domingo, 22 de fevereiro de 2009

Fome de que?


Madrugo com gosto de ontem, um ontem cheio de exageros de todas as espécies. E, com todo o peso desse ontem - que por isso não se chama presente -, repenso minhas fomes. Reconheço-as, ou tento, até para apagar esse fogo interno que está me matando. Reconheço-as, sei de onde vem, mas não as controlo. São feitos feras encontradas dentro da mata que há dentro de mim. As alimento para não me devorarem. São tantas as minhas fomes que não sei como apartá-las, separá-las de mim, nem como dissolvê-las, eliminá-las. Mas vejo que , na verdade, são, todas, juntas, uma fome só: fome de Vida.
Tenho fome de Vida bem vivida, de Vida inteira, de Vida plena, de Vida que me complete. Nela, poucas coisas necessárias. Nela, pura sobrevivência. Nela, cabe um Amor só, também inteiro e completo, que me dá alento e coragem. Um Amor Maior, fruto de muitas vidas, de muitas fomes anteriores enraizadas em mim. Ali, as reconheço, minhas fomes, todas. Mato-as, todas. Nela, na minha Vida, nada me sobra ou falta. Nela, não faltam ingredientes, nem temperos: tenho-os todos, ao alcance das mãos.
Reconheço, enfim: nela não me encaixo e sim, me entrego, porque somos um só, um prato cheio da mais pura energia. Energia do Amor.

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