terça-feira, 3 de março de 2009

Arma

Tive mais uma conversa com minha Vida (amo isso!), que me lembrou, novamente, do exército grande e poderoso que tenho dentro de mim. Enquanto conversávamos, vi meu exército todo, lindo, forte , em vermelho e dourado. Era gigantesco, daqueles que a gente se arrepia nos filmes. E eu à frente, montando a estratégia, comandando a vontade, tirando de meus homens (ou seriam mulheres?) mais até do que ousavam pensar em dar. Ali , novamente, minha voz, sempre intermitente, de que só sei ser por inteira, só sei ser plena, só sei ser total. Minha força está ai, compreendo agora. É dela que tiro meu último fôlego, minha lição de vida, minha força interna - mesmo quando é tão difícil achá-la.
Mas, ao ficar ouvindo ainda mais a deliciosa voz da Vida, pousa em mim meu lado mais prazeroso, meu lado feminino, meu lado menina-mulher. E - decepcionaria a mim mesma se não falasse - lembro também deste meu lado doce, sereno. Sim, tenho um lado doce, que deixo aflorar em outras tantas batalhas com a Vida. A Batalha da Escuta, quando me calo frente , quase em frénésie , à Sabedoria. A Batalha do Auto conhecimento, quando me fala de minhas tantas Joyces que teimam a brigar.
E a Batalha do Amor.
Ah... a Batalha do Amor...posso até lutar, posso até apontar minhas armas - e as uso, todas, com destreza. Mas, afinal, me entrego, lânguida, perene, sem titubear, num total abandono de mim mesma. Baixo as armas, entrego meu Ser ao Guerreiro do Amor. Faço dele meu Mestre e Senhor, em obediência cega. Sou sua escrava, me deixo levar aonde ele quiser. Internamente sei, tenho plena clareza, de que eu sou eu a Grande Vencedora, de que essa guerra será por mim vencida, quando o Guerreiro, satisfeito com minha entrega, se entregar também. E ali, descubro, enfim, a minha maior arma...

5 comentários:

  1. Se na batalha das simples palavras já és mestra, se na batalha da vida já és nossa Deusa, nem quero imaginar como és na batalha do amor...se o fizer, se ousar faze-lo sem consegui-lo, celibato será o meu caminho....

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  2. .........pensei, pensei, rascunhei, apaguei....... não cabem aqui palavras para descrever minha admiração por esse texto em especial... te entregas também assim, como no amor, a nós, aqui, todos os dias.......e perecemos....

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  3. "entrego meu Ser ao Guerreiro do Amor. Faço dele meu Mestre e Senhor, em obediência cega. Sou sua escrava.."...Quem te mereceria? Quem ousaria te escravizar? Escravo ele - pena não ser eu - dessa submissão não imposta a esse ser indomável que és!

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  4. putz...! (desculpe...mas só me veio essa a exclamar!!) uau!

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  5. Volto a mim mesmo e reconheço-te nos traços, nas cores, nos sabores, no perfume, no toque, na pele…
    Porto, num dia qualquer de um ano por inventar. O dia amanheceu neste céu plúmbeo, chove.
    De novo cerro os meus olhos e vejo o teu mar. Porto, sabor a vento pejado desse sal que dá sabor e tempera a própria vida.
    Porto de armadas guerreiras, de batalhas que escorrem nas histórias destas pedras de granito onde me sento e te vejo.
    Preparo as palavras, aguço o engenho, invoco a protecção de deuses passados, quase esquecidos no tempo. Desenho com os lábios os gritos de guerra, e parto, uma vez mais, ao teu encontro.
    Tempestade. Astrolábios que me levam. Bússolas que me dão o mapa do teu corpo, da tua alma, do tesouro que guardas em ti.
    Sinto cânticos e espuma na proa de um veleiro. De novo à procura do segredo que encontrei, de novo a viagem, de novo a batalha do amor teu. Luta eterna, resgate de quem quer se dar para sempre.
    Ergues-te no teu mistério de mulher. Enfrentas a antecipação desejada do confronto. Os teus olhos reúnem todas as mulheres que encerras. Desfilas o exército poderoso do teu próprio corpo.
    Olho-te, olhas-me.
    Fúria, ânsia, desejo gritado no latejar do sangue que se mistura. O silêncio da guerra. O segundo que escorre como gota de suor e que marca como ácido as nossas peles. A tua marca, a minha marca.
    O tempo está suspenso, só restamos nós e o olhar. O teu, o meu. Os limites desaparecem esbatidos na luz intensa que se desprende.
    E no calor desta batalha faz-se vida. Faz-se água, faz-se terra, faz-se fogo, faz-se ar.
    Chegam os sons, acordam todos os sentidos e nesse momento, encontrado em ti mesma, somente me gritam as palavras… “E é amar-te assim, perdidamente…”

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