domingo, 10 de maio de 2009

Z

Sou filha de poetiza.
Filha de mulher que escreve, declama, pinta e borda, em todo o sentido que isso possa ter.
Se herdei de minha mãe essas paixões - exceto o bordar, que o faço só na vida - não o sei. Se herdei dela a paixão pela vida, provavelmente.Se herdei dela a independência do meu ser, com certeza.
Se herdei dela tanto a garra quanto a teimosia, parece óbvio.
Talvez dela ainda a perspicácia, a autonomia, a dureza das verdades, a rara ironia. Também dela o desapego. Hoje, eu mãe, disso sei.
Faço o mesmo. Repito, mesmo as coisas que jurei não fazer. Deve ser porque estão certas. Estava certa.
Muito tempo questionando e criticando, o dobro repetindo e aceitando.
É, sou filha. Até o olho da cor do mar, o sorriso maroto, um não sei quanto de feição. Um não sei quanto de encantamento. Um outro tanto de deslumbramento, mais um tanto de orgulho. Um olhar que diz tudo.
Um sem palavras que é um discurso.
Mas principalmente um não parar, um não estar satisfeita,
um querer mais de tudo, de todos, da Vida, de mim, do outro.
É, sou filha, de um Z que me define. Um Z desfilado por todo o alfabeto.
Mesmo ao estar distante, porque mesmo o estando, perto estou.
Da sua teta, meu sustento.
Da sua teta, mais que leite: vida e letras.


Possuo um grande tesouro: minha ignorância.
Para mim é uma imensa alegria - vencê-la!
Se eu conseguir que os outros lucrem alguma coisa com aquilo que aprendo,
então minha alegria será dupla.
Desde que eu vá descobrindo coisas novas,
a vida vai ser maravilhosa,
embora demasiado curta
para tudo aquilo que quero aprender
Zeny Diehl

2 comentários:

  1. Herança, hereditariedade; seja lá o nome que se de, que bom que tens esse dom maravilhoso de lidar bem com as palavras e nos presentear diariamente. Teus texto são realmente inspiradores.

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  2. Que lindo e profundo essas palaras de sua mãe!
    Fico feliz minha loira...saber que herdaste esse talento...orgulho de mãe...beleza de filha!
    Besos mi rubia! :)

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