sexta-feira, 31 de julho de 2009

Vontade


Voltou a chover, uma chuva fria de inverno. Ainda bem que é final de semana. Acho que vou proclamar dia da hibernação. Tomar muito chá quente, pegar filme no vídeo, enroscar-me com o filho debaixo das cobertas. Aninhar-me. Entocar-me. Nem ver o dia passar.
Não me importo com o frio. Mas com chuva junto, parece que a umidade entranha na gente. Gela meu corpo, deixa-me estagnada - apesar que minha mente continua a mil. Então, vou usar de minhas melhores armas, minha alegria e meu espírito infantil. Quem sabe assim engano meu corpo e ele se acelera?
Dias de frio e chuva são dias de lembranças. Vem a imagem de minha avó, menos de metro e meio de calor, cheiro de banho tomado e alegria. Acho que herdei dela o ser criança, sempre, além da mania, desde pequena, de usar lenços no pescoço, quase uma marca registrada. E de comer! Chuva era sinal de ovinhos recheados e bolinhos de chuva. E de belos empadões do que tivesse na geladeira. Nem me importava de ter que limpar a cozinha, tamanha bagunça. Fazia do cozinhar um ritual, uma mágica, entre nuvens de farinha e de louças sujas. E nós a esperar o raspar de panelas, as lascas de massa.
Dela também a ideia de calor de colo. Era grande e quente. Cheiroso até. Macio. Desses que se procura até depois de tempos. Desses que se procura no colo do amado após o amar. Colo de sossego e carinho. Colo de amor.
Faço de hoje um dia perfeito para minhas carências. Perfeito para um colo. Pena não tê-lo como gostaria. Vontade de um colo satisfeito, ele de mim e eu dele, eu menina, ele homem. Eu sendo dele, ele minha vida. Ele me embalando, eu entregue.
Colo de não sair. Colo de amar.





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