quinta-feira, 2 de julho de 2009

Amores



Recebi uma mensagem que me tocou fundo. Sobre o amor. Eu que falo tanto dele, não havia refletido deste outro lado do amor, tão essencial em mim. Do lado de dependência do amor. Do amor como um sentimento unilateral. E está certa a mensagem, apesar de minha relutância.
Amar depende do outro, não se ama sozinho. E nem se tem poderes e certezas sobre ele. Muito menos sobre o amor do outro, nem sempre refletido em nós como e o quanto queremos. Isso é real. Nada romântico, mas real.
A mensagem trouxe um trecho do livro "As mais belas questões da filosofia no cinema"do filósofo Ollivier Pourriol, que dizia : "Amar não depende apenas de nós. Amar é depender. Depender de um objeto que pode sempre nos escapar, uma vez que não formamos senão um com ele. Se amamos uma pedra, é fácil , podemos ficar tranquilos guardando-a em casa ou conosco. Impossivel fazer a mesma coisa com um homem ou uma mulher. A bem da verdade, não podemos sequer ter certeza de que a pedra nunca será roubada, perdida ou quebrada. Na medida mesma em que ela nos é exterior, em que não faz parte de nós, dependemos dela se a amamos. Amar um ser humano é ainda menos fácil, por dois motivos, pois, primeiramente, não estamos seguro do amor do outro,e, em segundo lugar, não temos certeza da duração,
da perenidade desse amor ".
Mas quanta coisa há de se guardar de um amor. Quando amamos, e nos entregamos a esse amor, tanta coisa muda em nós. Transpiração, inspiração, fôlego, feições. E quando se vai, ah... quando se vai...deixa uma marca, sempre e para sempre, como uma lembrança de não ter sido em vão. Feito um sinal, uma tatuagem. Basta um perfume, um aroma, uma risada, uma voz, um nome, e tudo volta à tona feito um vendaval. O tempo volta, feito túnel do tempo. Tudo volta, sem avisar. Cheiro, gosto, cor, calor, sabor. Como se o tempo não existisse,
passado e presente em um só lugar.Adicionar imagem
Ah, e o que se dirá de amores que vem surgindo ou ressurgindo ? De rompante ou de mansinho, alojam-se em noss'alma , retém nosso espírito. Feito sol de inverno, vem de mansinho. Damos atenção, pedimos seu carinho, não vendo o perigo. E que calor podem dar!
Amores são amores, os de ontem e os de hoje.
Não são meus, são da Vida.
Mas deles muito a guardar!

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