sábado, 28 de fevereiro de 2009

Olhos d'Alma

Essas são flores de areia enviadas pelo meu amigo marroquinho. Deixaram-me mais interessadas do que belo bouquet de rosas vermelhas...E hoje, pensando sobre o que ia escrever, veio esta imagem de algo tão simples, ao mesmo tempo que tão belo, tão significativo. E lembrei que via, ainda bem pequena (nos tempos que os cabelos cacheados voavam ao vento...), flores e tantas outras coisas na areia dura da praia.
Olhares de criança são assim, leves, puros, simples. Veem beleza em todo lugar.
Isso me remete agora a essa questão do olhar. Ver as coisas por um outro ângulo, por mais feias que pareçam. Ver com Olhos de Amor, ver com Olhos de Vida ( assim mesmo, em letra maiúscula e sem asteriscos, pois faço das palavras que amo coisas existíveis...). Ver além do que ali está. Ver os porquês, entendê-los, recebê-los, abraçá-los. Ver o que há por trás dos medos e dos afetos.
Ver com olhos d'Alma.
Isso, como vi ontem em uma conversa que me fez - como sempre - ver a luz - faz toda a diferença. Acostumei-me a receber em minha casa interna as tristezas e angústias com tapete vermelho. Inclinar-me à elas. Ser servente à elas. Não me servem, não me cabem, me entristecem e fazem de minha vida uma eterna montanha russa. E mesmo assim as acolho. Talvez seja a genética, talvez os exemplos, talvez pena de mim mesma, não sei. Mas vi ontem como faz diferença quando o tapete vermelho recebe o que tenho de melhor.
E mais: receber as coisas de forma simples, em casa aberta e limpa, onde o sol chega e aquece almas e corações. Receber a Vida de braços ternos e calorosos, mais ainda quando chega triste, cabisbaixa. Receber como Mãe, como Mulher, como a Criança que existe ainda dentro de mim.
E fazer dela, da Vida e de mim, plenas e felizes.
É um bom exercício que, juro, vou treinar. Talvez meus músculos tesos do coração encharcado de Amor sintam-se bem e batam de forma melhor e corriqueira. E me façam seguir amando, sempre.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Sorte

Tem dias que se acorda pensando - sentindo - estar sozinha no mundo. Uma carência infinita, latejante até, invade corpo e alma, e entristece, muito, mesmo sem motivos. Como uma saudade mal curada, saudade sem saída. Então vem de novo minha nova palavra , Amigoterapia, e vejo que as coisas podem melhorar, se temos amigos. Amigos à distância, amigos virtuais, amigos de toda hora, amigos além mar, amigos de olhar, não importa. Atentos, sentem a vibração e emanam uma energia para lá de contagiante.
E eu retribuo com meu sorriso interno.
Tenho muitos amigos, de todas as espécies. Cabem todos dentro do meu vasto coração. Uns me chamam de fada, outros de bruxa. Uns me fazem rir, sempre. Outros, me fazem pensar. Alguns me intrigam, outros me enamoro ( ah, as palavras, sempre elas a me ludibriar...). Muitos são poetas, e devem me seguir pelo faro das palavras. Outros me cuidam, tomam conta para que não me abafe a vida.
Sim, são muitos. Sinto-me lisonjeada por tamanha sorte.
E, pensando bem , o que dou em troca, além de uma energia desprovida de interesses? Penso, reflito, e lembro que até já me disseram isso - um desses amigos com cadeira cativa dentro de mim: dou o meu melhor. Seja ele qual for. E ai, me chegam as palavras de um novo amigo, recém aportado no pier de minha vida, destes que amamos os olhos, mas nem sabemos ao certo o nome: "Sou eu, simplesmente...Desprovido de especialidades, de maiores virtudes ou qualidades. Nesse mundo dos loucos,no entanto, sou único! Como tantos outros..."

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Amigoterapia

Revisando o feriadão "imposto" pelo Carnaval, faço um balanço do bem e do mal. E tiro dele belas conclusões. Uma delas, talvez a mais importante, é que não importa onde você está, e sim com quem. Por vezes estar sozinha comigo mesma me faz bem, me é necessário. Mas outras vezes, tantas, estar entre amigos - e ai inventaria mais uma palavra para meu já vasto vocabulário "joycês" - pode ser uma maravilhosa Amigoterapia. Terapia barata, simples, fácil a quem se abre a ela, verdadeira, de bem falar, de bem escutar, de bem rir, de bem valorizar. E assim foi, uma passada não totalmente postada por somente fatos alegres - já que assim não seria vida e sim sonho - mas de balanço final positivo. E não aquele bem estar pautado na alegria forçada, bebida ou comida, e sim na boa e velha conversa, no bom e velho entendimento, no caminhar ao lado, na troca de emoções e de gargalhadas ao simples olhar. E nisso, que me perdoem os machos que só se divertem com coisas mundanas , mulheres são mestras. Grandes mulheres, ou homens, raros, que tem em si muito da alma feminina. Minha homenagem à elas/eles, raras criaturas, que se abrem a este mundo paralelo. E ai, dou mão à palmatória e me rendo à verdade contida no trecho correto de Guimarães Rosa:
"A felicidade está em momentos de descuido...".

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Meu Lar

Hoje me despeço mais uma vez da Villa Nossa Senhora do Desterro, hoje conhecida como Florianópolis, a Ilha da Magia. Sei que voltarei em breve, mas a sensação que me fica, mais uma vez, é a de sair da própria casa, do próprio lar. Reconheço esse mar de muitas vidas, este sol que me aquece até a alma. Vejo nesse infinito de beleza muito mais do que meus olhos desta vida alcançam. Tenho a mais nítida e louca certeza de ter vivido aqui muitas vidas, ou pelo menos as que valeram à pena. Não sei os quandos nem os porquês, mas que importa? Sinto no ar um cheiro de outrora, que me aquece por dentro e me deixa feliz. Sinto no vento uma voz de "bem vinda ao lar" que me recebe com abraço de mãe já lá no continente. Meu coração aqui bate num compasso diferente, entre energia pura e sossego. Aqui foi e é minha casa, meu Lar. Aqui sou eu, ninguém mais. Aqui espero a minha Vida, desta e de tantas. Aqui, meu Porto. E neste Porto, aporto e quero ficar, olhar bem nos olhos do mar e dizer, um dia, enfim : voltei, para ficar!

Sobre os frutos

Entre infinitas coisas a me deliciar nesta vida, aprendi com meu Amor Maior a valorizar meus Frutos. Longe de se tratar apenas de uma relação simples - se é que são - de mãe e filho, vejo hoje meus Frutos, todos, com outros olhos, amplos e plenos. Aprendi com meu Amor Maior a desfrutar - dai o nome? - bem deles, todos, desta e de outras vidas, desta e de outras relações, deste e de outros amores. E de desfrutar de sua companhia intensamente, mesmo que pouca, mesmo que de longe, mesmo que intocável aos olhos mortais. Nos seus abraços, meu conforto. Nos seus beijos, minha energia. Na sua pele, meu calor. Nas suas palavras, minha poesia. Na gargalhada plena, minha satisfação. Gostar do seu cheiro e do gosto de sal de sua pele. Ver nos seus olhos meu próprio reflexo, minha própria luz. Ver neles um pouco de minha Vida. Ou muito. São eles, todos meus, frutos belos de belos amores. E eles mesmos meus amores. Desfrutar de tantos Lucas, Henriques, Lauras e Cristinas é, sim, mais um dos tantos paraísos na terra.
E me dou ao luxo , como Mãe, de brincar com as palavras do grande mestre Guimarães Rosa e dizer que a felicidade está em momentos de atenção... e não de descuido.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Meu paraíso


Ontem reconheci um dos meus tantos "Paraíso na Terra", um lugar onde sonho morar e ter ali o meu encontro com a minha Vida, plena e inteira, enfim, depois de tanta procura, de tantas vidas mal vividas. Lá, neste , que aprendi a amar desde ontem ( paixão à primeira vista, sim, acredito...), só se chega de barco ou por um trilha romanticamente traçada rente à água. Imaginei ali meu contato direto com a inspiração, que entraria pela janela todos os dias, pelo som da vida e pelo imagem sincera de Deus. Imaginei ali meu contato direto com a Vida que sonho depois de tantos anos de encontros e desencontros comigo mesma, com os tantos eus que convivem dentro de mim.
Não é sonho, nem delírio. É fato. Preciso de "pouco" (claro, todo paraíso tem seu preço...) para ser eternamente feliz. Já disse isso em outros textos que fiz. Basta -me o sossego de um Amor ao meu lado a me incentivar e me respeitar como eu sou. Um Amor que me entenda pelo olhar, e veja no meu silêncio todas as respostas que procura. Um Amor que me complete ou , mais que isso, que seja uno comigo, que esteja dentro de mim. Um Amor sábio, intenso, e de poucas palavras.
De resto, pouco me interessa, a não ser uma saúde resguardada, que viria da resposta desse convívio com o belo. No meu paraíso, pouca comida e muita água, pouca roupa e um conforto simples, fácil de alcançar. No meu paraíso na terra, muito de céu, muito de água, muito de verde e de cor, muito de amor.
Nele, eu e minha Vida, num encontro diário com nós mesmos, que somos um só, nessa solidão chamada Amor.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Fome de que?


Madrugo com gosto de ontem, um ontem cheio de exageros de todas as espécies. E, com todo o peso desse ontem - que por isso não se chama presente -, repenso minhas fomes. Reconheço-as, ou tento, até para apagar esse fogo interno que está me matando. Reconheço-as, sei de onde vem, mas não as controlo. São feitos feras encontradas dentro da mata que há dentro de mim. As alimento para não me devorarem. São tantas as minhas fomes que não sei como apartá-las, separá-las de mim, nem como dissolvê-las, eliminá-las. Mas vejo que , na verdade, são, todas, juntas, uma fome só: fome de Vida.
Tenho fome de Vida bem vivida, de Vida inteira, de Vida plena, de Vida que me complete. Nela, poucas coisas necessárias. Nela, pura sobrevivência. Nela, cabe um Amor só, também inteiro e completo, que me dá alento e coragem. Um Amor Maior, fruto de muitas vidas, de muitas fomes anteriores enraizadas em mim. Ali, as reconheço, minhas fomes, todas. Mato-as, todas. Nela, na minha Vida, nada me sobra ou falta. Nela, não faltam ingredientes, nem temperos: tenho-os todos, ao alcance das mãos.
Reconheço, enfim: nela não me encaixo e sim, me entrego, porque somos um só, um prato cheio da mais pura energia. Energia do Amor.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Caminho


Já falei muito aqui sobre caminhos a se seguir. E vejo isso como uma constante em minha vida. A cada momento, uma decisão a ser tomada. Duro é saber que nem sempre - a meu ingênuo ver, quase nunca - somos donos de nosso próprio destino. Falam que é assim, mas não vejo, não sinto assim. São pais traçando nossos caminhos, dinheiro abrindo ou fechando portas, amores que se vão sem aviso. E onde fica o tal livre arbítrio nestas horas? Cadê minha participação nisso tudo? Até onde somos donos de nossa vida de forma real? Como saber se uma atitude vista como banal hoje não vai nos devorar logo ali na frente? Alguns ficam a matutar, direcionar, calcular de forma matemática cada passo. Eu, certa ou não, me deixo levar, seja pela intuição (cada vez mais aguçada), seja pela paixão, essa me movendo a cada respiro, meu combustível natural. Impetuosamente apaixonada pela vida, sigo-a, simples assim, gulosamente. Devoro-a com a fome de uma criança. Não tenho o dom de esperar, organizar, de usar de estratégias, nem o dom dos artifícios. Carrego em mim alegrias e frustrações , erros e acertos, e sempre como resultado de um mergulho - certo ou suicida - no que acho que seja o meu melhor, no que acho que me seja melhor. E sigo, como já me disseram, conforme o vento. Se ele vai me levar a bons lugares ou ao destempero, não sei. Que me proteja meu anjo da guarda e me mostre o caminho meu bom mestre, porque assim sou.
Dou o meu melhor, sempre. O que espero que a vida me dê em troca...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Escolha

Hoje despertei antes mesmo dos passarinhos, eternos madrugueiros. Precisava do silêncio, meu eterno ouvidor, de desfrutar de sua companhia. No silêncio, minhas, muitas, respostas. Nele, também, minhas eternas perguntas. Nele, muito de meu abrigo e muito de meu desassossego. Pega-me pela mão e passeia comigo pelos caminhos que escolho, inerte, companheiro, sem palpitar. Conversamos longamente, sem qualquer palavra, sem qualquer som, antes mesmo do despertar fervoroso das teclas. Falamos de escolhas, de caminhos percorridos, de onde me levam meus sonhos e devaneios. De onde me leva a vida , essa, que escolhi. Questiono as ladeiras que peguei, íngremes e por vezes pesadas. E ele me lembra dos campos de flores frescas onde me deliciei. E nelas, nas tantas flores, me faz ver meu bom valor. Meu valor de menina livre, nunca esquecidos embora por vezes abandonados. Meu valor de mulher, procurado entre lençóis e beijos, encontrado tão somente em longos abraços e infinitos olhares.
Sinto nas mãos o frescor da manhã, que me hidrata as idéias. Sinto no rosto o beijo da brisa que me afaga e me conforta. Tenho o olhar fixo no caminho infinito de minha vida e a cabeça cheia de pensamentos que se revezam para não me deixar só. Fiz minhas escolhas, escolhi meus caminhos, meus atalhos, fiz descobertas, encontrei amor e dor. Mas fiz, fui, vim, cheguei, chego a cada fresca manhã. E digo à vida , que sonho a minha frente: Aguarda-me! Porque se eu não te achar neste caminho, por outro virei, mesmo que seja apenas com meu silêncio.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Descoberta

Recebi essa imagem de um amigo virtual logo cedo (tenho tido a sorte de atrair grandes poetas?). Chamou a atenção não só as palavras e sentimentos ali contidos, mas também a quebra , esperando por ser consertada, pelo mesmo amor citado. Meu olhar - hoje muito mais atento que ontem pelo reencontro com o
"meu" Amor Maior, meu prumo, meu fio condutor -
primeiro consertou a peça com um olhar carinhoso, para depois incorporá-la ao meu ser.
Hoje vejo o Amor com outros olhos, mais límpidos e mais claros, infinitos. Saído do plano material, terreno , encontro em mim um sentimento tão grande que não me cabe. E por não caber-me, explode e se espalha. E me vejo mais feliz, mais completa, mais satisfeita, mais plena. Maior. Poderia até usar da expressão"mais humana", mas sinto que não cabe, não combina, não expressa. Porque o Amor que sinto hoje, mais do que ontem, não cabe neste mundo, nesta esfera. O Amor que sinto hoje extrapola esse mundo e invade tantos outros, mundos e vidas, que perde a sua dimensão, torna-se imensurável, não comedido. O Amor que sinto hoje já não me pertence mais. E, envaidecida, compreendo e aceito o como o "meu poeta português" me descreve: " Luz de amor, porque o amor, indefinível por natureza, encontrou em ti um templo supremo,
uma fonte eterna."

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Inteira


Hoje, enfim, incorporo por todo meu ser as palavras de Ferreira Gullar, quando fala sabiamente sobre o Amor. São tantas as minhas verdades contidas no poema Metade...mas chamaria de Inteira, porque reassumo, hoje, que sou toda Amor. Sou um Amor não contido, não cabível em mim. Sou um Amor que extravasa, que se expande, que toma conta de meu eu, de mim inteira, das muitas Joyces só por ele reconhecidas e igualmente amadas; desta vida e de outras tantas vidas, já bem vividas ou a viver. . .
E não me cabem saudades ou tristezas, não me cabem adeus e partidas, porque está em mim. Não me cabem dúvidas nem anseios, porque me conforta. Não me cabem esperas angustiantes porque somos um só.
E eu diria "que o Amor que amo seja para sempre amado, infinitamente amado, como sempre o foi e será.
Porque um pedaço de mim é esse Amor, e os outros , tantos, todos...também..."

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Luz


Já falei muito aqui sobre o Amor. Pode parecer piegas, pode parecer repetitivo, mas a cada dia descubro mais dele em mim. E muitos. Desde o Amor Maior pelo fruto que deixarei em terra quando estrela virar, ao amor que, sinto, derramo pelo caminho que passo. Esses me são caros, queridos, necessários, e os trato com um carinho muito especial. São meus amores desta vida.
Mas hoje reencontro em mim o "meu" Amor. Reconheço nele o Amor Maior, o único, o uno, o real, o verdadeiramente intenso, atemporal. Esta' - sempre esteve - dentro de mim, e o resgato, não em gavetas ou compartimentos, não arquivado, não necessitado de procuras. Ao meu olhar ainda mais interno, mais atento, mais meu, sinto-o na minha pele, no meu mais intimo ser, impregnado em cada menor parte dos meus corpos, todos. Sinto-o impregnado nas Joyces, todas, que se encontram juntas tão somente ao seu olhar. Amor que atravessa o tempo, que independe dos anos, que independe desta vida porque traz nele muitas outras. E sigo-o amando, mais ainda, recarregado agora de uma energia madura, maior. Nele meu pouso, meu repouso, meu reencontro, meu renascimento. Nele, meu resgate de mim mesma, desfeitos os erros do caminho. Nele me reconheço, me recomeço e me completo. Nele não sou só um ser, não sou só um corpo. Nele sou pura energia, sou Luz, Luz de Amor.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Busca

Deveria começar meu post de hoje dizendo: estou fechada para balanço. E ai vou me contradizer na frase que me norteou na semana passada - metade silencio, metade vulcão. Hoje sou inteira silencio. Um silencio interno, uma perda total da fala, se me expor, de me concluir. Hoje recomeço, mais uma vez, a grande jornada em busca de mim mesma, em busca da Joyce por vezes rasa que ando me tornando.
Alguns , dos raros que me conhecem bem, dizem que tenho gula pela vida. Estão certos. Mas não uma gula desmedida, sem sentido -comer por comer a vida -, mas uma gula pensada, calculada, amaciada pelo tempo. Uma gula pelo que sei, pelo que não sei, pelo que quero saber. Uma gula por mim mesma. E hoje entro nela, mas de forma diferente: me calo diante da sabedoria do outro que me vem para aprender mais sobre mim mesma, sobre meus potenciais e fraquezas, belezas e feiuras. Do que sou e do que poderei ser. Um passeio pelo interior do meu vulcão, passeio silencioso e forte, e já preparando para mais uma erupção do meu ser.
Tenho gula, sim, mas de ser inteira, não metade, nem meio termo, nem rasa. Eu, como sou: puro fogo interno .

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Oásis

Tenho um amigo marroquino (as maravilhas da internet!), Ibrahim, que trabalha em um tipo de resort no meio do nada. Nos e-mails, fala em solidão, em silêncio, em quilometros e quilometros de pura areia escaldante. Eu, ao contrário, pela sua descrição poética e pelas fotos que mandou, vi no lugar um oásis, um paraíso na terra, como se diz. Uma mística até mistura de coisas que amo e que me são cada vez mais raras: grandes extensões de nada (deixam meu olhar infinitamente satisfeito, meditante), um silêncio que me parece arrebatador ( um dos mais belos mestres companheiros que se pode ter), noites estreladas como não se vê mais (são tão poéticas, tão íntimas, tão intensas...).Fiquei fascinada pela descrição do local, pela luz amarelada destacando ainda mais as belas e únicas cores da natureza. E eu, como ser de mente viajante que sou, pude sentir o calor, o perfume, ver as cores, ouvir a música do vento (amo vento, de uma forma hipnótica até). Estive lá, sem estar...
Mas mais fascinada , confesso, fiquei pelo silêncio. Senti arrepios. Sinto. Amo o silêncio, tão raro. Da paisagem de Ibrahim, ele vem da força da natureza que, por tamanha grandeza, nos cala e o ouvimos (sim , porque só no silêncio estão as grandes verdades...). Ah... o silêncio... tão raro, e por isso o acolho de forma tão doce dentro de mim. Ele sim, descubro satisfeita, é meu oásis. Na selva urbana, sinto-o no encontro com a sabedoria do outro (me calo, a aprender). E, confesso, mais ainda no mistério que vem do olhar do amor correspondido, quando me calo para me entregar. Nesse, sempre tão intenso, entrego todo o meu ser, inteiro e único.
Nele, meu oásis, misto de silêncio e som, cheiro e cor, brisa do amor, calor e frio.
Nele, também viajo, em busca de meu céu estrelado.
Nele, meu deserto, onde corre meu rio de prazer. Nele, eu, como sou.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Gigante gelado

Na figura de um Iceberg, muito de mim - ou de todos nós. Jum Nakao me repassou, entre outras coisas maravilhosas que aprendi e apreendi com ele em tão ínfimo mas infinito tempo de convivência, essa paixão por esses gigantes errantes, pura poesia em forma de gelo...
"Sete oitavos submersos, um oitavo à vista", como ele diz.
Assim me vejo, pequena parte revelada, grande e densa parte submersa. A parte revelada trago à tona , pedaço a pedaço, todos os dias aqui, mas ainda pequena parte de mim. Muito de mim se esvai, some, derrete conforme minha jornada, conforme meus anseios, minhas resoluções, minhas, muitas, mudanças de rumo. Aos olhos desavisados ou rasos, mostro-me gigante, reconheço, mais para um vulcão em atividade, com seus calores e vapores, do que essa gélida montanha do mar. Mas poucos , raros ( e se me permitem dizer: só os de olhares profundos e atentos) , imaginam, sabem ou querem saber quanto tenho dentro de mim a revelar, meus sete oitavos de pensamentos e desejos que não sei se virão à tona ou derreterão.
Nem eu mesmo sei: descubro aos poucos , aqui e nos caminhos da vida,
que Ferreira Gullar estava certo - mesmo que humilde nas proporções - em sua Metade:
"Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio…"

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Transformações

O que mais gosto nesta vida, no dia-a-dia, são as surpresas que me vem. Presentes embalados em papéis delicados , sempre perfumados, que a vida me dá, faceira que é, e os recebo de braços abertos. Ontem foi um dia muito recompensador, cheio de lindas surpresas, belos presentes que me fizeram ver, ao final do dia que, sim , o saldo foi muito positivo. Falo aqui, claro, e como sempre, de Amizade e Amor , dois grandes norteadores de minha felicidade. Falo de compaixão, falo de afago, falo de respeito, falo de interesse mútuo, de reconhecimento, de afeto. Minha resposta a eles vem em forma de gratidão transformada em sorrisos - ou lágrimas - com os quais rego minhas sementes plantadas, carinhosamente jogadas pelo caminho da minha vida . E me surpreendo ao ver que, mesmo aquelas não esperadas, aquelas até esquecidas, podem trazer lindas flores. Como aquelas achadas e admiradas em meio a um mar de verdes. Falo do medo que pode ser transformado em satisfação se acolhido com um olhar atento, um sorriso verdadeiro, com doces e admiradoras palavras (sempre elas, a me trazer alento...). E virar amizade, destas descompromissadas, destas que entram de forma calma e duram muito tempo, talvez uma vida. Falo de uma Amizade que pode se transformar em Amor se regada, pouco a pouco, com aceitação, conhecimento, admiração, incentivo de mim mesma. No conhecimento mais profundo e interessado do outro, um ponto de partida para me amar mais, me encontrar, me fazer compreender, e fazer dele, deste Amor que nasce aos poucos, de um simples abraço , meu porto seguro. E eu, chego mais bonita, por dentro e por fora...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Pura energia


Ontem me chamaram a atenção - que bom que de forma divertida , deixando-a leve - que trabalho demais, que sou muito agitada, que não paro, reclamação contínua de amigos e amores que ficam a disputar minhas horas da vida. "Trabalho"(assim mesmo, entre aspas, porque me parece tão leve...) o dia todo - porque gosto - e estudo à noite - porque gosto. Estou sempre, como dizem por ai, antenada. Acho que ponho no trabalho e na procura do saber muito da energia de outros setores da minha vida que não estão me dando tal retorno, tal afago, tal prazer. Trabalho com e as palavras, e já cansei de descrever aqui o quanto preciso delas, todas, seja qual for o objetivo. E estudo para saber, para conhecer fatos e pessoas, pois deles - fatos e pessoas - me alimento. Gosto da coisa sábia, das boas palavras, de acolhê-las ou de contestá-las. Não fico inerte a elas: convivo, retribuo o prazer ou o desprezo... a não ser aquelas, de que já falei, raras, que de tão sábias, me calam. Emocionar-se com as palavras ditas ou escritas é uma benção.
E descobri , ontem, que me encantam mais ainda as palavras que não saem pela boca. Encanto-me com as bem ditas pelo olhar, úmido da emoção de dizê-las , talvez (bom fosse) silenciadas pela carga de paixão que carregam, e até, quem sabe, do simples prazer de proferi-las. Encantam-me as palavras ditas com calor, as que saem pelos poros, as carregadas de deliciosas segundas intenções... me entram pelo olhar, me invadem o corpo todo, me iluminam por dentro , me aquecem como um beijo bem dado.
Talvez seja a mesma paixão que me leva a cada dia madrugar em frente ao computador e entregá-las aqui,
a vocês - primeiro a mim, na verdade - com tanto prazer.
Ps.: deixo aqui meu olhar já saudoso para uma grande pessoa que me apareceu da ânsia de aprender. Contigo muito aprendi sobre o calor das palavras ditas com brilho no olhar - que tudo mostra ou tudo esconde. Das tuas palavras, incentivo. Do teu olhar, muito mais. E como sempre dizes: beijos no coração! Que os leve, todos, em tua viagem para além mar...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Refém



Perguntaram o que me atrai nas pessoas, homens e mulheres, e , enquanto esperavam duas explicações, as dei, numa só. Sinto uma atração incrível, quase um fetiche, pela sabedoria. Mas não uma sabedoria matemática, estudada, calculada, perseguida. Assim como das outras tantas coisas da vida que me atraem, gosto do saber fácil, do saber simples, sem máscaras ou rodeios. Não a gosto desenhada, ensaiada, e sim da que vem de dentro, que sai fácil pela boca e pelos poros, que se mostra aos olhos. Sabedoria essa vem da vida bem vivida, de um coração aberto, de uma alma poeta, realizada ou não. Gosto das palavras bem ditas (benditas!), bem posicionadas, disparadas na hora certa (mais lindas quanto menos esperadas!) de forma mansa ou galopante. Amo as palavras sem censura, que me desconcertam e me fazem calar, jóias raras.
Amo as palavras que me freiam e me deixam sem voz. Quando lidas, são mais fáceis de disfarçar meu encanto: leio, degusto, respiro, alivio meu delírio. Mas quando ouvidas - e ai , confesso, acrescento minha hipnose pelo timbre forte, masculino ou feminino - entram em mim como que escorregadias, selvagens, não domáveis... e me fazem refém. E eu, me entrego, como sempre, de corpo e alma.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Sobre o poder dos As

Já ousei falar que este blog - e minhas simples palavras - tem um efeito de cura sobre mim. Mas tenho notado, maravilhada, que a cada dia ele tem assumido outros sentidos, surtindo outros efeitos, todos vagarosamente degustados a cada dia, por mim e por outros. Recebi um comentário de "meu poeta além mar" que diz sobre meu texto falando de Amizade (que ele, mesmo sem querer/saber, se inclui) :
" O teu texto... entranha-se no coração de quem o lê... Reconheço nele toda a força das palavras. Talvez seja essa a razão de o "A" ser a primeira letra de toda esta linguagem gráfica. Alma, amor, alegria, além, aquém, aberto, atento e... amizade. Reconheces a distância que não existe nessas palavras? A história de quem está longe e, ao mesmo tempo, aqui tão perto? Existe magia pura nessa tua linguagem, existem todos os segredos dos alquimistas de outros tempos, existe aquele Graal que é a própria essência da vida.
Porque as palavras são infecundas: se existem, se têm essa vida e crescem e riem e choram e lutam e amam... é porque o segredo de toda a criação está em ti".
Não sei se ele imagina o que tão poéticas e bem colocadas palavras me trouxeram: um alento, um calor, um perfume especial, uma sensação deliciosa de se sentir admirada pelo tão simples gesto de escrever. Isso prova que o faço de coração, com a alma, com amor, com paixão, com tesão. Me encontro aqui, em cada letra , em cada junção de vogais e consoantes que, juntas, formam um som gostoso, segundo ele, de ouvir. Se dou vida às palavras, se faço delas belas bailarinas, é porque vão nelas muito de mim. Se gargalham, me fazem feliz; se brincam, me deixam leve; se choram, as conforto... e elas a mim.
Elas, todas, somadas a tais elogios, são meu tudo, minha magia, meu êxtase, meu nirvana, cura, gozo
(e o que mais quiserem chamar, desde que insano).
Ele fala da força das palavras que começam com A ... e eu acrescento a esta lista de tamanho significado para mim o seu próprio nome , que por si só já me faz mais feliz a cada dia que o recebo.
Alguma dúvida de que me és, meu lindo poeta, mui especial?

Ouvindo o vento

Recebi para reler - sim, porque já havia me iluminado com tal mensagem - o discurso de Steve Jobs sobre sua trajetória de vida, e como o amor (ele de novo, e na voz de pessoa tão respeitada) pelo que se faz traz transformações. E sinto que estar atento transforma nossos sonhos - muitas vezes desacreditados e incompreendidos - de lagartas em borboletas. Nosso caminho entre o que se busca e o encontrado pode ser árduo, enrolado, confuso, dúbio, duvidoso. Mas ela, a grande borboleta, estará lá se colocarmos nesse caminho um coração aberto, uma intuição firme, um olhar atento. Ou, como esse mesmo querido amigo que mandou a mensagem, no qual se espelha, fala: ouvir o vento. Aos desacreditados, afetados pela frieza dos tempos, pode soar falso, fraco, frouxo. Mas não o é. Falsa, fraca, frouxa e sem gosto é e/ou será a vida destas pessoas que se deixarem afetar, induzir até, mas não impunemente, pela correria desmedida do mundo.
Estas, cedo ou tarde, vão perceber o quanto perderam na ânsia de abrir o casulo e retirar a borboleta, ainda incompleta, ainda imatura, e ver que tudo poderia ser diferente se tivessem esperado o seu tempo certo.
E ouvido o vento...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Amizade

Amizade. A palavra é bonita, sonora, ampla, como é amplo também seu significado e suas particularidades. Pode ser plena, de olho no olho, ou, em tempos modernos, até virtual. Pode ser diária ou exporádica, não importa. O que importa é que ela se importa com você, pessoa e sentimento. Tem os ouvidos plenos, o coração aberto, sem sentimentos pequenos ou mesquinhos. Não inveja, não reprime, não recrimina seus sonhos nem suas realidades. Se mostra nua, clara e objetiva. Há nela muito interesse , sim, mas sempre, sem excessões, desprovido de qualquer outra intenção que não seja a de ouvir, ajudar , acalentar, envolver, concordar. Uma verdadeira parceria, uma cumplicidade sem fim, uma terapia natural.
E são escolhidas pelo coração, livres de preconceitos - raça, credo, pensamento.
Coisa de alma gêmea, ou de corações iguais, não sei. Coisas desta vida ou de tantas outras? Pode ser. Mas não em importo de onde vem: me importa tão somente é olhar para o lado e vê-las ali,
prontas a me dar as mãos quando eu precisar...

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Pequenos prazeres

Ando pensando na satisfação que sinto nas coisas simples - mas nem por isso menores aos meus olhos atentos - no meu dia-a dia. Pequenos prazeres homeopaticamente colocados no meu caminho, que sinto , acolho e absorvo, como se quisesse fazer uma reserva de felicidade dentro de mim
(para aquelas horas não tão doces...).
São sabores descobertos por acaso - como uma salada de rúcula com pitadas de geléia de morango que provei. São momentos de puro encantamento como o olhar penetrante e desprovido de intenções de uma criança (sim, me perseguem onde vou, principalmente as meninas, como se eu tivesse luz de fada...). São momentos de pura delícia como um cafezinho entre amigos, onde o tempero são as gargalhadas, alternadas com lições de vida. Ou recados delicados enviados por amigos do mundo (poucos, atentos, sem um interesse maior além do acalentar). Sinto, sim, verdadeiro deleite com isso, nos prazeres descobertos distraidamente pelo caminho. E são tantos, de tal efeito instantâneo, deliciosamente escancarados ali, bem na minha frente,
feito presente surpresa! Quem não gosta?
Tenho me policiado, lembrando de um alerta de um amigo que vê em mim muita redundância, muito exagero, uma gula pela vida que ele diz ser sem fim, sem propósito. Não concordo, mas aceito. Talvez pessoas muito machucadas pela vida tenham, sim, esse medo de se entregar a ela de novo, de se abrir para o novo. São movidas a cautela. Se resguardam pelo medo da repetição do erro em si. Seguem por vezes travadas, freio de mão puxado, colocando suas fichas - se é que as usam - apenas nas coisas matematicamente "certas", nas coisas acertadas, nas apostas fechadas. Passam pela vida sem riscos... mas será que a vivem na sua plenitude? Eu também já tive meus tombos, meus revezes, mas sigo teimosa.Posso me ferir, posso até cair de novo, posso me magoar. Mas sigo em frente, "dopada" pelas gotas de felicidade que acho por ai.
Corajosa? Ingênua? Impetuosa? Talvez eu seja , sim, uma mistura de tudo isso.
E, pelo menos até aqui, sigo feliz.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Portugues com açúcar!


Recebi de um amigo além mar - que deve ter em seu DNA um "que" de Fernando Pessoa , dada a beleza de suas palavras - um dos maiores elogios que já recebi, se direcionado aos meus textos, ao jeito que escrevo.
Disse que eu tenho um "português com açúcar".
A princípio, achei graça, achei encantador como tantas outras coisas que me escreveu - e me escreve , diariamente - , sempre tão gentis, belas, encorajadoras... Mas, pensando bem, vejo que faço isso, do uso do açúcar, uma constante em minha vida. Ponho meu doce, meu leve tempero, meu desejo de que tudo saia bem na grande maioria das coisas que faço, que digo, que vivo. Não um doce enjoativo, melado, mas uma pitada , suave, desinteressada e até ingênua de boas intenções. Muitas vezes recebo alertas (carregados de um amor cauteloso, por vezes excessivo), noutras questionada, em algumas até criticada, cobrada. Muitas me decepciono, mas sigo adiante sem grandes desgastes. Já me magoei com isso, já parei para pensar se não estavam certos, já me questionei, até me critiquei. Mas, no fim, satisfeita, vi que meu saldo deu positivo: sou assim, mesmo, queiram ou não, desprendida de cerimônias, de interesses vãos, de más intenções.
Ingênua , sou, assumo, mas verdadeiramente eu. E feliz!


Muitas em uma

Hoje, mais do que ontem, tenho certeza de que nos cabem muitos amores. Em mim cabem muitos, e a todos eles dou igual atenção. Do amor, louco, que vem e vai, do amor que está voltando ao sabor do vento, do amor nascido das palavras, do amor que está nascendo sem pressa...e até daquele furtivo, que me roubou mais do que eu pretendia dar. São meus, mesmo sem me apropriar inteiramente deles. São meus, mesmo que não correspondidos. Me fazem bem, me deixam no ar, sintonizada com coisas boas e prazeres esquecidos. Me ditam mulher, me completam, me definem cada um a seu modo, e eu a eles. Sou muitas, sou todas, ao mesmo tempo que uma só, inteira e verdadeira. Me redefino a cada gesto, a cada encontro, me vejo diferente frente a cada um - hora mansa, hora frenética, hora sonhadora, hora pura batalha, mas sempre intensa, sempre eu, sempre toda. Meus sabores variam do doce ao picante, de fruta refrescante à xícara de chá, e me entrego total, mesmo em devaneio , antes pela simples vontade de fazê-lo, depois pela plena aceitação de quem sou.
E sigo, amando, sempre. Está dentro de mim, não há como negar. Sou muitas em uma...cabe a eles me aceitar!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Caminhos

Ao invés de colheita, hoje vou falar de caminhos.
Mas não de caminhos aleatórios, aventureiros,desbravadores (não menos deliciosos...),
e sim de caminhos que a gente contrói ,
se não solidamente , com cautela, para depois desfrutar.
Esperança deveria ser o meu sobrenome hoje. Talvez sempre, dada a minha face sonhadora. Ando construindo meu caminho feito um trilho, dormente por dormente, passo por passo - hora cauteloso, hora atirado. Ansiosa, espero a hora de desfrutar desse trilho, de ouvir o som do trem de minha vida a passar, vagarosamente, por ele. Um som de Maria Fumaça que, sim, cobre o espaço, faz a viagem, mas de forma acolhedora, encantadora até.
Sim, porque para mim, alma de poeta em corpo de mulher, não basta trilhar o caminho: há de se fazer nele muitos amigos, há de se divertir mesmo trabalhando, há de se levar junto todos os que queremos bem. No caminho, recitar versos, ver lindas paisagens, encantar pessoas e se encantar com elas. Abrir as janelas para sentir o frescor da vida, ver suas cores, sentir seus cheiros.
Viver o caminho é bem diferente do que simplesmente passar por ele...dele quero tudo o que tem para me oferecer...e vou aproveitar!
(Mais uma imagem do Grande Rubem, um homem que sabe muito bem viver a vida...)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Fartura

Corri ontem o dia todo, testando minhas habilidades no trabalho e na vida. Saldo prazeiroso, vi que , sim, um belo sorriso e um olhar mais atento encantam o mundo e abrem portas.Talvez não as que prendíamos, talvez não as almejadas, mas o dia fica, com certeza, melhor, mais leve, mais eu mesma. Não estou fechada para os problemas, nem para a tão falada crise mundial, mas vejo na minha frente muitos outros sabores, uma profusão deles, a me encantar e a me fazer encantar. Como numa vitrine de doces, os gostos da vida estão lá, todos, inteiros, prontos para serem escolhidos, acolhidos , saboreados. Deles faço escolhas, deles meu sentido maior na vida. Deles, meus pequenos prazeres que, quando somados, me mostram que a vida, sim, é que tem deliciosos e fartos sabores...basta abrir-se ...e experimentá-los!
" Viva! Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe, e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante."(Charles Chaplin)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O que move o seu mundo?


A cada dia vejo mais as pessoas movidas para o sucesso e tendo como único e grande companheiro o dinheiro. O dinheiro, sabemos, é quem move este mundinho cão, para muitos a única esperança de ser feliz.
Digo mais: a única saída, única luz, única janela por onde veem a vida.
Concordo em parte. Acho que ele, o dinheiro, deve mesmo nos servir...mas não o contrário! Não me apego a ele, não o procuro com avidez, e por isso muitas vezes peco. Espero que me procure, que me venha, por merecimento ou resposta a toda a energia que ponho no meu dia-a-dia , em cada momento dele,
e nas pessoas ao meu redor, feito uma grande equipe !
Gosto quando me vem, quando é merecido, mas não me apego, não faço dele meu guia, meu plano de vida.
Vejo ele separando famílias, vetando amores, acabando com amizades, embrutecendo as pessoas, mascarando o mundo. Se corro atrás, não posso sorrir, não posso amar, não posso ser gentil, não posso gozar as tantas outras coisas que a vida me dá, não posso ser feliz de outra forma? Alternativa única? Espero que não, agora que descobri nas coisas mais simples do mundo todo o meu prazer, todo o meu gozo pela vida, toda a inspiração para minha criatividade insana.
E, aqui, falando sobre esse tema, nem me cabem os poetas... não merecem dividir minha angústia
por tão pouco...
E você, o que move o seu mundo?

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Ensaio sobre a bondade

O texto de hoje deveria começar com uma frase do tipo "querido diário, hoje acordei feliz...".
E é interessante isso, pois vejo que estas páginas viraram um alívio, um diário de emoções e paixões, repleto de vivências e trocas. Vejo-me hoje mais ainda apaixonada pelas pessoas que "amo" ( e ai o sentido é super amplo mesmo...), todas, mesmo aquelas que não vejo com frequência, mas que sempre me animam a estar bem, a continuar; mesmo aquelas do passado longínquo que ficaram guardadas na gaveta das paixões, envoltas por papéis perfumados.
São-me caras, únicas, insubstituíveis.
E há uma nova "categoria" poderia dizer, efeito dos virtuais tempos modernos: aquelas que nem conheço pessoalmente, mas que trocamos palavras de incentivo e até confidências, que me dão conforto e alento, que dizem ( ou escrevem?) coisas que , aceito, mereço escutar. São meus amigos, sim, posso dizer, já que me alegram, me trazem luz, me iluminam com suas palavras e sentimentos de "esteja bem", de "você é especial". Muitos me aquecem, feito um sol, de mansinho ou de rompante. Outros vão mais além, e me fazem melhor e mais feliz um dia todo. Poderiam dizer que são bondosas, imensamente bondosas,
envolvidas , feito ativistas, na arte de fazer feliz.
Já dizia Fernando Pessoa, " Grande é a poesia, a bondade e as danças...".
Na frase do grande poeta, acrescento o Amor!
( Imagem do céu de Araçatuba sob o olhar atento de Rubem Gandres, Grande poeta, Grande Rubem...)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Procura

Recebi esta Ode de Fernando Pessoa:
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu Exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Em dias que se acorda se achando menos, se "catando" entre os cacos dos vidros que outros quebraram com pedras mal intencionadas, estes pedaços de vida em forma de poema nos aquecem ,
nos incentivam a prosseguir!
Serei sim, mesmo a contragosto desse mundinho que não me compreende, inteira.
Serei completa, eu mesma. Colorida como um bouquet de flores que, na sua diversidade de cores e aromas, agrada ao simples olhar, desde que mais atento.
Não serei metade, não serei menos do que quero ser, nem menos do que sou de verdade.
Da diversidade de mim , do encontro de tantas "eu",
um ramalhete lindo, alegre e cheiroso, pronto para entregar-se a quem merecer!
E vou achar!