terça-feira, 31 de março de 2009

Efeito rosa

Crises, todos temos. A vida atribulada, a correria atrás de se ter mais, de se ser mais , as coisas que, achamos, não estão dando certo. O dia-a-dia vira uma batalha e nos, se não atentos a estas armadilhas, sucumbimos. A mim parece que uma coisa puxa a outra, sejam elas felizes ou nem tanto.
Então por que sintonizamos com as coisas não tão certas, não tão positivas?
Mas ate isso tem um lado positivo. Na dita crise, a ajuda interessada do outro. O saber-se amada de verdade - aqui num sentido amplo, de interesse, de afeto, de querer bem. Saber-se parte integrante e importante do outro. Basta uma palavra bendita, delicada, precisa, tocante e, aliviados, reavaliamos a situação, que agora nos parece mais leve. Pego-me pensando para que tanto dito estresse, palavra irritante da moda, para que tanta amargura, tanta ruga na testa, tanto mal sentir. Para que deixar-se consumir por coisas tão pequenas se a Vida, ela sim sabia e tão intensa, nos da tantas chances de ser feliz? Se nos deixarmos levar, se estivermos abertos a tal, ela mesma, a nossa Vida , se encarregara de nos fazer trilhar caminhos melhores, mais doces, mais perfumados. Mais frescos. A Vida nos entrega todos os dias uma bela rosa. Ao abrirmos os olhos, ali ela esta, esperando ser tocada e cuidada. Ali ela esta , com seu perfume único, seu frescor. Nosso presente diário, a ser cuidado.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Caminhos de amar

Tempos modernos. O amor chega via e-mail, o beijo quente via MSN, a paixão via Skype. Recados vibram no celular. Ama-se o outro pelo perfil no Orkut, do Facebook e tantos outros. Repara-se no outro detalhes discretos, pinceladas aquareladas de beleza. Sente-se toda a força de sua voz. Repara-se no seu escrever, sua essência, seus saberes. Ao não ver, ao não tocar, preza-se mais as palavras ditas, escritas, sentidas. Dizem que nada supera o amar ao vivo, o toque, perfumes e gostos. Concordo. Mas, acredito piamente, a modernidade tornou-nos mais capazes de amar, mas atentos ao outro, mais soltos, mais livres, menos algemados às ditas regras sociais. Ficamos mais ousados, mais aventureiros de nós mesmos, de nossos sentimentos. Romântica como sou, vejo e-mails como belas cartas de amor.Daquelas que, quando recebia - e a Vida me mandou muitas, tantas e tão apaixonadas ! - sentia-me outra, sentia-me mais amada, mais amante, mais mulher. A cada palavra, a cada sentimento descrito, mais dele, mais de nós em mim. Nas cartas da Vida, muito dela e muito de mim, que guardo até hoje, mais que tatuagem, própria pele. Nada substitui os amores con-vividos, seus cheiros e sabores, seus toques e descobertas, seu encaixes e calores. Mas que seria de nós sem a liberdade de achá-los, onde estiverem , e vivermos estas loucas - e deliciosas - aventuras de amar? Nada substitui o encontro de amar, mas os caminhos podem ser outros, além do caminhar...

domingo, 29 de março de 2009

Outono

Ah, o Outono...tapetes de folhas de furta cor em meu caminho...confete de flores cheirosas em minha cabeça... cheiro morno de conforto, entre musgo e flor....Ah, o Outono... profusão de cores e perfumes, de calores e sentidos, de caminhos e destinos.
Dizem no Yoga que é tempo de preparação para o Inverno, que se diz rigoroso. Pede um pouco de introspecção, de preparação, alimentação de raízes para dar firmeza de pensamento e de propósitos, hoje muitos. Sigo as regras, as que me deixam satisfeitas, as que acredito, as que se fazem necessárias em mim. Caminho pela vida atenta às suas mudanças. A natureza é sábia e tem muitos ensinamentos, que sigo. Hora de soltar as folhas, ela diz, de se livrar dos pesos e das amarras. De liberar excessos. Hora de enxergar e fortalecer a essência. De se estar firme e forte para aguentar as intempéries da vida. Aguentar invernos, tempos de espera. Sigo a Vida, hoje e sempre, sempre sábia Vida. Ela me ama e se traduz em mim. E eu nela , em quem confio.
Ah, o Outono...sigo feliz meu caminho de flores e folhas, os caminhos que a Vida tem para mim!

sábado, 28 de março de 2009

Bouquet

Minha divagação do dia foi sobre as escolhas que temos que fazer na vida. Nem sempre as únicas que nos cabem são as que nos completam, que nos complementam. Sinto isso quando falo de vários assuntos, de comida a estilo de roupas. E nisso está a diversão da vida, a de nada saber, de nada ter certeza plena e chata. E posso levar isso ao pé da letra, até em assuntos ditos "sérios" , como na relação com o outro. Já falei aqui, e insisto, que cabem em mim muitos amores. E para cada um deles, meu par correspondente, meu dito par ideal. Um que me respeite, outro que me agrade aos olhos, outro ainda que saiba quando estou precisando de carinho e afago - ou uma simples massagem no ego. Um para me alertar dos passos errados, outro para aplaudir os certos. Um para rir de minhas tolices, outro me fazer rir das suas. Um para me pedir colo, outro para me dar. Que me veja linda mesmo quando não me vejo. E que me beije e se deixe beijar. E que me veja alegre quando estou a um passo de desabar. Aquele que se diz desapegado e que eu veja nisso seu apego. Aquele que se diz forte e eu veja nisso sua fraqueza. Mas paro e penso que quero mesmo,é um, único e pleno, para amar para o resto de minha Vida. Que seja sim , um pouco de tudo isso. Feito um bouquet colorido, de várias flores, várias delas, em cada uma seu valor, sua cor, seu cheiro, sua dose de amor,
sua forma diferente de me amar.
Bouquet de Amor!

sexta-feira, 27 de março de 2009

São Paulo

São Paulo acordou-me , cedo, com sua vida. Parece não dormir. Parece não parar. Não fecha os olhos. São Paulo , dizem, não dorme nem descansa. Elétrica, agitada feito eu, quando estou em movimento. Mas tem seus oásis, dizem. No falso silencio da madrugada, vejo as pessoas se movendo com preguiça, se arrastando nas ruas, tentando se acostumar com a tal. Começa devagar e se acelera feito motor. Escuto as falas rápidas, sinto a pressa que contagia, as gargalhadas guardadas para depois. São Paulo embrutece, penso. Mas um amigo alerta-me: tem seus oásis. Oásis de cultura, oásis de sabedoria, oásis de vida vivida, oásis de metrópole conhecida, oásis de pessoas que nos recebem bem. Ah, e tem seus cafés , sua comida farta , suas vitrines feito imãs e sua gente que vê na gente um oásis para conversar. São Paulo, descubro, tem seus encantos. Mata as minhas sedes. São Paulo , enfim, recebe-me bem, para que fique, sempre, um gostinho de quero mais...

quinta-feira, 26 de março de 2009

Descoberta

Hoje acordei mais apaixonada pela Vida do que ontem. Quem sabe menos que amanhã. Às vezes não me cabe dimensionar tais coisas. Não me cabem simplesmente. Pode ser uma simples música que, descubro, me toca mais profundamente do que eu, ingenuamente, poderia imaginar. Pode ser uma pequena descoberta de saberes sobre o outro, suas fortalezas e suas pequenas fraquezas, sutilezas que me agradam. Sutilezas da delicadeza da Vida, da delicadeza do Tempo, este senhor tão sempre sábio. Alimento-me disso, destas pequenas descobertas, destas pequenas delicias. Degusto-as sem pressa. E me delicio ainda mais , quase em êxtase, na espera de reconhece-las no outro e em mim mesma.
Ah, a Vida...quantas surpresas nela guardadas e quantas ainda esperas de belas descobertas. Feito envelope perfumado, saem delas lindas flores, pequenos presentes...e eu, atenta, as recebo, cheiro e beijo, uma a uma, com paixão.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Felicidade

Recebi um texto de Mário Quintana que só poderia vir de um coração grande como o de minha amiga Maria Luiza. Falava em felicidade, da real felicidade, não desta vendida pela novela. Dizia mais ou menos isso:
"Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade."
Achei simples, direto, sábio, como tudo que vem deste poeta com gosto de pão de casa com doce de uva.
E mesmo que não seja do nosso saudoso poetinha, vale uma lição de vida. Vale ler, reler, pensar, deixar fluir dentro de nos feito soro da vida. E' dessa felicidade que falo aqui, e muitas vezes sou tachada de romântica, de infantil. Falo sempre, e procuro, essa felicidade na vida, nas pessoas, nas coisas. Vejo-a em muitas e lindas, coisas e pessoas. E sinto que, depois de um certo tempo, o meu coração acostumou a acha-las em fazeres e olhares cada vez mais simples. Não foi procura ou treino, foi sabedoria que veio com o tempo, com o saber-me, com o saber-se. Talvez a Vida , sempre ela, minha linda e tão amada Vida, tenha muita culpa nisso, bela culpa, deliciosa culpa. Talvez tivesse me ensinado desde sempre e eu tivesse aprendido a lição. E passei estes anos todos a aperfeiçoar.
E ai, completo o mestre: para ser feliz, basta estar atento...

terça-feira, 24 de março de 2009

Janela

Hoje, vindo para São Paulo, lembrei do texto que falei outro dia sobre o sentar a janela, como forma de ver a vida de um melhor ângulo. Vi. Foi uma bela viagem, extremamente prazerosa. Nuvens densas, continuas, mais pareciam um colchão de algodão doce. Degustei cada minuto. Deliciei-me com o que vi e senti. Lembrei da imagem de anjos de cabelos crespos e sorrisos estampados. Lembrei-me de gargalhadas e folias sem porque. De tardes de chuva e bolinho com açúcar. De noites de sopa e pão de casa. De banho quente e pijama cheiroso.
De beijo, na testa, de boa noite.
Descobri que felicidade tem gosto de criança, de infância, gosto de quero mais. Tem cheiro de roupa limpa e perfume no ar. Vou ficar mais atenta as janelas que a Vida me abre e ver nela tudo que tem de bom para me dar.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Desterro

Consta no calendário que hoje é aniversário de Florianópolis. Estive lá neste final de semana e não canso de olhar suas belezas - lugares e pessoas. Minha querida Vila de Nossa Senhora do Desterro, como gosto de chamá-la, me atrai, feito imã. Neste nome, seu antigo, minha homenagem, pois acho mais doce, mais compatível com a idéia que me passa de vilarejo onde posso me encostar.
De vilarejo que me banha com sua luz.
Sinto-me em casa quando entrego-me aos seus braços. Sinto-me bem recebida feito colo de mãe. Recebe-me morna e alegre. Recebe-me com seu sotaque feliz. Afaga-me com sua alegria pueril. Faz-me rir à toa. É, decididamente, meu Porto. A Vida , que pensa a mesma coisa, acha que esse amor já vem de outras vidas, que vem de muito além, que vem de muito antes. Acho mesmo que a culpa de tanto amor vem dai, da forma que a Vida me ensinou a amá-la, amar cada pedacinho seu, cada passo que dei ali, com ela. Amar cada igreja que conta histórias, cada cheiro que vem das ruas, cada detalhe de sua natureza, cada vista de sua beleza. De mãos dadas com a Vida, reconheci cada terreno, me encantei com cada palavra, explorei cada recanto, cada pedra banhada pelo mar. Com a Vida, aprendi a amá-la mais, como própria casa, como meu lugar para voltar.
Já posso, então, dizer que tenho dois amores infindos, incutidos neste mesmo amor : meu porto chamado Floripa e meu amor pela Vida. Encanto, doçura, atração, saber-me viva. E a sei.
Quem sabe um dia encontramo-nos, as três, a linda Desterro, a Vida e eu, para enfim celebrar o que é viver!

domingo, 22 de março de 2009

Árvore

Na passagem corrida pela vida, muitas vezes deixamos de lado detalhes que nos são importantes, detalhes que deveriam ser lembrados todos os dias ao mais breve acordar. Um deles diz respeito a nossa própria árvore, que imagino frondosa e bela, plantada em algum campo de terras férteis. Árvore única e bela, de tantos outros frutos, partilhada por duas forças que se completaram em meu ser : ele, senhor de sua força, viril.
Ela, senhora de seu ventre, entregue.
Já falei muito aqui sobre meu fruto, e tão pouco - ou nada - da árvore de onde vim. Então chega a Vida, a sempre sábia Vida, a sempre generosa e amorosa Vida, e me pede para agradecer de forma sincera pelo encontro de amor que me concebeu. Pelo encontro de amor que me trouxe a ela, feito presente. Faz com que eu veja, como sempre, a mim mesma sob um novo ângulo, um ângulo adocicado e saboroso que me era totalmente esquecido.
Independente do que possamos sentir, pensar, saber ou viver e ter vivido, nossa árvore foi uma benção. Nossa árvore é uma benção.
Não estaria aqui, teclando emoções,se não fosse por ela. Não teria conhecido a Vida, não teria tido tantos amores, não teria sido árvore. Não teria sido. Nada seria. Então, muito a agradecer. Muito a retribuir agora que não se diz mais tão frondosa, mas que guarda nela toda a energia que me concebeu. Muito a respeitar. Muito a zelar e alimentar. Muito a amar.

sábado, 21 de março de 2009

Beleza

Num mundo cada vez mais superficial, sempre e' bom rever nossos conceitos, nossa visao da vida, nosso olhar perante as coisas mais simples dela. Beleza, por exemplo. A minha, a sua. Todos temos, inutil dizer que nao. Nas ruas e onde eu vou, atenho-me muitas vezes a observar belezas escondidas, belezas nao ainda descobertas, nao acreditadas. As vezes e' o jeito de sorrir, outras o brilho dos olhos que trazem tantas outras belezas nele contido. Muitas vezes me pego admirando sardinhas no rosto (babo por elas!); outras, alegres covilhas (sinais de felicidade?). Pode ser o jeito encabulado de olhar, ou bem seu contrario - um olhar penetrante, rapido, ladrao de calores. Atenho-me a sorrisos tremulos e gargalhadas espontaneas como se fossem raridades celestes. Atenho-me a maos que falam por si so, dedos alegres que dancam enquanto se fala. Cachos que passeiam ao caminhar, um jeito discreto de mexer o cabelo, um mordiscar de boca. Vozes roucas. Caminhares leves. Pes serelepes. Sim, revejo, todos tem seu encanto. Cabe a cada um reconhece-los e usa-los da melhor forma. E se dar ao luxo, ou encanto - e nisso me encaixo - de receber elogios sinceros, nunca ouvidos, nunca imaginados. De se deixar ser descoberta, de se deixar ser induzida ao reconhecimento pelo outro, atento. De se deixar acreditar, pelo menos de vez em quando, pelo encantamento do outro. E se deixar gostar. Beleza temos, todos no's: basta procurar.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Infantil

Recebi da Vida um belíssimo texto sobre nossos olhares frente a ela. Era de um jornalista renomado que, enfim, se dava conta de que seu olhar criança pela janela do avião era bem mais interessante do que seu olhar adulto, que via no sentar à janela do avião um incômodo, um entrave, um atraso. Apressei em responder que sim, assumo, meu olhar sempre é infantil, ingênuo até, seja no avião, no trem, no carro, nas ruas, dentro de mim. Tenho neste olhar, muitas vezes rechaçado pelos que se dizem adultos, meus momentos de paz interior, minha dose homeopática de felicidade. Meu gozo pela Vida.
Não tenho vergonha de assumir isso, de fazer-me, mais uma vez, e tantas, criança. Não tenho vergonha de interromper uma dita conversa dita séria para me ater a encantadora visão de uma menina e seus cabelos encaracolados, de uma flor colocada despretensiosamente sobre a mesa, de detalhes da beleza despercebida de tantas pessoas e coisas. De me distrair infantilmente pelo cheiro bom de café, pela delícia de lamber um sorvete, de lambuzar o dedo no doce da tarde. Distraio-me, fácil, fácil, pelo encantador som de uma gargalhada pueril, pelo frenesi das correrias alegres das bailarinas da vida, pelo hipnotizador olhar primeiro que me entra na alma, do toque suave das fadas que me procuram.
Sinto cheiro de alegria no ar, cor de fruta fresca, sabor de festa.
Por isso sento-me, sempre, na janela, a admirar o que a Vida tem de melhor para me dar.
Quem sabe ela nota meu intenso interesse e me deixa ser assim, deliciosamente infantil, eternamente...

quinta-feira, 19 de março de 2009

Poder


Hoje quero falar de um poder que toma conta do mundo as pouquinhos, e poucos tem percebido. Um poder gerador de uma energia enorme, ainda pouco aceita, pouco compreendida. Nele cabe uma força gigantesca capaz de alavancar o mundo, acordá-lo para a Vida: o Poder Feminino.
Não vou cair aqui na mesmice de elogios fáceis e batidos, de elogios fracos e de superfície. De elogios de mídia pobre. Falo aqui, quase que em tom de alerta aos que não o percebem. Somos, sim, fortes. Muito fortes. Somos únicas, somos além de expectativas declaradas, somos além do que o mundo nos quer dar, nos quer denominar. Somos além, muito, do que nos querem dar, migalhas frente ao que podemos ser. Vejo ao meu lado homens que se dizem fortes mas que não se mantém sem nosso apoio, sem nossa aprovação, sem nossa falsa modéstia de nos fazermos dependentes. Sem nosso olhar aprovador, sem nosso gozo frente à vida.
Não o somos, pelo menos nós que já encontramos nossa força interior, nossa Guerreira, nossa Morgana, nós mesmas. Desfrutar desse poder de forma delicada mas enérgica, amorosa mas sabendo-se de si, faz toda a diferença. Não nos cabem mais maridos, e sim companheiros de jornada. Não nos cabem mais patrões, mas parceiros compreendedores de tal força. Não nos cabem amores furtivos, desinteressados, mas amantes atentos. Nos cabem seguidores, nos cabem adoradores, nos cabem bem o avesso do que são - do que acham ser. A aqueles, raros, que nos reconhecem, entregaremos as armas, ensinaremos segredos, poções e mágicas. Aos raros reconhecedores de nosso poder maior, nossa idolatria,
nosso amor maior, nossa entrega plena e feliz.
A eles, nossa carga máxima de Amor.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Bombons


Ser feliz é fácil. A gente que complica.
Acordei com essa frase na cabeça. E não sabia ainda o porque dela até sentar neste micro e ler as mensagens enviadas a mim. Vem do mundo todo, mas também da casa ao lado. São mensagens das mais despretensiosas possíveis, e que nem sonham a sua grandeza. Fazem-me sorrir à toa, às vezes por dentro, discretamente; muitas vezes por fora, puro deleite. Ou até soltar aquela gargalhada gostosa, sem aviso! Frases do tipo: " sua amizade é macia e gostosinha, feito travesseiro de pena!" , e contendo nela todo trejeito de quem se diz "caipira" é de fazer a gente gargalhar mesmo !
Banho de sábado!
Como ficar inerte a esse tipo de manifestação tão espontânea e tão generosa?
Descubro, feliz, que a Vida pode nos parecer uma bela caixinha de bombons. Lindos, delicados, cheirosos, cada um com seu sabor. Desmancham na boca e eu os degusto com muito prazer. E seus sabores são sempre uma surpresa , feito colherada de doce (de)leite...
Tão simples ser feliz! Tão simples enviar bombons de felicidade! Faça-o com carinho , de coração ! Receberás de volta todo o sabor da vida, uma bela colherada dela. E ai , saboreie sem pressa,
despretensiosamente, derretidamente.
Puro prazer!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Tao

m
Ontem falei de Criação, Queda, Redenção e Juízo Final. Hoje , palavras e percepções me fazem mais sentido que ontem. Falei do porto onde, penso, me encontro. E, lembrando as palavras sábias e sempre deliciosas da Vida, falei de Domo como o precursor de minha redenção. Meu susto, meu divisor de águas, meu recomeço, meu novo partir sabendo onde chegar. Um partir à procura de meu Ser - assim, com letra maiúscula - , do meu Saber, do meu sal. Meu fim, minha finalidade, meu porque. Hoje o sei mais. Hoje o reconheço mais. Hoje o amo mais do que ontem, do que hoje, do que amanhã. Amo-o mais que em muitas Vidas. Amo meu mar como a mim mesma, ou mais , pois já não sou mais um simples eu e sim, nós. Nós de vida, nós de sossego. Amo este mar de amor que me recebe sem receio. Amo este mar que me recebe como sou, apegos e desapegos. Esse mar viril que não me assusta e sim, me acolhe. Desaguo nele o que fui e o que sou. Descubro, satisfeita, que ele também me necessita. Descubro que me completa, macho e fêmea, homem e mulher, doce e sal.
Encontro, feliz, nosso Tao.



Redenção

Revisei em uma sábia conversa , dessas que amo e que me vira a cabeça, os quatro estágios acreditados, assim poderíamos dizer, em nossa vida: Criação, Queda, Redenção e Juízo Final. Pode parecer credo demais, sórdido até, mas revisei a minha e, ao que parece, situei-me melhor. Compreendi minha Vida de forma mais clara e mais esperançosa. E digo mais: revelo aqui que situei-me não só na minha relação com a minha Vida como com o meu Amor - já que são,
dentro de mim, um só.
A Criação foi linda , cheia de encantamentos e certezas, de brilho intenso e caminhos benditos, de mão na mão , de olho no olho, sem mestre ou aprendiz. Uma nascente que me veio calma, doce, singela, mas forte, caudalosa, cercada de tudo que se possa sonhar. Nascia ali um belo rio a me encantar por belas e jamais vistas paisagens. De pouco percurso, mas jamais esquecido.
Da Queda pouco lembro, a não ser o tombo gelado da esperança de ter achado, ali , meu curso ideal. Um não entender e um muito procurar. Talvez já tivesse a certeza guardada dentro de mim de que era apenas um estágio, uma passagem, um esperar. Um esperar de longas vidas. Um esperar em lago cercado de outras, muitas, mas sempre passageiras, paisagens. Um esperar alimentado de procuras.
Hoje vejo minha Redenção, após o que minha Vida chama de Domo - um ponto sem volta, um ponto sem saída a não ser a de se deixar seguir o novo caminho. Veio de forma inusitada, de rompante, feito grande certeza, grande verdade. Veio cheia de Amor. Mudou o meu rio de curso, deu-me volume e cor, deu-me sentido, deu-me minha Vida ideal de volta. Meu presente, meu Eu, homem e mulher, dentro de mim.
Do Juízo Final, pouco me atenho. Não me pertence ainda, não me cabe neste momento de tanto frescor. Quero, no agora, viver de forma plena e satisfeita minha Redenção aceita pelo mundo e meu êxtase em relação à nova Vida. Não julgar nem sofrer: apenas me entregar de braços abertos, como sempre fiz, a cada vez que me visitou. Meu encontro com o mar...

domingo, 15 de março de 2009

Pegue!

"Pegue seu botão de rosa enquanto pode". Essa é a primeira de tantas frases marcantes do divisor de águas Sociedade dos Poetas Mortos, com o sempre fantátisco Robin Williams . Pegue seu botão, ecoa em minha mente desde ontem. Pegue. Pegue!
Vejo hoje uma sociedade de pessoas mortas, ligadas ao mundo através de fios. Raras as que vivem, raras as livres, raras as que tem coragem de amar a Vida como ela deve ser amada. Raras colhem seus botões. Raros os príncipes aventureiros que tiram dela seu néctar, seu açúcar. Raros os poetas que a vive mesmo que só em palavras, que saboreiam nela, com gozo, suas palavras e idéias. E sinto nas pessoas essa sede de achar sua própria Vida, mesmo sem vivê-la. Está ali, bem à nossa frente, mas não a vivemos plenamente. Nosso botão, cada dia um, cada dia uma cor, um perfume, um frescor.
Faltaria -nos coragem de apoderar-se dele?
Mas o que é a vida senão uma grande aventura, um grande bouquet de frescos botões, um exagerado banquete? Quais seus caminhos, cheiros, sabores? E como sabê-los se não vivê-los, cheirá-los, experimentá-los? Eu, ainda enclausurada numa vida que não me parece plenamente minha ( isso existe?), vou levando, seguindo o vento de meu Amor, tirando do que tenho ao meu alcance o que a Vida tem de melhor para me dar neste momento. Gozando de seus momentos, de seus aromas, seus sabores, desgustando a minha Vida mesmo que por vezes à distância, uma distância que, aprendi, não existe, porque está dentro de mim...
deliciosamente e gulosamente dentro de mim...
Então, lembro de uma frase que uma amiga colocou no msn , este nosso mundo paralelo que me tem trazido verdadeiros banquetes, que diz: "Aprecie bem a viagem. Não há bilhete de volta!".

sábado, 14 de março de 2009

Saberes

Tenho algumas certezas dentro de mim que me cabem dizer aqui. Gosto de saberes, por exemplo, todos eles. Sinto prazer do bem saber. Talvez por isso minha ânsia, minha procura infindável pela boa conversa, pelo bom filme, pela boa aula, pela boa leitura, pelo bem escutar, já que é dali que saem os mais deliciosos saberes. Tiro-os desde os grandes mestres até as mais "fúteis" conversas. Colho-os e guardo-os dentro de mim, à espera de entendê-los, reciclá-los, aceitá-los, reuni-los dentro de mim feito montagem de quebra-cabeça.
Feito montagem de mim mesma. Deles, meu prazer, meu tesão, meu êxtase diário.
São meus caminhos dourados. Aprendi com a Vida, que desde sempre tomou-me pela mão e contou-me estórias e histórias, sempre estonteantes. Sua voz forte, firme, por vezes sensual, fez-me e faz-me acreditar que são verdades, todas, mesmo as mais loucas invenções - e até delas tiro proveito.
Tenho aprendido - se já não o sabia, mesmo que inconscientemente -, que as palavras vêm , sempre, cheias de intenções, e se modificam conforme quem as conta. Por isso gosto tanto das saídas de bocas que se dizem frágeis, bocas que se dizem simples, das bocas livres. Bocas de boas intenções. Para mim, bocas sábias, porque nelas não cabem brilhantismos nem pedâncias de saberes. Delas, as fiéis verdades, descompromissadas de honrarias e títulos.
Nelas, muito das minhas verdades.
Apodero-me, sempre, e sigo a montar meu próprio ser.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Presente maior


Hoje fazem 14 anos que recebi meu maior presente. Na verdade, uma dádiva, enrolada em pano macio. Fazia beiço, como se estivesse magoado de sair de lugar tão quente, tão aconchegante. Deram-me , ainda sujo, para que o beijasse. E ali o amei, muito, e o amo a cada dia mais.
Apaixonei-me à primeira vista, um amor infinito, sem esperar.
Hoje, depois de tantos anos deste intenso amor, ainda sinto o mesmo cheiro de conforto no ar quando o beijo, coisa que faço, muito. Tem gosto de doce. Ainda gosto de massagear-lhe os pés como que querendo amortecer as dores do caminho, ou fortelecê-lo. São quentes e me aquecem. Ainda gosto de olhar nos seus olhos e ver ali a felicidade estampada, o brilho da vida. Tem luz própria, brilho de estrela.
É a cara do pai, dizem. E o gênio da mãe, completo. Sim, porque segue feliz, acreditando, crescendo atento ao mundo à sua volta. Segue esperançoso de que dá para ser feliz a cada dia. Segue amoroso, acreditando no outro. Segue consciente de seu papel como aventureiro. Segue explorador, segue guerreiro, mas não perde a ternura, não perde a poesia, não perde a atenção. Nele, muito da Vida e do que ela me ensinou. Nele , tantos pais e tantas mães, tanto do que fomos, todos em um só.
De presente ganho seu sorriso a cada dia. Ganho nossas conversas de mulher para homem. Ganho seu beijo na testa para me acalmar. Ganho seu amor de Édipo a me encantar.
Ah, e ganho sua maravilhosa gargalhada, sem igual, elixir da vida.
Essa, me faz levitar...




quinta-feira, 12 de março de 2009

Frágil


Não sei se é sintonia ou se há algo mais, mas tenho conhecido muitas mulheres que me fazem pensar que o sexo frágil, na realidade, é o homem. São elas pedras raras, lapidadas, que acharam, de forma consciente ou não, sua Guerreira interior. São batalhadoras, são incisivas, são pura energia radiante. Tomam as rédeas da vida, tomam frente de seu exército.
Sabem o que querem - e mais ainda o que não querem -
e seguem seu caminho da melhor forma, sempre com aquele cuidado, ainda maternal,
de não magoar nem ferir o mundo masculino a sua volta. Todo ele.
As que descobrem sua força, sua magia, seu encantamento e , porque não dizer, seu lado de Deusa, fazem vir à tona homens cada vez mais frágeis.
Batalhadores no dia-a-dia, para suprir sua Deusa de seus desejos, mas frágeis.
Dependentes, diria, do que são e do que elas são.
Acomodados, até, a essa figura que os sustenta
da forma mais sútil e forte que possa existir.
Esse parece ser um grande segredo do amor. Descobrir suas armas. E muitas as a serem usadas. Sexo,encantamento, carinho, cuidado, prumo, rumo. Pena as que não as sabem, ou se sabem, se calam, se deixam morrer. Seguem guardando sua força no armário da ilusão ou do medo. Muitas as sabem e fazem o jogo da vida, deixando que seu amor se sinta o mais forte, viril, o seu fio da vida.
Mas não dá para negar: se se deixassem aflorar, vencedoras seriam, sempre.
E eles também a ganhar.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Mistério

Recebi uma fábula da época do Rei Athur, onde a grande dúvida da vez era sobre o que as mulheres realmente querem. E, de novo, só a bruxa sabia a resposta e cobrou alto por isso: seu casamento com o cavaleiro mais nobre da côrte. "Serem soberanas de suas próprias vidas" disse a bruxa, já em sua noite de núpcias.
E se fez linda aos olhos do homem desejado.
Mulheres são uma navegação sem volta. Um mundo infindável a desvendar, eu diria. Um mundo a se explorar, para conseguir dela o que tem de melhor. A viagem é longa e difícil , digna de um navegador experiente, de um cavaleiro de altas honras. Pede coragem, pede estratégia, astúcia, atenção, desprendimento. Pede tato, olfato, visão, audição, paladar. Acima de tudo, pede Sabedoria. São vales e montanhas a descobrir, cavernas ocultas a desvendar, mundos contidos em cada poro. São rios e oceanos , hora silenciosos, hora caldalosos, a desbravar de forma suave, sempre. São florestas mágicas à espera de um explorador. São cheiros e são cores em mapas ocultos de poucas dicas. São flores nunca vistas, perfumes nunca sentidos.
Cada uma é una, cada uma própria, cada uma é.
Se bruxas, feiticeiras ou fadas, não importa. A recompensa é muita, feliz daquele que a encontrar.
Na imagem, quadro do artista catarinense, hoje um cidadão do mundo, Juarez Machado. A meu ver, um homem que entende as mulheres. Acredito que por isso chegou onde mereceu chegar...

terça-feira, 10 de março de 2009

Descoberta

Sinto-me lisonjeada por alguns predicados que recebo sobre mim mesma. Dão uma visão, por vezes poética, por vezes real e fria, do que sou aos olhos do outro. Recebo-as, acolho-as em meu ser e desfruto, na medida do possível, dos sabores que me trazem, por vezes doce, muitas vezes ácido.
Descobri que sou o que penso ser: sou fada e bruxa, sou mulher inteira e criança, sou madura e infantil. Estou feliz: isso demonstra que consigo passar ao outro o que realmente sou, essa mistura de calmaria e vulcão, de amada e amante, dominada e dominadora, vencedora e refém, guerreira e escrava. Sou duas - ou muitas - em uma só. E elas dançam e brincam o dia todo comigo , com minhas palavras, com meu gestos, com meu ser. Deixo-as livres... só assim crescerão fortes e sabedoras de si mesmo, e serão uma só, única e inteira,
quando eu resolver , enfim, sossegar.
Descobri que tenho cheiro de terra recém molhada pela chuva. E isso, tão poético, me basta por hoje.
Sigo feliz.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Essência

Amo cheiros.
Sinto-os em todo lugar, de todas as formas. Vivem dentro de mim feito caixas de lembrança que a vida se encarrega de abrir, sempre sem pedir.
Minha caminhada de hoje estava especialmente cheirosa. Choveu à noite. Não uma chuva de lavar, mas uma chuva de sentir, feito banho morno no corpo cansado. Com o calor ainda tímido da manhã, subiram os cheiros, todos. Senti-os, muitos. Primeiro um a um, depois misturados em mim. Tive saudade infinita de algo que não sei, mas que reconheço, que está dentro de mim. Uma saudade reconfortante, meiga, afável. Saudade deste Amor que vive dentro de mim, soma de muitos, de todos. Ele, cheiro do musgo e hálito de hortelã. Eu, boca de baunilha, flor de jasmim. Juntos, com o calor do amor, muitos, cheiros e gostos, um bouquet colorido e perfumado. Um banquete de cores e perfumes. Descubro que meu Amor tem cheiro e gosto, tem essência própria, entranhada em minha pele. Inteiramente e deliciosamente entranhado em mim. Isso não me perturba - me encanta. Minha gula se serve e sigo, feliz, satisfeita, mesmo sem prová-lo. Porque o Amor que tenho, muitos em um, faz -me sempre assim, feliz e plena, colorida e cheirosa.
Feito recém colhida flor.

domingo, 8 de março de 2009

Mulher



" Aprendi com a primavera a me deixar cortar. E a voltar sempre inteira”.

(Cecília Meireles)

Com esta verdade desta belíssima mulher das letras, começo minha homenagem ao Dia Internacional da Mulher.
Recebi, de forma antecipada, muitas manifestações, todas lindas e espontâneas. Fizeram-me pensar que, sim, estou valendo a pena. Que faço diferença. Que sou.
Mas não vou aqui tecer os elogios de sempre, elogios corriqueiros, elogios de fachada, de mídia. Quero elogiar aqui a mulher em sua essência, a mulher íntima, aquela que muitas a sabem dentro de si, mas poucas a conhecem, a deixam a (flor) ar... Quero elogiar aqui a Fêmea, a Deusa, a Guerreira do Amor.
Elogiar a Mulher, assim mesmo, de forma intensa e nua, forte, maiúscula.
Tanta força há nela. Tanta luz. Tanto fogo. Tanto. Abdicada de seus poderes por vidas a fio para que não afetasse tanto ao mundinho fraco ao seu redor, continua lá , à espreita, esperando a melhor hora de se mostrar. Já foi bruxa, já foi feiticeira, queimada em praça pública. Se fez deusa do amor, provocou e definiu guerras. Se fez meretriz, se fez escritora, mulher de sucesso. Foi queimada, excomungada, escrachada, desprezada de tantas formas e aceitou , por puro medo (ou sobrevivência, sabedoria?). Puro medo. Medo de que usasse suas armas em outro lugar que não no amor. Medo de que se tornasse muito, tanto, tudo.
Medo de que se tornasse ela mesma.
Ah, Mulher, quanta força guardada em ti! Liberta-te! Usa de tuas armas! Tira tua couraça, entrega-te ao mundo de forma sábia, aos poucos, de leve, estratégicamente devagar. Mostra-te inteira, única, infinitamente bela! Devora a vida - pelas beiradas, de mansinho, saboreando deliciosas colheradas - mas devora, não se deixe levar! Lembre-se da frase de tantas Cecílias e se deixe podar, sim, mas apenas para
voltar com tua infinita força...

sábado, 7 de março de 2009

Desapego

Tenho , na grande maioria das vezes, um amor desinteressado pelas pessoas (meus amores de verdade são raros, peças únicas...). Quando as conheço e me apaixono - e isso é fácil, se gostarem do meu jeito livre e risonho de ser - me entrego quase que de rompante em forma de gestos amplos, palavras benditas e abertos sorrisos, ao vivo ou como eu virtual. Sou mestra nisso: no interesse desinteressado, a não ser o de fazê-las - e ser - mais felizes. Sou a que chega chegando, como se diz por ai. Entro na vida deles até onde permitirem. Vem do meu jeito já tão falado aqui, de não saber ser metade, não saber ser menos.
Sou, e isso me basta.
E vejo , metade tristeza e metade espanto, que muitas delas não estão acostumadas. Não sabem ou não se permitem amar e ser amadas. São enrraizadas no concreto do mundo: nada além do convencional se permitem ser ou acolher. Há uma desconfiança geral que , antes de me assustar, me preocupa. Sinto da parte deles uma carência geral que não sei se é boa ou ruim, mas é. Uma carência desconfiada e de pé atrás. Habita a grande maioria dos corações, até dos mais solicitados. Vejo que a beleza de estar vivo, de saber viver , não está na pauta, e que amizade leal e verdadeira não está mais no cardápio da vida de muitos. Se soubessem que assim , desconfiados e presos a tantas convenções, a tanta "normalidade" perdem tantas chances de ser feliz...
Independente deles, sigo minha rota, meu rumo, meu caminho recheado de ternura. Aproveito as tantas chances que a vida me dá, a todo minuto, de ser e de fazer mais feliz. Treino, assim, meu desapego. Pessoas, amores, amigos não são meus. Nem filhos, já dizia algum poeta por ai. Talvez seja esse meu coração de criança, meu coração de mulher, meu coração de guerreira. Não importa. Juntas, todas as Joyces, creem numa coisa: dessa vida não vamos levar nada, a não ser um coração cheio do amor que recebemos!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Simplesmente

Quando ando pela manhã, corpo e mente a passear, vou me deliciando com pessoas, fatos e coisas que encontro pelo caminho. É quase uma meditação, não fossem os tropeços de encontros. Sinto prazer em coisas já esquecidas pela maioria das pessoas, um treino diário de sentidos. Sinto gostos e cheiros pelo caminho, treino meu tato e minha fala. Ouço só o que me interessa.
Faço de um exercício obrigatório fonte de prazer e descobertas.
Viro menina.
Descubro, enfim, que gosto das coisas simples. Sinto prazer em admirar flores despercebidas, em sentir perfumes não desfrutados, fotografar em minha mente o despercebido. Ouvir a conversa - sempre alegre! - dos pássaros e fazer dela meu cântico. Até da brisa que me refresca sinto prazer.
No caminho, treino bons dias. Faço disso uma provocação, uma brincadeira. Respostas poucas, raras, sempre vindas de bocas também simples. Delas vem o papo fácil, dócil, interessado, franco. Delas vem o sorriso espontâneo, caloroso. Delas vem a verdadeira sabedoria. A elas me apego como a um elixir de saber e de ternura. Delas, minha leveza para o dia que começa. Aceitam-me em sorrisos,
fazem de minha presença, festa. E eu comemoro.
Pego-me pensando se não seria o saber forçado, embrutecedor. Se não seria o ter imposto, carcaça metálica. Luta consigo mesmo, diária, em busca de não ser feliz. Se soubessem que sorrisos e olhares , gestos tão singelos, operassem tantos milagres, sairiam das salas de espera de tantos médicos...
Sigo, enfim, esperançosa, de encontrar melhores exemplos pelo caminho...
e os encontrarei , onde estiverem, pois são meu espelho.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Ah, Minas

Nas poucas viagens - efetivas, é claro - que fiz na vida, nenhuma delas me encantou tanto quanto Minas Gerais. Não sei se por ter entrado pela porta da frente e recebida com olhares admiradores, se pelo jeito de sabiamente parada no tempo, se pelo cheiro de romantismo no ar.
Refiro-me aqui à Minas encantadora que me apresentaram, que aprendi a amar, que tem um brilho só seu, um charme enorme sem pretensões. Charme de uma conversa deliciosa arrastada noite a dentro, de uma malícia mansa e ingênua, de uma comida que não carece de gostar.
Charme do simples, do saber ser, do saber receber, do saber se dar.
Lá aprendi muito com a Vida. Aprendo. De lá veio minha compreensão máxima do Amor. De lá veio meu amor pelas palavras benditas, na mesa do botequim ou ao pé do ouvido. De lá veio meu amor pelo simples, pelo prazeroso, pelo bem viver. De lá veio meu conhecimento e minha compreensão de mim mesma,
menina-mulher e gente.
E hoje, mais que nunca, minha parte mineira me acordou.
Veio de mansinho, beijo com gosto de café.
Senti seu cheiro, seu jeitinho mineirinho de fazer amor. Entrego -me aqui, eternamente apaixonada,
numa infinita saudade, em forma de poesia leve e faceira,
guardada há tantos anos em uma gaveta muito amada dentro de mim. E só dela.
Ah... Minas
Minas tem ar de pão com queijo, cheiro de doce deleite,
tem barulho de boa conversa e gosto de beijo.
Terra de todo encanto, que tudo encanta.
De palavras arrastadas em riachos lentos de poesia.
Minas não tem pressa, mas tem sede. Sede de romance, sede de vida bem vivida.
Minas não passa, vive. E vive de um vai e vem de boas novas, de canção e prosa.
Minas não encanta, hipnotiza. Pára a fala e a vista até dos mais destemidos – coitados dos desavisados.
Tem na cor do ouro seu prestígio. E nas suas ladeiras, memória....sonhos de Marílias e Dirceus, todos.
No sobe e desce da Vida, Minas apaixona e atiça, e de nossa presença , brinca, e nada desperdiça...
E Minas tem os mineiros e ai, ah... minha amiga, ai é uma bem outra história......

quarta-feira, 4 de março de 2009

Sal

Talvez o maior presente em escrever estas Simples Palavras são as manifestações, sempre tão ou mais poéticas, sobre meus textos, meu pensamento, meu jeito, eu mesma - ou pelo menos como me veem aqui. Fico extasiada ao encontrar em tantas pessoas tal manifestação da arte em si, de seus sentimentos, de seu lado romântico, em meio a selva dita urbana. São tesouros escondidos dentro de todos nós, esperando serem descobertos, nessa procura incessante em que me vejo. Um tesouro que nos serve de comida, de alento, de própria vida. São eles, meus poetas, meus amores, platônicos ou não, que me alimentam com suas palavras, e meu quase fetiche pelas benditas .
Mas um especial toca-me fundo com sempre bem escolhidas palavras, bem colhidas em um campo lindo com cheiro de flor. Colho-as, admiro-as, toco-as enquanto me tocam. Sinto seu cheiro, provo seu gosto. Coloco-as em minha frente , como um presente, um prêmio diário pela minha insistência em ser feliz. Vem intensas, sempre, em doses pinceladas de carinho, de paixão, de amor, do desejo respeitoso do ser que sou. Para ele, meu lindo e delicioso poeta com gosto de sal, sou luz, sou estrela, sou puro amor. Se diz meu seguidor (" nunca, por um dia, deixei de percorrer esta ponte que me leva até ti" ), se diz meu aprendiz ( "nunca tinha feito amor com as palavras, tu ensinaste-me isso... escrevo-as e és tu"), se diz meu admirador ("o amor, indefinível por natureza, encontrou em ti um templo supremo, uma fonte eterna" ). Se faz eu mesma ("me reconheço em ti").
Feito um Amor Maior, vejo-me nele. Encontro nele um Porto.
Um Porto que recebo e me recebe como sou, nus e inteiros.
...És espelho de minh'alma e me entrego a ti, sem pudor...

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Alexandre O'Neill

terça-feira, 3 de março de 2009

Arma

Tive mais uma conversa com minha Vida (amo isso!), que me lembrou, novamente, do exército grande e poderoso que tenho dentro de mim. Enquanto conversávamos, vi meu exército todo, lindo, forte , em vermelho e dourado. Era gigantesco, daqueles que a gente se arrepia nos filmes. E eu à frente, montando a estratégia, comandando a vontade, tirando de meus homens (ou seriam mulheres?) mais até do que ousavam pensar em dar. Ali , novamente, minha voz, sempre intermitente, de que só sei ser por inteira, só sei ser plena, só sei ser total. Minha força está ai, compreendo agora. É dela que tiro meu último fôlego, minha lição de vida, minha força interna - mesmo quando é tão difícil achá-la.
Mas, ao ficar ouvindo ainda mais a deliciosa voz da Vida, pousa em mim meu lado mais prazeroso, meu lado feminino, meu lado menina-mulher. E - decepcionaria a mim mesma se não falasse - lembro também deste meu lado doce, sereno. Sim, tenho um lado doce, que deixo aflorar em outras tantas batalhas com a Vida. A Batalha da Escuta, quando me calo frente , quase em frénésie , à Sabedoria. A Batalha do Auto conhecimento, quando me fala de minhas tantas Joyces que teimam a brigar.
E a Batalha do Amor.
Ah... a Batalha do Amor...posso até lutar, posso até apontar minhas armas - e as uso, todas, com destreza. Mas, afinal, me entrego, lânguida, perene, sem titubear, num total abandono de mim mesma. Baixo as armas, entrego meu Ser ao Guerreiro do Amor. Faço dele meu Mestre e Senhor, em obediência cega. Sou sua escrava, me deixo levar aonde ele quiser. Internamente sei, tenho plena clareza, de que eu sou eu a Grande Vencedora, de que essa guerra será por mim vencida, quando o Guerreiro, satisfeito com minha entrega, se entregar também. E ali, descubro, enfim, a minha maior arma...

segunda-feira, 2 de março de 2009

Pílula do Amor

Escutei nas chamadas da TV alguma coisa sobre "pílula do amor", que promete manter as pessoas apaixonadas por mais tempo. A ciência até já "provou" que ficamos apaixonados pela mesma pessoa no máximo por 2 anos, decaindo a relação depois. Minha mente viajandona foi até alguns filmes onde uma simples pílula e/ou o uso de uma cápsula/casulo levava o sujeito ao êxtase, sem o menor envolvimento com alguém.
Espero, sinceramente , que sejam tudo teorias, ou fórmulas científicas, tentando provar que até o amor é apenas uma espécie de ocorrência, de sistema dentro da gente. E que, se estiverem certos e
transformarem também o amor e o gozo em mercadoria comprada na farmácia ,
eu já esteja em outro mundo. De preferência, gozando das delícias naturais disso tudo.
Porque querer transformar aquilo de mais empolgante que há na vida - paixão, tesão, sexo, amor - em réles pílula encontrada em uma prateleira qualquer? Onde vai parar toda aquela deliciosa sensação da atração, da sedução, que começa na troca de um simples olhar? Que faz o sorriso escorrer pela boca, as palavras mais doces, a fala mais mansa, o corpo mais leve? Onde vai parar o toque que arrepia, o primeiro roçar de pele, o primeiro calor, o sentido do cheiro e do gosto? E onde enfim vai parar a m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a sensação do primeiro beijo - e de tantos outros que virão - que liga tudo, que nos faz vivos e entregues?
Quero estar bem longe desse mundo quando isso acontecer. Mas antes disso, sigo do meu jeito romanticamente e imprevisivelmente intenso. Se possível, me apaixonando todos os dias, todas as horas, todos os minutos, pelos meus amores, que são muitos.
Ou por um só, que me cative de vez!

domingo, 1 de março de 2009

Gula

Hoje acordei gulosa. Já vou de cara assumir esse meu apelido, dado de coração e aceito, mas de forma diferente. Deram-me, como um alerta, pela minha voracidade em relação a tudo, minha pressa de viver. Acato e sigo em frente, pois alerta de pessoas que nos são muito especiais
a gente guarda na gavetinha perfumada do coração.
Deixo lá, latejante, e sigo.
Tenho gula da Vida.
Gosto de vivê-la intensamente. Aborrece-me a Vida mais ou menos. Aborrece-me tudo mais ou menos. Aborrecem -me as coisas mal resolvidas, as coisas deixadas para trás, as palavras ditas nas entrelinhas. Sigo intensa, sempre. Apressada. Volúvel. Volátil. Exagerada mesmo, assumo, tanto nas coisas boas quanto nas coisas más. Não sei comer pela metade (problema!), não sei falar pela metade (terrível defeito!) , não sei rir pela metade (ou se ama ou se odeia...). Também não sei ser amiga pela metade, ser mãe pela metade, ser mulher pela metade. Nem muito menos amar , me entregar sem ser por inteiro, sem ser por completo. E depende do outro esse encontro, esse fogo ser de palha ou eterno.
Preciso de uma resposta, de uma troca, de um complemento, pois nem isso sei ser: sozinha.
Sigo cheirando tudo, provando tudo, sentindo tudo, vivendo tudo e tudo ao mesmo tempo, se couber. Assumo aqui meu grande "pecado" frente a todos: Gula. E que atire a primeira pedra quem não me aceitar como sou...porque eu estou ocupada, visualizando minha próxima taça de sorvete......