quarta-feira, 13 de maio de 2009

Acorda!


No silêncio da madrugada, busco a inspiração para a vida. Eu e o silêncio, só. Eu com meus pensamentos, ele grande ouvidor. Há algo de benéfico, de fortalecedor nesta relação. Eu falo, ele escuta. Não interrompe, nem propõe, só escuta, e me olha com olhos de amor. Talvez dê respostas, por isso me acompanha, e eu me deixo acompanhar. No infinito do silêncio, procuro respostas. Estariam lá? Ou será ele grande companheiro a simples iluminar caminhos? No silêncio, muitas respostas. Cato-as, todas, e me ilumino, feito o sol.
Nele, arrumação de gavetas. Um infindar de arrumações e limpezas. Um infinito perguntar.
Uma infinita procura de saberes.
Daqui a pouco a vida acorda com seus risos e devo estar preparada. Acorda, menina, mais um dia começa, abre teu sorriso! Não vês que a vida é um jogo? Joga com tuas armas feitas de açúcar e afeto,
deixa na gaveta as pedras e os nãos.
Acorda, menina, e vai à luta!
Usa de tuas armas de sempre, teu sorriso e teu sim.
Levanta e vai!
Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos,
nem sujeitos a ataques súbitos de levitação.
O de que eles mais gostam é estar em silêncio -
um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios.
Um silêncio... Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.
Mario Quintana - A vaca e o hipogrifo

Um comentário:

  1. Tuas armas são feitas de belas palavras, cobertas de açúcar e afeto...tua beleza está nisso.

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