domingo, 31 de maio de 2009

Frio

Frio chegando, às vezes de mansinho, às vezes de rompante.
Pede agasalho, pede chá quente, pede proximidade. Pede vinho tomado a dois. Chama preguiça, vontade de se aconchegar e ali ficar, indefinidamente.
Paro para pensar que seja tempo de amar. De um estar junto,
de um conversar em baixo tom, de fazer-se presente.
Ah, o inverno, tão frio e tão quente.
Um chegar-se cada vez mais. Parece que aproxima as coisas, aproxima as idéias, aproxima as pessoas.
E não um aproximar de verão, rápido de chegar e sair.
Um aproximar lento, gradativo, sem pressa de soltar, de partir.
Gosto do frio. Gosto dessa sensação de precisar do outro para me aquecer. Do estar ali, de fazer parte do outro e ele de mim. Acho que é isso, enfim, que me atrai. Não só os vapores e fumaças, nem as manhãs nebulosas, nem o céu que fica ainda mais azul.
O que me trai é o outro, e como ele fica em mim...
Abraça-me, ah, abraça-me,
Mostra-me as estrelas no teu sorriso
O reflexo abrasivo de uma noite de verão,
No calor do teu corpo enquanto me amas.
Preciso ver o pôr do sol nos teus olhos
Como se fosse chuva a cair num mar de chamas.
Preciso saborear amoras nos teus beijos
Ah, nem sei…como traduzir a loucura destes desejos!
Abraça-me, ah, abraça-me...
Os lirios desfolhados reabrem-se nos teus braços.
Os rios entristecidos e moribundos,
renascem na explosão do teu corpo.
Eu abro-me para ti
como se fosse a Primavera
Tu ficas em mim,
Como ninho de uma andorinha.
Abraça-me, ah, abraça-me…
Inunda o meu corpo como se tivesses pressa
De desaguar na imensidade de um mar eterno.
Abraça-me amor...
Tapa o frio deste meu Inverno!
Vóny Ferreira

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