sexta-feira, 17 de abril de 2009

Ah, cães


Ah, os cães.
São, mesmo, as melhores companhias.
Sempre do nosso lado, mesmo que não queiramos, mesmo que o nosso humor esteja para lá de atravessado. Extremamente intuitivos, sabem quando estamos necessitando de carinho ou de gargalhadas. Espertos, sabem a hora de agradar e de pedir agrado. Sabem a hora de pedir atenção e a de dar o que tem de melhor. Não nos questionam, não nos reprimem, não nos dizem não. Não nos falam que estamos errados, não nos questionam em nossas loucuras, sejam lá quais forem. Seguem-nos pela vida, gloriosa ou não. Seguem-nos nos penhascos e na areia macia da praia. Seguem-nos com olhos confiados. Dão-nos o silêncio reconfortável de seu olhar que parece dizer: "Ei, eu estou aqui...". Quão relaxantes são seus olhos de uma paz infinita! Quão caloroso o toque em seu pelo, quente, que nos acalma. Quão confortáveis seus olhos que nos entendem. Parecem saber a hora do silêncio e a hora de nos fazer rir.
Ah, que bom seria se fossemos, todos, feito os cães. Que bom se sentíssemos mais o outro antes de criticá-lo. Que bom se ouvíssemos mais o outro antes de dar nossa nem sempre aproveitável opinião. Que bom se soubéssemos a hora de calar, de abraçar, de beijar, de estar ao lado apenas. A hora de fazer rir e brincar. Se tivéssemos o calor dos cães, ah, muita coisa seria resolvida sem uma única palavra expressa, sem um único gesto indomável, sem um único senão.
Ah, se fossemos como os cães, seríamos mais felizes. Fiéis ao que sentimos, fiéis ao que cremos, sem meias medidas ou meios conceitos. Sem meio amar.
Ah, se fossemos como os cães, a vida seria plena de vida. E nós, plenos de amar.

Ah, se o meu cachorro soubesse falar
eu passaria horas com ele a conversar sobre a minha vida,
e ele, com toda paciência, ficaria a me escutar,
e depois, num gesto amigo,
me lamberia.
(Doriana Albuquerque)

Um comentário:

  1. Uso até uma coleirinha rssssssssss. Lindinha, até num texto descontraído destes vejo tua luz!!!

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