sábado, 14 de fevereiro de 2009

Gigante gelado

Na figura de um Iceberg, muito de mim - ou de todos nós. Jum Nakao me repassou, entre outras coisas maravilhosas que aprendi e apreendi com ele em tão ínfimo mas infinito tempo de convivência, essa paixão por esses gigantes errantes, pura poesia em forma de gelo...
"Sete oitavos submersos, um oitavo à vista", como ele diz.
Assim me vejo, pequena parte revelada, grande e densa parte submersa. A parte revelada trago à tona , pedaço a pedaço, todos os dias aqui, mas ainda pequena parte de mim. Muito de mim se esvai, some, derrete conforme minha jornada, conforme meus anseios, minhas resoluções, minhas, muitas, mudanças de rumo. Aos olhos desavisados ou rasos, mostro-me gigante, reconheço, mais para um vulcão em atividade, com seus calores e vapores, do que essa gélida montanha do mar. Mas poucos , raros ( e se me permitem dizer: só os de olhares profundos e atentos) , imaginam, sabem ou querem saber quanto tenho dentro de mim a revelar, meus sete oitavos de pensamentos e desejos que não sei se virão à tona ou derreterão.
Nem eu mesmo sei: descubro aos poucos , aqui e nos caminhos da vida,
que Ferreira Gullar estava certo - mesmo que humilde nas proporções - em sua Metade:
"Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio…"

3 comentários:

  1. Como aprendi aqui contigo - esta e tantas outras coisas - vou me calar diante da tua grandiosidade, de tão belas palavras, tão bem colocadas, tão profundamente simples mas por nós esquecidas.Linda!

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  2. Quem dera ter o privilégio de connecer um pouco que fosse de tua profundidade. Não estas que nos entregas aqui, todos o dias, de forma tão grandiosa e graciosa. Mas das tantas outras, que omites, e que devem ser ainda mais belas...

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  3. Oi Joyce,
    Adorei!
    Obrigado pela citação.
    Bom fim de semana,
    Bjs,
    Jum

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