sábado, 11 de abril de 2009

Bem viver

Ontem dei-me ao imenso prazer de rever o filme O Carteiro e o Poeta, que fala do exílio de meu querido Pablo Neruda na Itália. Fala de sua paixão pelas pessoas, fatos e palavras. Sua atenção sobre a vida. Lindo, emocionante, apaixonante filme. Da fotografia em tons pastéis e pinceladas de rosa, aos diálogos e pensamentos, os intensos lugares, à sonoridade da romântica língua italiana. Tudo perfeito. Fez , e faz, despertar a poesia que há dentro de cada um. Fala da simplicidade das coisas, de ver a poesia em tudo.
E da força das palavras. Palavras...ai... dá-me até medo falar delas...
carregam meu ser para dentro delas, furtam-me o juízo!
Numa das melhores cenas, a mais hilária e verdadeira, a tia da mocinha encantada pelas poesias do recém poeta carteiro fala do perigo delas, das palavras. "Melhor duas mãos dele em ti do que suas poesias em teus ouvidos" diz ela. Concordo. Palavras bem ditas nos deixam leves, sonhadores, entregues. Indefesos. Tira -nos as amarras, as dúvidas, as incertezas.
Tira-nos os pés do chão.
E é aí que mora esse delicioso perigo dessa entrega despudorada a elas...
Ver poesia em tudo, qual dádiva. Quem dera. Da cor do bom vinho ao seu gosto em minha língua. Dos olhos maliciosos do amante ao sabor de sua boca na minha. Do olhar guloso da Vida ao seu toque delicado em mim. Poesia em tudo, quem dera. Seria o mundo mais feliz e amoroso, um mundo de palavras verdadeiras e sentimentos puros , sem máscaras e sem rompantes, a não ser os do amor.
Seria, a meu ver, um mundo de bem viver!

2 comentários:

  1. Sério Joyce, sem convencimento, mas hj estah td de bom! A leitura me deixava leve, e eu ouvia a música do filme.... Por momentos qdo leio teus textos, começo a imaginar que existe felicidade. Beijos Ma. Feliz Páscoa!

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  2. E as fotos? Ah as fotos! Preciosidades! Bendita internet! A de hoje então! Ma

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