terça-feira, 7 de julho de 2009

Spa


Estou necessitada de praia. Sou. Estou quase em crise de abstinência, tamanha vontade. De uma caminhada ao sol, pés na água salgada e gelada, passadas na areia morna. Uma bela massagem nos pés e na vida. Um descarrego completo. Um olhar perdido no mar, o escutar de seu mantra. Não há para mim nada mais repousante. Nada mais resgatador de mim mesma. Nada mais ativador de minha essência. Um mero caminhar lento no sol me faz nova. Um caminhar sem pressa e sem batimentos fortes. Como um deixar levar-me.
Quando pequena tive a sorte de conviver com o mar. E desde pequena, amo fazê-lo. Um rir sozinha, um falar internamente, um silêncio meu que agora me falta. Uma terapia. Uma meditação. O massagear de pés no chão, o aliviar de pernas na água, um libertar-se de pensamentos, um perder-se de vista. Um Spa, só para mim.
Completo o desejo - já que desejo não se paga, por isso posso pedir muito - com um demorado mergulho. Tratamento intenso e interno. Limpeza geral de meu corpo e de meu eu. Sentir o vibrar da pele e a leveza do meu ser. Sentir-me inteiramente entregue e renovada, o corpo vivo e a alma lavada. Meu banho de vida. Eu, nova, para ela.
Eu ontem passei o dia
ouvindo o que o mar dizia.
Chorámos, rimos, cantámos.
Falou-me do seu destino, do seu fado...
Depois, para se alegrar, ergueu-se,
e bailando, e rindo,
pôs-se a cantar
um canto molhado e lindo.
... os poetas a cantar são ecos da voz do mar!
António Botto, em 'Canções'


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