quarta-feira, 15 de abril de 2009

Chuva

Ontem caiu uma chuvinha perdida, mais anunciada que própria. Mas o seu barulho, o cheiro da terra molhada, a música dos trovões...nossa...quanta paz! Dei-me o presente de ficar a observar essa dádiva pela janela, sentir seu hálito, escutar seu cântico. Saudade da infância, dos temporais na praia, para mim dia de festa. E como a natureza fica bonita depois! Cheirosa, colorida, radiante, límpida.
Assim deveríamos ficar depois de um dia - ou momentos - de temporal em nós.
Ontem pedia colo, hoje não sei. É como se o tempo estivesse pedindo um tempo dentro de mim. Um tempo de parada, um tempo de espera, um tempo de pensar. Talvez saudades do que sei. Talvez pressa do que virá. Talvez a certeza, talvez o talvez. Vontade de algo que não sei, falta de algo que não tenho ao alcance das mãos. Pode ser isso tudo e mais um pouco.
Ontem choveu, hoje faz sol. Talvez seja só um jogo da Vida para me testar. Ela me quer inteira e feliz, completa no seu amor. Para isso, muita chuva, muitos raios e trovões em meu caminho, muito ainda a ser trilhado. Ontem choveu, gotas de cadê você. Hoje não mais, secando as lágrimas com o sol. Devo estar mais bonita. Assim deve ser. Presente da Vida, a me educar.

Um comentário:

  1. Nossa...voce dá um requinte tão grande a palavras e sentimentos tão aparentemente simples...ou seria o contrário? Lindo texto, voce e eles cada vez melhores e mais dentro do meu coração...

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