domingo, 5 de abril de 2009

Espera

Plena noite e eu aqui, mais uma vez, à espera da Vida.
Uma espera longa, silenciosa, esperançosa. Ela tem me feito esperar, por vezes, horas a fio, na ânsia de ser feliz. Muitas vezes, tantas já, não vem na hora marcada, o que me deixa a pensar que outras coisas ela teria de tão importante senão viver-me; ela, que se diz eterna apaixonada. Fico no cais, a olhar o horizonte, à espera dela. Olho o mar e a procuro nesse mar revolto dentro de mim. Admiro o céu, inerte, mas ela não está lá. Silêncio, horas sem resposta. Está, lembro, enfim, e como ela mesma diz, dentro de mim. Sei, sinto, mas sinto sua falta. Sinto falta de seu toque seguro, de seu cheiro de musgo, da sabedoria doce que me acalma, da voz macia que me orienta. Sem ela, é como se eu conversasse sozinha, se eu sonhasse sozinha, se eu me amasse sozinha. Sem ela, pouco sal. Sem ela, pouco gosto, pouco gozo. Sem ela, cadê o amor? Onde está esse amor que ela mesma me ensinou e que não compartilha?
Então me vem à cabeça um trecho de um poema que recebi, bem sobre o tema, que dizia: "O amor se guarda em caixas invisíveis ou em lojas sem vitrines".
Meu amor, amor, é assim, visível, escancarado, ansioso de amar.
Meu amor, amor, não espera, amornece na sala de esperar.


2 comentários:

  1. Teu amar é o meu sonho...

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  2. Deixar-te a espera, seja la do que for, só se for cego...uma mulher como você à espera de mim, nem esperaria ... não sairia de perto!

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