sábado, 28 de fevereiro de 2009

Olhos d'Alma

Essas são flores de areia enviadas pelo meu amigo marroquinho. Deixaram-me mais interessadas do que belo bouquet de rosas vermelhas...E hoje, pensando sobre o que ia escrever, veio esta imagem de algo tão simples, ao mesmo tempo que tão belo, tão significativo. E lembrei que via, ainda bem pequena (nos tempos que os cabelos cacheados voavam ao vento...), flores e tantas outras coisas na areia dura da praia.
Olhares de criança são assim, leves, puros, simples. Veem beleza em todo lugar.
Isso me remete agora a essa questão do olhar. Ver as coisas por um outro ângulo, por mais feias que pareçam. Ver com Olhos de Amor, ver com Olhos de Vida ( assim mesmo, em letra maiúscula e sem asteriscos, pois faço das palavras que amo coisas existíveis...). Ver além do que ali está. Ver os porquês, entendê-los, recebê-los, abraçá-los. Ver o que há por trás dos medos e dos afetos.
Ver com olhos d'Alma.
Isso, como vi ontem em uma conversa que me fez - como sempre - ver a luz - faz toda a diferença. Acostumei-me a receber em minha casa interna as tristezas e angústias com tapete vermelho. Inclinar-me à elas. Ser servente à elas. Não me servem, não me cabem, me entristecem e fazem de minha vida uma eterna montanha russa. E mesmo assim as acolho. Talvez seja a genética, talvez os exemplos, talvez pena de mim mesma, não sei. Mas vi ontem como faz diferença quando o tapete vermelho recebe o que tenho de melhor.
E mais: receber as coisas de forma simples, em casa aberta e limpa, onde o sol chega e aquece almas e corações. Receber a Vida de braços ternos e calorosos, mais ainda quando chega triste, cabisbaixa. Receber como Mãe, como Mulher, como a Criança que existe ainda dentro de mim.
E fazer dela, da Vida e de mim, plenas e felizes.
É um bom exercício que, juro, vou treinar. Talvez meus músculos tesos do coração encharcado de Amor sintam-se bem e batam de forma melhor e corriqueira. E me façam seguir amando, sempre.

2 comentários:

  1. Não te culpes por momentos não tão belos em tua vida, que deveria ser sempre, por merecimento, um "mar de rosas". Eles existem, e ao que vejo por aqui, recebes, todos muito bem. Resolves bem, pelo menos nos textos. Mas isso deve ser coisa de almas como tu, que semeia amor, nem sempre correspondido, nem sempre entendido, nem sempre aceito. Dai teu susto. Bjs minha linda!

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  2. A frase "Receber como Mãe, como Mulher, como a Criança que existe ainda dentro de mim" define bem o que penso de ti... Engraçado isso: tiro da própria "criatura" a sua definição e me aproprio dela como minha, por total falta de saber faze-lo. Entendo , enfim, como a Joyce é dificil de ser definida...entendo que só ela mesma pode faze-lo. Dai teu verdadeiro valor, tua beleza, teu mistério...

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