sábado, 4 de abril de 2009

Chuva

Meu silencio da madrugada cortado pelo barulho da chuva. Bom para dormir, diriam. Bom para escrever, penso. Melhor ainda para namorar, fantasio.
Ah, quem me dera um banho de chuva, infinitos beijos em forma de gotas. Acho chuva sensual, dessa que escorre pela gente, que nos arrepia. Gosto do gosto da chuva. Tem sabor de infância na boca de menina, paixão na boca de mulher. Gosto de seu barulho compassado, me seduz. Gosto do cheiro que exala da terra, da flor, do ar. Tem gosto de preguiça, de deitar abraçado, de beijo na testa. Gosto de amor.
Aprendi com minha mãe, sabia poeta, estas pequenas maravilhas da vida. Gostar de chuva e de vento, de temporal e raio. Vibrar com o mar revolto, com a areia dançante, com a furta cor do céu, com os raios de luz. E , mais ainda, o brilho explendido do depois, as cores vivas das coisas lavadas, o cheiro bom da terra encharcada. Chuva , relembro, tem cheiro de sopa quente, gosto de bolinho de acucar, maciez de lençol velho de algodão.
Bom se chovesse dentro de mim, penso. Renovaria minh'alma, lavaria meu coração, deixaria-me macia para a Vida. Faria -me mais colorida, mais viva, mais cheirosa. Colocaria-me para dormir.
Doce chuva, chuva doce, adoça minha vida e me faz dormir feliz!

Um comentário:

  1. Passeias pelo texto hora como menina, hora como mulher de uma forma que me sinto entregue!!! Es uma delicia!!!

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