sábado, 7 de março de 2009

Desapego

Tenho , na grande maioria das vezes, um amor desinteressado pelas pessoas (meus amores de verdade são raros, peças únicas...). Quando as conheço e me apaixono - e isso é fácil, se gostarem do meu jeito livre e risonho de ser - me entrego quase que de rompante em forma de gestos amplos, palavras benditas e abertos sorrisos, ao vivo ou como eu virtual. Sou mestra nisso: no interesse desinteressado, a não ser o de fazê-las - e ser - mais felizes. Sou a que chega chegando, como se diz por ai. Entro na vida deles até onde permitirem. Vem do meu jeito já tão falado aqui, de não saber ser metade, não saber ser menos.
Sou, e isso me basta.
E vejo , metade tristeza e metade espanto, que muitas delas não estão acostumadas. Não sabem ou não se permitem amar e ser amadas. São enrraizadas no concreto do mundo: nada além do convencional se permitem ser ou acolher. Há uma desconfiança geral que , antes de me assustar, me preocupa. Sinto da parte deles uma carência geral que não sei se é boa ou ruim, mas é. Uma carência desconfiada e de pé atrás. Habita a grande maioria dos corações, até dos mais solicitados. Vejo que a beleza de estar vivo, de saber viver , não está na pauta, e que amizade leal e verdadeira não está mais no cardápio da vida de muitos. Se soubessem que assim , desconfiados e presos a tantas convenções, a tanta "normalidade" perdem tantas chances de ser feliz...
Independente deles, sigo minha rota, meu rumo, meu caminho recheado de ternura. Aproveito as tantas chances que a vida me dá, a todo minuto, de ser e de fazer mais feliz. Treino, assim, meu desapego. Pessoas, amores, amigos não são meus. Nem filhos, já dizia algum poeta por ai. Talvez seja esse meu coração de criança, meu coração de mulher, meu coração de guerreira. Não importa. Juntas, todas as Joyces, creem numa coisa: dessa vida não vamos levar nada, a não ser um coração cheio do amor que recebemos!

2 comentários:

  1. Niso tens toda razão quando dizes "Sou mestra nisso: no interesse desinteressado, a não ser o de fazê-las - e ser - mais felizes", pois me fazes mais feliz a cada dia que passo para apropriar-me um pouco da tua fantastica sabedoria!

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  2. Essa tua crença nesse amor desinteressado nos enche de esperança de que esse mundinho cão tem ainda remédio... Lindo texto, como sempre!

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