terça-feira, 30 de junho de 2009

Maré


Li uma frase das que gosto, daquelas simples, e que me fazem parar para pensar: mares calmos não fazem bons marinheiros. Serviu como uma luva. Melhor, como uma bóia, um bote salva vidas. Na maré estranha em que me encontro, tal pensamento serve como um consolo, um mérito.
Minha praia tem se mostrado estranha, nada visível. Olho ao longe tentando enxergar o dia de sair mar a dentro, mas o mar está em dias traiçoeiros. No silêncio dele, muito de revolto, como a total falta de sons que agitam as energias antes do temporal. Ele está ali, bem na minha frente, esperando para dar o bote. Um tombo. Um afogar-me. Um levar-me sempre além. Um tirar-me o ar, um perder de mapas, quebrada de bússolas. Um perder-me.
Tentativa vã de me derrubar. E eu, respeito. espero a hora certa. Fui criada na beira do mar. Reconheço e respeito seus humores. Conheço muitos de seus segredos - e ele, dos meus.
Dele, muita sabedoria, muito lição a mim.
Sábios são os pescadores que ficam a esperar o momento certo de agir, lançar barcos e redes de pescar. Do mar, tirar seu sustento e seu ensino. Se não dá, deitam em suas outras redes, ficam só a olhar.
O mar seu chefe, eles a respeitar.
(Crédito da foto: Rose Diehl)

4 comentários:

  1. Alivio ao te ver melhor hoje. És uma guerreira, uma pescadora de larga experiencia, não vais te perder no mar da vida. E bem por isso, meu amor cresce, a cada maré...

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  2. Vai, minha linda, enfrenta teus mares!! Marujo para te ajudar não deve faltar rssssssssss

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  3. É isso aí garota! Já aprendeste muito bem algumas lições (mesmo que não tenhas consciencia). Eu te vejo muito mais como uma Fenix, pois sempre resnasces das tuas próprias cinzas.

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  4. mares calmos não fazem bons marinheiros.
    AMEI! Ma

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