sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Escolha

Hoje despertei antes mesmo dos passarinhos, eternos madrugueiros. Precisava do silêncio, meu eterno ouvidor, de desfrutar de sua companhia. No silêncio, minhas, muitas, respostas. Nele, também, minhas eternas perguntas. Nele, muito de meu abrigo e muito de meu desassossego. Pega-me pela mão e passeia comigo pelos caminhos que escolho, inerte, companheiro, sem palpitar. Conversamos longamente, sem qualquer palavra, sem qualquer som, antes mesmo do despertar fervoroso das teclas. Falamos de escolhas, de caminhos percorridos, de onde me levam meus sonhos e devaneios. De onde me leva a vida , essa, que escolhi. Questiono as ladeiras que peguei, íngremes e por vezes pesadas. E ele me lembra dos campos de flores frescas onde me deliciei. E nelas, nas tantas flores, me faz ver meu bom valor. Meu valor de menina livre, nunca esquecidos embora por vezes abandonados. Meu valor de mulher, procurado entre lençóis e beijos, encontrado tão somente em longos abraços e infinitos olhares.
Sinto nas mãos o frescor da manhã, que me hidrata as idéias. Sinto no rosto o beijo da brisa que me afaga e me conforta. Tenho o olhar fixo no caminho infinito de minha vida e a cabeça cheia de pensamentos que se revezam para não me deixar só. Fiz minhas escolhas, escolhi meus caminhos, meus atalhos, fiz descobertas, encontrei amor e dor. Mas fiz, fui, vim, cheguei, chego a cada fresca manhã. E digo à vida , que sonho a minha frente: Aguarda-me! Porque se eu não te achar neste caminho, por outro virei, mesmo que seja apenas com meu silêncio.

Um comentário:

  1. Te encontrar na próxima paz do seu silêncio...

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