quinta-feira, 23 de abril de 2009

Colchas

Uma das lembranças de infância mais doces talvez sejam as colchas de retalho. De restos de tecidos ou de quadradinhos de tricô, traziam nela toda a candura do fazer pelas mãos, do construir uma a uma as partes de um todo feito para aquecer e agradar. Dias a dias, meses a meses a fazer cada pedaço daquele, feito um rosário. Terços inteiros, sem penitência. Pensando no todo, paciência e estratégia. Pensando nos filhos, pensando na vida, olho na novela. Pensando nas cores, nos pontos, no alinhavo, nas combinações. Visualizando o tudo, o conjunto, o calor, o amor incutido em cada peça. Uma a uma, cortar o tecido ou tricotar os fios sortidos. Uma a uma , partes de um todo, pedaços de uma história. Quebra-cabeças de vida, livro de contos. Cheiro de casa de praia, de pão de casa, de doce de goiaba.
Calor de colo de mãe, de colo de vó, calor de lar.
Que tão boas lembranças tinha a nossa infância...onde foram parar? Que lembranças terá meu filho, se não tiver colchas para admirar? Infâncias de vídeo game e desenhos na TV, gosto de bolo comprado e fantasias de heróis enlatados.
Minhas colchas de retalho, modernas, são feitas de conversa e massagens nos pés, feitas de bem ensinar e bem educar. De caminhadas ao sol e risadas ao acordar.
Minha colcha de retalhos, falo para a Vida, são feitas para durar...


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