sábado, 18 de julho de 2009

Desejo

Recebi hoje um vídeo com um texto sobre a pessoa certa e a pessoa errada. Diz-se do Luís Fernando Veríssimo, não sei.

Falava do óbvio, não aceito por nós: gostamos, sempre , da pessoa errada, da coisa errada. A certinha nos enjoa, cansa-nos logo. Tudo muito previsível, tudo muito correto, tudo muito ensaiado, cansa. Como uma peça ou um conto que já sabemos o final , sempre "feliz". Está sempre ali, capítulo a capítulo, meticulosamente ensaiado. Não nos provoca, não nos incita, não excita. É sempre morno, sempre o mesmo gosto, hospitalesco, sempre o mesmo prato na mesma hora, que um dia esfria.

Por isso gostamos dos amores errados, dos amores arrebatadores. Dos amores que nos esquecem por dias, ou nos alimenta com migalhas que corremos para catar, tentando matar nossa fome, agora implacável. Do sabor que se espera com ansiedade, sem hora para chegar, e nos vem deliciosamente arrebatador. Saboreamos cada migalha com um cuidado especial, sentindo todos os seus gostos, sentindo todos os seus prazeres. Saboreamos o momento com verdadeira paixão, sem saber quando e se será repetido. Zelamos por ele, tiramos e damos a ele o nosso melhor, numa tentativa de o marcarmos como nos marca. Na espera de que voltem.

Ah, os amores errados. Já chegam com gostinho de partida. Doce prisão, de deliciosas algemas que recebemos e nos deixamos usar. Podem doer, podem magoar, mas fazem nossa pulsação disparar. Fazem-nos vivos. E deixam um gostinho de quero mais.

Ah, os amores errados, sempre tão certos. Sempre tão meticulosamente certos.
Sempre nosso tratamento de choque.
Ai, como é bom errar!



2 comentários:

  1. Pego minhas migalhas aqui todos so dias pela manhã, que alimentam meu dia com sorrisos perdidos, pensamentos vagantes. Agora entendo...e mais uma vez fostes tu que me ensinastes: é meu amor errado!

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  2. Ai, como é bom errar!!!!

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