sábado, 27 de junho de 2009

Colo


Teoricamente, cresci. Mas existem lembranças e sensações da infância que nunca passam. Vêm cheias de um perfume de outrora, cheiro de jasmim. Como dançar com os pezinhos apoiados nos do meu pai para dançar. Ou o doce e morno beijo na testa quando eu, já na cama,
preparava-me para dormir.
Mas nada substitui a doçura de um colo. Dois firmes braços me envolvendo feito concha. Ali, muito de calor, aconchego, ternura, amor. Muito de proteção, de aceitação, de bem querer. O abandonar-se no colo de alguém que nos quer bem traz uma sensação única. As intenções podem até mudar, até a forma, que pode vir como de um caloroso abraço. Mas a sensação é a mesma. Um aninhar-me. Um silêncio aprovador em forma de quietas palavras.
Um sussurrar de encantamentos.
Meu oásis.
Eu quero um colo,
um berço,
um braço quente em torno ao meu pescoço,
uma voz que cante baixo
e pareça querer me fazer chorar.
Eu quero um calor no inverno,
um extravio morno de minha consciência
e depois sem som, um sonho calmo,
um espaço enorme,
como a lua rodando entre as estrelas.
(Fernando Pessoa)

Um comentário:

  1. Que delicia de texto, minha linda! Quanta luz emana dele! Teu mundo de menina-mulher aberto para nós. Tua doçura me encanta e sei qeu não se fecha só nas simples palavras: assim o és!Doce , terna, entregue a vida. Linda!

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