quinta-feira, 4 de junho de 2009

Meu mar

Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera
para que continues me olhando.


Recebi este pequeno presente assinado pelo delicioso Pablo Neruda. Jóia rara. Tanta emoção em tão pequeno poema. Tanta sabedoria em poucas e amadas frases. Como tudo que vem desse poeta que me encanta justamente pela simplicidade das idéias e profundidade de sentimentos.
Falava de meus olhos, da intensidade deles, mesmo que em simples imagem. Mas se assim não fosse, como usá-los? Que serventia além de me mostrar por inteira, como sou?

De que serviriam além de ludibriar ou disfarçar o rosto já envelhecido pelo tempo?
Meus olhos, entre verde e azul, não me servem como alento ou máscara. São minha alma. Aos atentos a eles, nada de palavras - seriam redundantes. São feito túnel, caminho direto para me conhecer. Hora de menina, hora de mulher, mas sempre sinceros, sempre diretos. Uso-os como forma de conhecer o outro.

Penetrar nele, reconhecer no outro o que representa para mim.

Pequenos camaleões em meu rosto, mudam de cor ao sabor do sentimento. Vagam ao sabor da maré do dia. Pura vivacidade e luz. Reconheço-os como tal. Penetrantes. Intensos. Assustadores aos mais desprovidos de aventura. São meu espelho, não sei ser menos. Não sei ser outra. Só sei ser.
Sigo olhando o mundo do meu jeito. Sigo compartilhando com a Vida o que temos de melhor para nos dar. Encaro-a de frente, entregando a ela - e tão somente a ela - o meu melhor. E ela, apaixonada, submetida, reconhece nestes faróis toda a luz. Se perde neles, faceira . E se entrega também, na profundeza desse mar. Mar que Deus me deu e que sei bem navegar.


5 comentários:

  1. Nem é necessário - nem prudente - conhecer teus olhos pessoalmente. Se na foto já emanas toda a beleza desse mar interior, ao vivo deves destroçar corações. Provocar tsunamis...
    Vontade de mergulhar e me perder...

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  2. Se Neruda te conhecesse, até ele se renderia...faria mil poesias só para tentar explicar, em vão, a força desse olhar!
    E tu, apaixonada pelos poetas como és, não nos daria a menor chance! Fariam belo casal, bem ao estilo de O Carteiro e o Poeta ...
    E eu? morreria de ciúmes, mas certo de terem feito, os dois, a perfeita escolha...
    Ah, se o grande poeta visse esse mar...

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  3. Será esse um 'bem' de família? Também eu me torno transparente com meu olhar. E se não entendem o que meu olhar diz, então penso que não vale a pena gastar saliva para tentar explicar com palavras...

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  4. Ah, esses olhos... inesqueciveis........sorriem, encantam, dão luz ao lugar....sortudo de quem os conhece, mas impossiveis de esquecer!

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  5. ...dos olhos a alma, o ser. Que mais há para dizer além do olhar? As palavras em toda sua importância se diluem diante dele, porque não há nele engano, não há troça... apenas o amor da verdade interior. Porta da alma, olhos para quem vê, são tudo que se quer no outro ser... Tudo o mais emoldura o olhar e nele se vê...que mais há para dizer...
    GL

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