quarta-feira, 3 de junho de 2009

Folhas

Outono , ao contrário do que dizem, parece-me o mês das cores.
O céu está num azul infinito, não maculado por manchas brancas. A luz do sol incidindo mais de lado, não tão a pino, mostra um amarelado especial em tudo. Tudo parece brilhar mais, feito ouro. Tudo parece mais poético, sem o vibrante que ofusca no verão, mas não menos forte. Outono parece-me denso. Uma estação que não se impõe. Apenas espera. Está ai sua força, penso.
No esperar a sua vez, sábia estação.
Ah, e as folhas. Mortas, dizem. Mas aos meus olhos, lindas e vivas. As cores me encantam. Paro para admirar seus tons de verde pálido, seus muitos laranjas, breves toques de vermelho.
Ah, as folhas. Mortas, mas não para mim. Gosto das cores, de como mostram suas veias, de como se orgulham de suas rugas, do barulho que fazem ao dançar com o vento. E como dançam, felizes, desligadas do frio que me arrepia. Talvez dai venha o seu calor. Talvez dai o meu encanto. Da dança com a Vida, sempre tão receptiva, sempre tão amorosa Vida. Sempre tão caliente Vida.
Ah, folhas, se dizem mortas, mas com muita coisa ainda para viver.
Tristezas no chão
são folhas de ontem
que o vento carrega
Trecho da música Tristeza de ontem, do grupo Sampa Crew

2 comentários:

  1. Exalas poesia por onde passas. Acho isso incrivel, porque nota-se que não é apenas nas palavras. És, sim, pura poesia.
    Encanta-mes , também e sobretudo por isso...

    ResponderExcluir
  2. Minha doce menina,tenho inveja da vida a quem tanto amas...caminhas por ela como que a passear. Dai tua leveza e toda tua beleza!Saudade do teu sorriso...

    ResponderExcluir