domingo, 7 de junho de 2009

Maçã do Amor

Quando era pequena - em idade, porque minha alma ainda a é - não gostava de maçã do amor.
Pode ser pelo cheiro da fruta que, sem o doce, perfumava meus cadernos da escola no caminho a presentear a professora. Ou pelo cheiro de circo, tão intimamente ligado à ela,
nas tardes de riso por vezes forçado, na falta de outro.
E hoje, amo.
Gosto de infância, pode ser. Gosto das tantas coisas que só se gosta depois de perder. Cor, sabor, cheiro, lembrança. Encanta-me a casca, crocante doçura carmim, grudando no dente ao primeiro morder. E o contraste dela com um interior claro e suculento.
Adoro sentir a mistura de dois, doce e azedo, duro e macio,
fazendo farra em minha boca.
Talvez me encante o lambuzado infantil. Talvez o lugar onde a vejo, circo ou festa. Ou me leve a passear de mãos dadas com a minha criança interior, sempre tão presente e sempre louca para festejar com a Vida. Talvez essa criança me faça rir de sua travessura, de seu babar de felicidade, do pingo na roupa,
língua no lábio, dedo chupado.
Não sei porque, mas hoje adoro maçã do amor. Quem sabe pelo fetiche de ser acordada por um beijo de príncipe. Paixão pelo nome ou pela travessura, essa que me faz amar sorvete, picolé e jujuba.
Talvez sejam gulas novas, fugas da meia idade.
Quem sabe fome de passado.
Ou somente, e tão somente, minha moleca querendo viver tudo o que pode com a Vida.

2 comentários:

  1. Talves a propria maçã do amor seja uma bela descrição de ti: uma surpresa, uma mistura, um encantamento sem se saber de onde. Uma delicia, destas que nao saem de nossa cabeça. Simples e, ao mesmo tempo, tão dificeis de encontrar.

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  2. Adoro ver voce se chamando de moleca, porque é assim que a vejo. Um mulher-menina-moleca que sabe bem viver! Esta ai todo o seu misterio e todo o meu encantamento! Beijos mineiros,com gosto de doce de leite...

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