quinta-feira, 5 de março de 2009

Ah, Minas

Nas poucas viagens - efetivas, é claro - que fiz na vida, nenhuma delas me encantou tanto quanto Minas Gerais. Não sei se por ter entrado pela porta da frente e recebida com olhares admiradores, se pelo jeito de sabiamente parada no tempo, se pelo cheiro de romantismo no ar.
Refiro-me aqui à Minas encantadora que me apresentaram, que aprendi a amar, que tem um brilho só seu, um charme enorme sem pretensões. Charme de uma conversa deliciosa arrastada noite a dentro, de uma malícia mansa e ingênua, de uma comida que não carece de gostar.
Charme do simples, do saber ser, do saber receber, do saber se dar.
Lá aprendi muito com a Vida. Aprendo. De lá veio minha compreensão máxima do Amor. De lá veio meu amor pelas palavras benditas, na mesa do botequim ou ao pé do ouvido. De lá veio meu amor pelo simples, pelo prazeroso, pelo bem viver. De lá veio meu conhecimento e minha compreensão de mim mesma,
menina-mulher e gente.
E hoje, mais que nunca, minha parte mineira me acordou.
Veio de mansinho, beijo com gosto de café.
Senti seu cheiro, seu jeitinho mineirinho de fazer amor. Entrego -me aqui, eternamente apaixonada,
numa infinita saudade, em forma de poesia leve e faceira,
guardada há tantos anos em uma gaveta muito amada dentro de mim. E só dela.
Ah... Minas
Minas tem ar de pão com queijo, cheiro de doce deleite,
tem barulho de boa conversa e gosto de beijo.
Terra de todo encanto, que tudo encanta.
De palavras arrastadas em riachos lentos de poesia.
Minas não tem pressa, mas tem sede. Sede de romance, sede de vida bem vivida.
Minas não passa, vive. E vive de um vai e vem de boas novas, de canção e prosa.
Minas não encanta, hipnotiza. Pára a fala e a vista até dos mais destemidos – coitados dos desavisados.
Tem na cor do ouro seu prestígio. E nas suas ladeiras, memória....sonhos de Marílias e Dirceus, todos.
No sobe e desce da Vida, Minas apaixona e atiça, e de nossa presença , brinca, e nada desperdiça...
E Minas tem os mineiros e ai, ah... minha amiga, ai é uma bem outra história......

5 comentários:

  1. Não sou poeta alem mar, não sou mineiro, nem seu amor ( ou sou, não correspondido). E continuo nesta fidelidade canina, só pelo prazer de te ver se debruçar sobre a vida todos os dias...

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  2. A foto ( Igreja de N.Sra do Carmo , na colina de Santa Quitéria , ao poente )e o texto , resultado de um apurado garimpo das bateias do seu coração, derretem até o ouro , dessa vida dourada que conseguimos ter....bjs no norte

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  3. Gostei do "fidelidade canina"! Mas acho que é mais que isso, um vício, algo assim que se usa sabendo do "mal" que traz, mas sem, não tem graça!! Beijos , Linda!

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  4. Minha querida Joyce, vc me emocionou com suas palavras tão lindas sobre a minha amada terrinha. Minas sabe mesmo como se deve amar , com sua falta de pressa , sua prosa no pé de ouvido , sua paciência para conseguir seus objetivos.Que bom que aqui te marcou de forma tão linda . Suas palavras me beijaram com se tivessem boca . Vc é maravilhosa .

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  5. Diante de tanta poesia,sede do passado e a busca de uma nova Joyce, completa e transparente, só me resta pedir aos astros que te protejam e que encontres o teu verdadeiro caminho: O da felicidade...
    Bj no coração( Meg)

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