneio, verdade, eu mesma...Da palavra do outro, verdade ; da minha, cura. Sinto-me sensualmente atraída pela palavra, menos pessoa e mais palavra que o outro fala, pelo que me conforta ou me excita.Vem pelas minha entranhas, acessa direto ao meu ser, meu íntimo, meu sexo, meu ponto G, meu eu.
Entrego-me toda, inteira e completa.
Delírio?
Só neste estágio se entende o poeta...


domingo, 25 de janeiro de 2009

Feito Monet

Estive numa fase, pouco tempo atrás, que poderia chamar de "olhos mornos", como descreveu um amigo. Olhos sem luz, sem vida, sem brilho próprio. Estavam lá, meus olhares e minha vida, mas não estavam completos. Faltava neles, olhos e vida, um fogo interno, um calor, uma pulsação.
Faltava um porque, um para quem.
Dias passaram, olhos e vida ganharam nova luz, que veio de um achado interno, um tesouro escondido (re) descoberto, desencavado , (re) decifrado.
Voltaram ainda melhores, olhos e vida.
Renasci. Recomecei. Um primeiro passo de uma longa e nova caminhada.
Mas hoje vejo que os olhos , hoje mornos, não tem ainda brilho próprio. Voltam ao sabor da maré. Precisam de algo mais, de uma bateria extra, de um incentivo full time. Não tem ainda autonomia. Não tem luz própria suficiente. Não estão maduros. E digo mais: que os olhos mornos não são meus, mas de um personagem que tenho vivido, enquanto a vida não me dá de volta a Joyce completa que sou. Sou um quadro, como os de Monet, lindos, coloridos, que tem luz, brilho, cheiro. Se fazem de verdade, mas são quadros, não a realidade.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Bela colheita


Amei uma frase que recebi de um amigo, falando que "contigo o difícil sai logo, o impossível demora um pouco! ". Sinto - me assim mesmo, ultimamente: um poço de energia, de pura intuição, de calor radiante. Tenho corrido atrás das coisas que me encantam e, de alma aberta, elas tem vindo. Tenho corrido atrás de desejos fadados ao esquecimento em alguma gaveta antiga, e os acho lá, a espera do melhor momento de sair. Talvez não alcance todos , talvez não realize tudo e nem da forma perfeita, sonhada, mas tem vindo, e os tenho recebido de braços abertos.
Minha colheita, enfim, tem sido feita. Uma colheita caseira, íntima, só minha, e que tem vindo mais cheirosa e deliciosa que nunca. E tem perfumado todo o meu ser, por dentro e por fora.
E , espero, a quem anda ao meu redor...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Fogo

Em todas as relações que tenho na vida, sejam elas sentimentais, amorosas, familiares, profissionais, não consigo ser pouco, não consigo ser pela metade. Quando estou sendo, é porque aquela relação já não me traz mais calor, já não me anima a correr atrás ou mesmo manter. Enfim: já não me dá mais tesão. Preciso disso, desse fogo interno, para ter ânimo para deixar a chama acessa.
Para aquelas que pretendo alimentar, fogo de palha não me serve. Pode ser bom, pode ter serventia para alguém ou alguma coisa, mas não me serve. Não me satisfaz. Não sei ser, não me aqueço com ele, não sei alimentá-lo - e nem pretendo - , quando se trata de relações que quero manter vivas para o resto de minha vida. Gosto, sim, e alimento com paixão, meus fogos com lenha bem seca, onde posso cultivá-los de forma constante, intensa, interessada diria. Eles, sim, aquecem-me por inteiro, alimentam da mais pura energia minha vida, meu coração, meu corpo e minh'alma. Estes sim serão lembrados, pelo calor e pelo cheiro delicioso que deixam ou deixaram em minha vida. E inesquecíveis, como gosto de ser, sempre.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Todos os sonhos do mundo

Já dizia Pessoa: "Tenho em mim todos os sonhos do mundo".
E eu os tenho mesmo. É inacreditável a quantidade de sonhos que tenho, dos mais simples aos mais criativos, e a capacidade de transformá-los e entendê-los. Isso me faz uma pessoa mais completa... mas muitas vezes sem os pés no chão. Isso não me incomoda - muitas vezes aos outros, que não entendem minha maneira de ser tão generosa comigo mesma e com a vida. Vejo ai uma infinita possibilidade de ser feliz, de saber ser feliz até nas horas impróprias - se é que existem. Em dias onde só se fala em crise, lembro da dupla crise=oportunidade e, talvez de forma infantil aos olhos do mundo, resgato em mim o meu melhor. E o dou, total, sem medo, em forma de palavras, de sorriso, de idéias, de conforto, de afago. Nem sempre dá certo, nem sempre dá resultado. Muitas vezes maliciam, tantas vezes não compreendem. Mas estou ali, inteira e disponível, para quem quiser e merecer.
Como disse uma pessoa muito especial para mim "por princípio, meio e fim".
Simples assim.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Sobre os amores


Por nossa vida passam muitas pessoas, muitas que guardamos com carinho na gaveta d'alma. São especiais e ficam lá, guardadas e bem tratadas, muitas vezes até o fim de nossas vidas. Volta e meia vamos lá, retiramos as recordações com cuidado, tratamos com carinho, relembramos os bons momentos e as colocamos de volta, para retirá-las de lá feito oásis em tempos de seca.
Ah, e nossos amores ...estes sim, tem sabor especial. Podem ficar guardados anos a fio , quietos, inertes, mas sabemos que estão lá. E num momento de sorte ou de destino, nos voltam, de mansinho ou de rompante. Mas são, sempre, confortáveis, deliciosamente confortáveis. Nos trazem o brilho de dantes, seus gostos e cheiros, sabores e calores. É como se rejuvenescêssemos, como se o tempo voltasse atrás. As "velhas" sensações nos correm pelas veias feito sangue novo, limpo, lépido. Percorrem nosso corpo e nos trazem calafrios , sim, mas sem o medo do novo. Amores antigos, quando voltam, resgatam em mim o que tenho de melhor e, melhorada, me entrego a eles, de corpo e/ou de alma. E meu lado poeta fica mais feliz..

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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Puro deleite

Ontem passei o dia todo me "saciando" com a grande polêmica levantada pelo meu post Clareando as idéias. Nele, falei de uns toques que recebi de um grande amigo - que foram ótimos - e , ou mas, que levantaram exclamações de todos os tipos, tanto ou até mais inspiradoras que o próprio texto, que o próprio assunto. Isso tudo, essa manifestação de pura energia, deixou-me inspirada e tranquila, satisfeita mesmo, num dia que parecia fadado a grandes introspecções, a grandes questionamentos. Desfrutei - e ainda desfruto - de um prazer ímpar do poder das palavras, do jogo delas, de como podem, simples jogos de letras, nos pesar ou colocar para cima.
Simples palavras. E me pego pensando que , sim, está certísimo o nome que dei a esse blog. Porque só as palavras - e quem me dera acompanhadas de um intenso olhar - tem esse poder. E que poder!
Sou mesmo, insaciável quanto a isso, e mais uma vez me refiro ao poeta Pessoa:
"Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. .... Estremeço se dizem bem".

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Clareando as idéias


Levei uma "chamada" de um sábio amigo - que foi de incontestável importância sobre o meu jeito de ser e de ver a vida. Frisou que "é preciso e necessário formatar o pensamento e a fala" , e que "o cérebro desconhece a palavra não". Li e reli seu e-mail tão contundente que me gelou , cérebro e coração, e me fez parar para pensar ainda mais sobre a minha vida e sobre as coisas. Quanta energia desperdiçada em coisas que não valem a pena, em pensamentos que não levam a nada, em tratamento de feridas que já deviam estar cicatrizadas ! Se ficamos no passado, no que não deu certo, não vemos com clareza o presente e muito menos o futuro. E se não vemos o futuro, se não nos preparamos para ele, não vamos a lugar nenhum!
Então recebi na mesma hora um e-mail com essa imagem - linda! - da instalação da artista plástica Laura Vinci (veja no Blog da Revestir) na Capela do Morumbi. Quanta transparência, quanta claridade, soma de luz , movimento e som. Quanta harmonia em um jogos de peças tão iguais, e ao mesmo tempo unas. Para mim, representou transparência no que quero, claridade nas idéias, harmonia comigo e com a vida.
Vou levar outra chamada por ter usado tanto a palavra "não", mas é o vício do passado, ainda pesado nas minhas costas...
Valeu, meu lindo!

domingo, 18 de janeiro de 2009

Entrega

A união de 2 ideogramas japoneses - wei + ji - expressa a idéia de que os momentos de crise contêm sementes de oportunidades. Wei, significa "arriscar"; Ji, "chance, ocasião". Ou seja, no risco, a ocasião. Meu risco está ( e sempre foi ) no simples fato de querer ser eu mesma, esse ser inteiro, livre, que gosta de sentir e viver a vida plenamente. Talvez por isso, um ser estranho por vezes. Não consigo me acomodar a regras, não sei viver em amarras, não sei ser cinza só porque está na moda, não sei calar só porque é assim que se faz. Não sei ser o que "tenho" que ser, o que querem que eu seja. Acho pouco, muito pouco, dentro da grandeza de meu ser, de meu mundo interior. Pobre, muito pobre, perto da grandeza de minh'alma, que se entrega, inteira,
ao grande prazer que é viver plenamente a vida.
E ai, faço das palavras dele, Fernando Pessoa, as minhas: "Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente".
Entrega, essa sim uma grande palavra!


sábado, 17 de janeiro de 2009

Tempo de espera II

A semana foi puxada, e não consegui ainda fechar o caixa. Tanta coisa junta, tantos altos e baixos, e me pego em pleno sábado achando que não foi o suficiente, que não o foi merecido, que fiquei me devendo. Não que seja uma pessoa que quer muito da vida, mas queria ela inteira.
Queria colher bem a minha safra. Pelo menos a minha. Mas ela anda me chegando aos poucos, como um conta gotas, quando eu esperava uma chuveirada. Na verdade, muitas vezes espero um banho de chuva , daqueles bem prazeirosos, que lava até a alma. Chuva pequena incomoda, fica naquele molha-não-molha...
Frustrações a parte, tenho visto que tenho uma ligação direta com meus pensamentos quando se trata de conseguir as coisas para os outros. Mas , para mim, para conseguir as coisas que quero, a conexão está ainda falha. Então o melhor a fazer é "ir levando", relembrar meus Ps*, pegar as poucas lavandas que tenho colhido e colocar num vaso. Pelo menos para me lembrar que eu estou ali, viva, atenta, tentando.
É, meu amigo, um dia após o outro....que assim seja!
* Paciência, Pensamento positivo, Perseverança, Prosperidade, Prazer...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Boa safra

Sempre escutei isso, desde criança: "hora de plantar, hora de colher". É mais umas das coisas que a gente aprende e não esquece mais. Mais uma das coisas que se odeia quando pequeno, mas que entra em uma de nossas gavetas das emoções e fica lá, aguardando pacientemente, esperando , sem pressa, a melhor hora de sair e nos mostrar que estavam certos.
Tenho plantado muito, dentro de mim e pelo mundo afora. Tenho plantado em muitos campos, as mais variadas culturas, as mais variadas sementes. Muitas vezes foi mais fácil. Em outras, nem tanto: arei a terra , muitas vezes árida, com as próprias mãos.
Algumas vezes reguei com lágrimas. Perdi safras inteiras tentando entender o porque das coisas.
E aqui estou eu, de novo, otimista, firme, e colhendo mais uma boa safra. Safra de lavanda, cheirosa e colorida. O trabalho ainda está pela metade ( colher, separar, armazenar, comercializar, entregar, receber...), mas a satisfação já está garantida, só em ver minha terra , ali, linda, e recheada de prazeres.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Dentro de mim

Ultimamente tenho a nítida impressão de ter em mim duas pessoas. Como se despertasse dentro de mim, minha alma, e ela tivesse vida própria, independente. Uma , mortal, corre atrás do que tem que ser feito, cumpre as tarefas da vida mundana de um modo previsível, por vezes - muitas vezes - enfadonho. Mas até disso tira proveito para ser feliz. Outra, volátil, se arrasta deliciosamente devagar, respira o prana da vida de forma suave, anda com os pés na areia morna da praia, e deixa , sem medo, seus pensamentos viajarem além mar. Somos duas, por hora conflitantes, mas cada vez mais próximas e amigas. Espero o dia que andem de mãos dadas, que conversem sobre a vida, que se sintam felizes juntas. Espero, sem ansiedade, que sejam uma só dentro de mim. E, principalmente, que escrevam juntas.
Para elas, o sossego. Para mim, o paraíso.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Depois do temporal

Ontem, um temporal daqueles - efeito de mais um dos ciclones extras tropicais que ainda assustam o litoral sul do país, ainda não costumado com tais respostas da natureza. Gostei de ver porque me senti protegida , admirando de longe a sempre bela fúria da natureza. Mar, areia e árvores dançando ao bem prazer do vento. Uma dança , diria, desconectada, visceral, meio a la Débora Cocker.
Hoje, como já dizia o ditado, amanheceu um dia lindo, luminoso, de um colorido todo especial, muito brilhante. Como se a chuva tivesse servido de faxina , de olhos e de alma. E o mar, calmo, tranquilo, quente, convidativo aos pés e ao olhar.
Mar infinito, mar de olhar, mar de meditar.
Não tem como não fazer um belo paralelo com a vida, essa , uma sequência , nunca lógica, de altos e baixos, de negativo e positivo, de choro e riso. Está ai a natureza para ensinar. Paciência e pensamento positivo, que um novo dia virá.
Ou, como sempre diz um querido amigo meu: um dia após o outro...E como funciona...
(Foto: Praia de Garopaba. Joyce Diehl)

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Não sou só eu...

Ainda em Florianópolis, recebo um e-mail de meu amigo antenadíssimo Sérgio Lima e Silva. A minha querida ilha ganhou reportagem especial na edição de ontem do jornal americano The New York Times. Pela equipe do caderno de viagem da publicação, Floripa foi eleita o principal destino de festa do ano. A Capital catarinense ainda apareceu como o 24º local para se visitar na matéria intitulada "Os 44 lugares para ir em 2009". E tem mais: foi a única cidade da América do Sul a aparecer na lista. Nas primeiras colocações, figuram Beirute, no Líbano, e Washington e Chicago, nos Estados Unidos. Na categoria "destino de festa", estão, além de Florianópolis, a capital da Alemanha, Berlim, e Monterrey, no México. Considerada pelo jornalista a nova Punta del Este, Florianópolis é descrita como a cidade com 40 praias de areias brancas, com bares estilosos e boates espalhadas por toda a Ilha. "
Mas vou mais além. Vou ser saudosista. Imaginem se não tivessem feito o aterro . Imaginem que o mar batesse ainda na beira do Mercado Público. Sonho? Utopia? Pode até ser. Mas ninguém há de negar que era, sim, poesia pura, em verso e mar, em som de ondas e conversa de pescador. Um passeio descompromissado pelas ruas do bairro José Mendes - aquela estradinha antiga de acesso ao Saco dos Limões antes dos túneis do progresso - vai dar uma pequena mostra do que poderia ser....

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

De novo os meus Ps...

Florianópolis é, sempre, muito inspiradora.
Estou por aqui , novamente, e mesmo à negócios, a cidade parece leve. Uma capital com ares de interior, sei lá. Não assusta, muito pelo contrário.
E me pego, pensando na força do pensamento (eta, frasezinha mal construída!). E relembro meus Ps do ano: paciência, pensamento positivo, perseverança, prosperidade.....Já visualizei e corri atrás de tudo isso por aqui. Em um dia, pretendo mover um ano, acertar as coisa e seguir em frente. E o prazer, meu último P da lista....descobri que saber que as coisas estão funcionando a seu favor, que o vento ta soprando legal na vela...ah...isso também da prazer! Dá idéia de que a viagem vai ser boa, que veremos novas paisagens, e que existem mil praias novas a se conhecer.
Relembro aquela frase - nem sei se está correta_ que " a felicidade está em momentos de descuido"....
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Tempos modernos

"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens". Pelo que sei, esta frase é do grande poeta Fernando Pessoa.
Invejo. Acho corajoso da parte dele, até petulante, vaidoso. Eu, ao passo, não sei da dimensão de meus pensamentos - que me parecem tão pequenos, tão distraídos muitas vezes. Nem sei até onde o que eu penso, ou faço, faz alguma diferença para alguém. Sei, sim, da diferença que fazem para mim. E de como me sinto gratificada ao colocá-los para fora - não no papel, mas na tela. Meus pensamentos, tantos e infinitos, não cabem na minha cabeça. Fogem à primeira distração. E pousam, aqui, pela dança louca dos meus dedos nas teclas. Descubro, enfim, que as palavras modernas tem som...

Tempo de espera

Essa foto tirei em Garopaba, um dos tantos paraísos do litoral catarinense, em dia de ressaca. Praia de mar aberto, forte, viril. Fiquei contemplando os barcos retirados da água, à espera do momento certo de voltar ao mar, de fazer seu papel, como meio e companheiro.
Hoje me sinto assim, melhor que ontem, mas ainda em dias de ressaca. Saudade infinita que nem me cabe mais no peito. Saudade do que ele , o meu mar, me traz de bom e de ruim, dos dias de boa pesca ou de mãos vazias. Mas é bom saber que ele está lá, ao meu olhar ou meu contentamento.
Somos um par.
Eu, na espera de desfrutar.
Ele no vem e vai, fazendo seu papel.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Carvão ou jóia?

Hoje não estou num bom dia. Ou pelo menos não deveria. Não é fácil aceitar que outra pessoa, que não eu mesma, possa tentar definir trilhos para a minha viagem. Definir os destinos, as estações, as paradas, quanto tempo e onde. Até porque, se me conhecesse bem, saberia que minha estrada é de chão , feita de lama e buracos, de paradas inusitadas, de surpresas a cada curva. Saberia que sou off - road.
Já sabiamente disse o romântico incorrigível (graças a Deus!) Fernando Pessoa: "...vou lendo como páginas, meu ser. O que segue não prevendo, o que passou a esquecer".
Então, me pego de novo usando essa imagem. É carvão, transformado em linda jóia. Isso que sou, isso que quero ser: pedra bruta que, se bem lapidada, acha seu real valor.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Efeito docinho

A cada dia mais chego a conclusão que felicidade vem, sim, em pequenas doses, feito um doce em dia de dieta! Pode ser um telefonema, uma conversa perdida no meio da rua, um recadinho pelo msn, o re-encontro com um grande amigo - ou com um grande amor. Feito dose homeopática, nos mantém vivos, felizes, nutridos de um amor maior, de um sentimento de estarmos vivos. Pode alegrar por um momento, umas horas, dias, meses. Não importa. O que importa é estarem lá, de sobreaviso cada vez que nos sentirmos para baixo, menores. E nos sermos "servidos" logo que a situação pedir, que nos olhos começarem a perder o brilho. E estão, sempre. Basta estarmos abertos, atentos. Eu estou...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Risoterapia


Hoje vou escrever mais porque estou necessitada.
Talvez eu chame de "palavraterapia". Uma forma, digamos, fácil e criativa, de colocar coisas para fora, de exorcizar pensamentos ruins que não levam a nada. ..
Para meus amigos, tão poucos, eu sempre falo em terapias novas como "filhoterapia", "amigoterapia", "guloterapia" (ah, ta, você nunca se tratou com um pote de sorvete , sei...) , e muitas outras do gênero. Mas acho que estava mesmo precisando da melhor de todas: risoterapia. E essa tem que ter a companhia certa - seja ela um filme, um livro (ri muito lendo Comer, Rezar, Amar...), um filho, um amigo ou um amor (quem dera os dois juntos...) . Uma gargalhada solta - ou melhor, várias - infantil, sem controle.
E começar assim, sem aviso. E terminar com todo mundo muito satisfeito, muito relaxado, mas com aquele jeitinho de quero mais. E basta um olhar, ou até relembrar o momento, e lá vem ela de novo, gratuita, generosa! Deliciosamente generosa!
Hum, isso me faz lembrar que tem outras "terapias" tão boas, mais, digamos, apimentadas, dessas que fazem a gente se sentir mais completa, mais bonita , mesmo que seja só por uns instantes...mas essa fica para a próxima!

Novo Ano

Essa é uma foto que tirei em um hotel fazenda em Florianópolis já faz um tempo. Chamava essa foto de "meu paraíso na terra", pois adorava sentar nesse pier, sentir o sol do final da tarde enquanto pensava na vida. Ali, parada, escutando os pássaros e o som das águas mansas.
Hoje, meu primeiro dia ativo do ano que escolhi para ser muito especial, vejo que mudei. Meu novo retrato de paraíso é bem diferente desse. Não tem todo esse silêncio, nem o som dos pássaros e das águas. Meu novo paraíso tem luz, tem gosto, tem calor. Meu novo paraíso não é um lugar. Está dentro de mim quando faço coisas que gosto, fico com quem amo, troco olhares e risos, faço promessas - nem que seja a mim mesma - e me declaro, enfim, feliz. Meu paraíso está dentro de mim mesma, quando me permito ser feliz, quando me permito ser eu mesma. Meu paraíso sou eu. E desfrutre dele quem quiser...e se quiser!
Enfim, um NOVO ANO. Que assim seja!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Mar de ressaca

Três dias de chuva intensa ( e nova calamidade em minha bella e Santa Catarina...) e o sol reapareceu! Lindo, luminoso, de uma beleza ímpar!
Mais belo que ele , só o mar... mar de ressaca...aprendi com minha mãe - pintora, escritora e poeta - a gostar de vento forte, temporais e dos lindos dias de mar de ressaca. Os menos poetas se irritam. Os mais, amam. Mar de ressaca pede paciência, tempo de espera. Pede observação, pede atenção. Nos mostra de forma extremamente bela que a lei da natureza está, sim, acima de tudo. E desse seu jeito, que quase nunca compreendemos.
E que belo exemplo para nós - e para a vida - nos dão os pescadores. Ficam ali, poeticamente a esperar a sua vez de agir. Têm o olhar distante, tem a mente distante (penso que sim...) como se se preparassem para um novo mar, um novo dia, uma nova oportunidade. Pacientemente...sabiamente...vêem no mar um amigo, um parceiro, que, aos olhos menos atentos, não está num bom dia. Então, só resta esperar...
Com sempre diz um querido amigo : um dia de cada vez! Hoje é dia do mar, amanhã , quem sabe, do pescador. Poderão, assim, desfrutar dessa amizade infinita, dessa parceria sólida, que só eles tem. E baseada no respeito. Simples, mas só para os mais poetas...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

De onde vem minhas pérolas


Tem "vicios" que são bons , aproveitáveis, saudáveis, imprescindíveis....( mas isso é matéria para outro texto...) . Dois dias sem internet e vi o quanto necessito escrever!
Estou lendo (tentando...) uma coletânea de pequenos textos do Rubens Alves que se chama Ostra Feliz Não Faz Pérolas. Além dos textos, poucos aproveitáveis (quanta pretensão a minha, mas...), não gosto do título. Não concordo, na verdade. Não por ser o titulo, mas pelo que descreve. Essa estória de que a pérola seria uma defesa da ostra a gente já sabe e tem que concordar. Mas ele faz uma comparação com a vida. Alega que só o sofrimento traz bons resultados em termos de criatividade - seja escrita, falada, pintada, etc. Não posso concordar ( e ai fica até chato, uma novata discutindo com um mestre!), pois saem de mim as melhores coisas porque , e exatamente porque - estou feliz, de bem com a vida, esperançosa de um mundo novo que está aí para ser vivido, todo meu. Tenho até uma teoria de que exatamente por querer ver o que há lá fora, tentando se abrir para um mundo novo é que a pérola vem. Simples assim. Não como uma defesa, não como dor, não como proteção. Minhas "pérolas "- se é que posso dizer isso- , vem em resposta a uma felicidade sem fim. São uma resposta ao meu bem querer pela vida, pelas pessoas, uma resposta ao amor que me invade cada vez mais. Um amor que reaprendi a conhecer, um amor pela vida!
Anos de boca fechada me fazem refletir assim. A clausura nos cala, nos deixa de lado, nos põe para baixo. Não faz pérolas. Só nos machuca. E isso eu não quero mais pra mim!