domingo, 14 de junho de 2009

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Minha teoria, uma de tantas, estava certa. Muito se conhece do outro antes mesmo de sabê-lo. Muitos connhecem meu ser antes mesmo de eu me mostrar. Talvez porque minha alma está nas palavras que escrevo. Muito de mim nelas, só visto , para os mais astúcios, na profundeza de meus olhos.
"Estava aqui pensado que gosto de seus textos, porque eles vivem em estado de pausa; são pausas silenciosas; pausa em busca de uma profundidade", disse ele, a me analisar.
Decifrava-me. Na troca constante de palavras e gostos - que amo de forma clara e aberta -
do que é belo e forte, muito de mim, muito dele, puro mistério.
Vejo, sim , pausas em meu ser. Nos textos, na palavras escritas e sabidas, no olhar, nos atos. Até nas imagens que capto, poesia pura. Talvez para não me expor. Ou talvez para aguçar. Um livre pensar. Um livre arbítrio.
Muito de mim no que chamei de reticências.
Três pontinhos que podem conter uma vida.
Um esconder-me.
Um ocultar-me a espera de que me decifrem. Ou apenas uma isca para que me descrevam.
Na vida clara, sei ser suscinta. Prática até demais. Mas nas imagens, escritas ou vistas, porque devo sê-la? Decifrada, deixo de ser desejo.
Decifrada, caio no esquecimento.
Que me procurem nas reticências...

Se queres me conhecer, decifra-me!
Antes que meu barco parta para o mar infinito,
viagem sem volta ao centro de meu ser.

Se queres me decifrar, escuta-me!
Falam meus olhos e meu escrever.
Neles, meu fio e meus caminhos a te mostrar no labirinto

Se queres me entender, cala-te!
Escuta meu silêncio.
Nele, muito de mim, tudo de mim, mais do que podias crer.
Nas minha pausas, eu, por inteira.
Nua e aberta.
Joyce Diehl



2 comentários:

  1. Estava ansioso pelo texto de hoje. Saciar meu vicio. E valeu muito a pena espera-lo.
    E saber-te poeta, alem de escritora, nem chega a ser uma surpresa. A surpresa foi senti-la livre, mais ainda, em forma de poesia...nos deves outras!

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  2. Se decifra-te é comer essa maçã...ah...pobres de nós que sonhamos em faze-la!

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