quinta-feira, 11 de junho de 2009

Ideal

Perguntaram a mim como seria meu par ideal.
Não parei para pensar, tratando-se apenas de uma pergunta,
não um "sim" frente ao padre.
Falei o que me veio à boca, direto do coração.
Não procuro deuses gregos, pois eles não quero um amor só de ver.
Nem atletas indomáveis, pois não me é o amor um jogo.
Nem tão pouco os jovens sem estrada trilhada e sem parada.
Meu amor ideal tem palavras na boca, de onde saem mornas.
Morno também seu colo a me aconchegar.
Tem histórias de vida a me contar ao pé do ouvido enquanto me abraça a me aquecer. Tem nos olhos mar manso, porto seguro a me esperar.Tem sorriso pronto, mãos que mostram o caminho, passadas firmes que me levam...
direto para a Vida.
Meu par ideal se sabe e me cabe. Não preciso ensinar...
Talvez não ser é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando o meio-diacomo uma flor azul,
sem que caminhes
mais tarde pela névoa e os ladrilhos,
sem essa luz que levas na mão
que talvez outros não verão dourada,
que talvez ninguém soube que crescia
como a origem rubra da rosa, sem que sejas, enfim,
sem que viesses , brusca, incitante,
conhecer minha vida, aragem de roseira, trigo do vento,
e desde então sou porque tu és,e desde então és,
sou e somos
e por amor serei, serás, seremos.
( Pablo Neruda )

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