quinta-feira, 16 de julho de 2009

Treino

Passada a síndrome da abertura do festival de dança - mas não o cansaço - e revisadas todas as coisas, dei-me ao luxo de sentar num canto qualquer - na imensidão de um lugar quase vazio, ao contrário da noite anterior - e ver uns poucos ensaios da mostra competitiva - a marcação de palco, acerto de luzes e sons. A aluna tentando acertar, a professora - ou seria treinadora ?- pedindo acertos mínimos. Um reiniciar repetitivo, sem cansaço, a perseguição de uma perfeição do que eu já achava perfeito. Uma ,duas, três, quatro vezes a mesma coisa, o mesmo passo, o mesmo repetir, a mesma procura. A voz alta e enérgica de quem manda, a tentativa incessante e incansável de acertar de quem obedece. Uma obediência cega e surda.
Que bela aula nos dá a dança. Pode ser um espetáculo de uns minutos ou de uma hora, quantas horas, dias, meses de treino para o acerto de um só passo. Quanta procura de acertos no já certo. Quantas aparas no já correto e perfeito aos olhos de quem admira - mas não de quem seleciona.
Que bela lição de entusiasmo, de interesse, de uma conquista árdua por tão poucos minutos de glória. Uma glória efêmera e vaporosa que se perde se não captada pela bela lente de algum fotógrafo mais atento. Um detalhe que se perde em meio a tanta beleza, somente visto pelos olhos de lince dos jurados. Uma aula de persistência, de manutenção de foco, de caminho árduo para o correto.
Se fossemos assim com nossas coisas, seria até bom. Mas nada divertido. E eu prefiro o viver, o bem viver. E sorrir, sempre, o ser leve, sempre que der e a Vida aceitar. Meu palco é o mesmo, minha procura pelo meu melhor, também incessante. Mas meu jurado sou eu mesma. E sei bem onde quero chegar!



2 comentários:

  1. Isso é bem verdade - que o treino leva a perfieção - mas eu gosto mesmo é deste teu imporviso, deste teu falar por falar, da tua alma exposta nas palavras e gestos. Nisso, teu encantamento pela vida. Nisso, o meu encantamento por ti!

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  2. Felizes nós mortais que assistimos a esse espetáculo sem procurar erros e sim, deixando-se levar pela beleza dos movimentos.
    Os críticos não sabem o que perdem....
    Meg

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