terça-feira, 14 de julho de 2009

Labirinto

Conta a mitologia que Teseu, um jovem herói ateniense, sabendo que a sua cidade deveria pagar a Creta um tributo anual - sete rapazes e sete moças, a serem entregues ao insaciável Minotauro que se alimentava de carne humana - solicitou ser incluído entre eles. Em Creta, recebeu de Ariadne, a filha do rei Minos, um novelo que deveria desenrolar ao entrar no labirinto, onde o Minotauro vivia , para encontrar a saída. Teseu entrou o labirinto, matou o Minotauro e, com a ajuda do fio que desenrolara, encontrou o caminho de volta.
Como prêmio, levou consigo a princesa.
Labirintos tem essa particularidade, esse mistério e medo, de não se achar a saída. São como cada dia que amanhece, todo ele feito de surpresas, se não estivermos trancafiados na rotina, se fechados ao novo. Mas, quem não amaria arriscar se tivesse um fio condutor, um seguro de volta? Quão boa seria a viagem se tivéssemos certeza do bem voltar? Quão deliciosa seria a vida se tivéssemos certeza de achar nela só bons caminhos?
Não, não se engane, não teria graça. São as muitas encruzilhadas, os muitos labirintos, os becos sem saída que nos dão tempero. Um arriscar que faz bem. Os frios na barriga. Uma aposta que não se sabe o prêmio. Nada melhor que ver a vida como um cassino, ganhar ou perder, a adrenalina da mesa de jogo, das fichas apostadas, do som da roleta. A empolgante espera de saber se as fichas estavam na casa certa...
Trajetos são precisos, escolhas mais ainda, uma a cada segundo. Sem elas, não há vida. Sem, elas , não há entusiasmo. E como único fio condutor, nossa intuição, nosso livre arbítrio, nossa pele que se arrepia ao menor aviso.
Eles, nosso fio de Ariadne.

3 comentários:

  1. Eu? Tenho o fio de Joyce, que orienta meu dia feito uma gota de felicidade!Se ele, meu dia se perde...

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  2. Eita menina danada!!...heheheeee
    gostei da analogia, a gente precisa destas figuras para poder comparar-se e se situar no nosso contexto. Decerto que essa questão nos incomoda a cada dia, mas sabe que a gente nem percebe? Deixamos de fazer muita coisa por acomodação e por não querer correr riscos! Menina, valeu!!
    Bjs...
    hahahaaaa

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  3. Concordo, é preciso ousar sempre. Ter coragem, persistencia e, principalmente estar atentos para não nos perdermos de nós mesmos.É claro que os desvios acontecem e são importantes para nos certificarmos do que realmente queremos e voltarmos ao caminho que nos leva a nosso objetivo final.

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