quarta-feira, 10 de junho de 2009

Sobre o escrever


Amo escrever, isso é fato. Necessito disso. Em vão querer mudar.
E para isso, preciso de um ponto de partida, um passo, um pensamento vago. A idéia - ou inspiração - que pode vir de qualquer lado. De qualquer coisa, vista, sentida , ouvida, pensada. De uma palavra, bem ou maldita. De um ponto, de uma vírgula. De um tudo ou um nada. De uma primeira letra a um turbilhão,
túnel de tempo.
E mais: escrever, para mim, pede momentos de distração. De abstrair-me. De afastar-me do caso. De ver as palavras escritas de longe. De analisá-las sem pudor. Assim cria-se em mim espaço para novas idéias - ou as mesmas, recodificadas, ventiladas, refrescadas pelo vento do novo. Um respirar ao cérebro e à alma. Uma maturação, talvez. Não em barris de carvalho, mas alojadas em mim, em lugar quente e abafado, bem como se proliferam as bactérias e os fungos. Feito praga boa. Peste que faz florescer.
Escrever pede distração. Uma distração focada, não dispersa no total.
Concentração de verdade só nos momentos de total abstração deste mundo, nas tantas viagens, reais ou virtuais, que a Vida me cata e me leva para conhecer novos mundos.
Aqueles, de coloridos a dourados, perfume de flor e musgo,
caminhos que só ela me sabe levar...

2 comentários:

  1. Joyce, a mim parece que nasceste para isso mesmo. És divina exatamente porque teus escritos são tu mesma; refletem, ao menos para mim, teu estado de espirito a cada dia. E, confesso, sou tua fã incondicional.

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  2. nem rpecisavas dizer que amas escrever. É tão nítido! Está à flor da tua pele, está em teus poros, que deixas transparecer aqui, nestas sempre tão simples e fortes palavras!

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