sábado, 23 de maio de 2009

Incógnita

Certo estava Drumond... mulheres, quem há de entender?
Queremos tanto da Vida e do outro que é quase impossível agradar. Nos apegamos a detalhes - uns ínfimos, outros nem tanto - e todos , aos olhos do momento, nos parecem gigantescos. Uma palavra não dita dali, um gesto não compreendido daqui. Um olhar esperado, a palavra que não veio, o elogio esquecido.
Uma eterna espera do que não veio.
Ah, nós mulheres, quem há de entender?
Queremos ser livres, mas adoramos quando alguém nos prende em doces abraços e longos olhares. Queremos ser nós mesmas, mas adoramos as sábias palavras e os conselhos servis. Vemos-nos guerreiras, mas sempre olhamos para o lado para ver no olhar do outro o sim ou o não. Batalhamos a Vida, mas sempre esperando que nos dê respostas, de preferência as que queremos.
Ah, nós mulheres, quem há de entender?
Mostramos-nos fortes e sonhamos com proteção. Mostramo-nos frágeis, esperando um incentivo à altura. Mostramos-nos mulher, sonhando sermos amadas como meninas.
Ou sendo menina, esperando que nos vejam como mulher.
Ah, nós mulheres, quem há de nos entender?
Só que nos ama. Um amor maduro e sem medo. Um amor de vendas nos olhos e alma aberta. Um amar o que somos, mesmo que desagrade. Um amar de nosso inteiro e de nossos restos. Um amar que nos desvende no silêncio e nos ache no escuro. Que leia nossos mais sutís pensamentos, e que aceite, mesmo que não compreenda. Um amar que nos surpreenda, sempre, com seu jeito de ser.
Um me amar por inteiro, eu assim, como sou.
Certo estava Drumond...
Para entender uma mulher é preciso mais que deitar-se com ela…
Há de se ter mais sonhos e cartas na mesa que se possa prever nossa vã pretensão… Para possuir uma mulher é preciso mais do que fazê-la sentir-se em êxtase numa cama,
em uma seda, com toda viril possibilidade…
Há de se conseguir fazê-la sorrir antes do próximo encontro Para conhecer uma mulher, mais que em seu orgasmo, tem de ser mais que amante perfeito…
Há de se ter o jeito certo ao sair, e fazer da saudade e das lembranças, todo sorriso… O potente, o amante, o homem viril, são homens bons… bons homens de abraços e passos firmes…bons homens pra se contar histórias…
Há, porém, o homem certo, de todo instante: O de depois! Para conquistar uma mulher, mais que ser este amante, há de se querer o amanhã, e depois do amor um silêncio de cumplicidade…e mostrar que o que se quis é menor do que o que não se deve perder. É esperar amanhecer, e nem lembrar do relógio ou café…
Há que ser mulher, por um triz e, então, ser feliz! Para amar uma mulher, mais que entendê-la, mais que conhecê-la, mais que possuí-la,
é preciso honrar a obra de Deus, e merecer um sorriso escondido,
e também ser possuído e, ainda assim, também ser viril… Para amar uma mulher, mais que tentar conquistá-la, há de ser conquistado…
todo tomado e, com um pouco de sorte, também ser amado!
Carlos Drumond de Andrade

2 comentários:

  1. Mas ai que está todo o encantamento! poenas sermos nós, hoemsn , tão incapazes.por isso voces, lindas mulheres, fazem gato e sapato da gente...e amamos isso!

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  2. Se é este o caminho para te conquistar, estou pronto!

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