domingo, 12 de abril de 2009

Páscoa

Domingo de Páscoa.
Meu cérebro foi bater na porta da infância. Ainda de pijama de flanela colorida, descalça, procuro ovos escondidos em algum lugar...sigo o rastro das patas do coelho que invadem a casa toda. Na cozinha, cheiro de macela recém colhida e de café com bolo, sempre o mesmo e sempre adorável. Minha mãe, com ares de nada sei e sorriso maroto, diverte-se com nosso procurar.
Gritinhos de "achei!", barulho de celofane, boca suja de marrom.
Ah, Páscoa. Cheiro de casa de tia, roupa de cama com cheiro de sol, riso de primo. Campo úmido de orvalho com ninhos escondidos. Achei, grito eu. Ninhos de ovos , tão coloridos, recheio de amendoim.
Para onde foi minha Páscoa querida? Eu a fiz, assim, feliz, até onde meu filho acreditou nas patas no jardim e cenouras roídas. Para onde foi minha Páscoa querida? Ficou tão somente nestas páginas, lindas páginas da vida. Voltarás, minha Páscoa feliz, um dia, para receber pijaminhas rosas e azuis sentados em meu colo e eu a contar por onde passei.
Beijos de chocolate, mordidas de bolo, bocas de café. Minha Páscoa querida vai voltar e eu a receberei de braços abertos . E de braços dados com a Vida.


3 comentários:

  1. Viajei no tempo contigo...sorte de quem te convive,tamanha a tua sensibilidade...Teu filho é um grande sortudo, espero que valorize isso, a força da mãe! Tua Pascoa é isso, deixar-nos felizes!

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  2. Nossa, que texto lindo! Não se fazem mais Pascoa como antigament e muito menos mulheres como voce!

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  3. Ai Joyce, a Páscoa....amo! Tenho os filhotes já grandes e maravilhosas recordações da caça ao ninho, de pijaminhas, ai.. que saudades.Beijos.Ma

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