segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Menino Jum

Tive , mais uma vez, a honra de escutar as sábias palavras de Jum Nakao. Foi na quinta feira passada, num ambiente cheio de pessoas a quem quero muito bem. Noite perfeita. E cada vez que o escuto, mais vejo de outra forma o criar. Para quem não conhece seu trabalho, entre tantos, está o desfile na São Paulo Fashion Week em 2004, onde, para horror da platéia vip, as peças, de papel meticulosamente trabalhado em rendas e detalhes, foram rasgadas pelas próprias manequins, sem dó, em plena passarela.
Um marco.
Jum fala com muita propriedade sobre a criação, seja na moda ou na arquitetura, meu campo. Seu falar manso, pausado, em contraposição com as imagens fortes e som incessante, mantém a atenção. E a tensão. Um sonho de 182 dias tendo como auge o rasgar. A imagem, difusa, das meninas rasgando o trabalho perfeito, dos espectadores entre riso e choro, estupefatos, emociona. Prende. Tira a respiração, solta a emoção. Choro, mais uma vez.
Jum ensina uma das coisas mais difíceis da vida: o desprender-se. Mostra que a criação vem do muito transpirar, de ideias e mãos. Prova que para construir temos que desconstruir. Que para se ter o novo temos que abandonar o velho, não na vida, mas em nosso poluído cérebro. Ele crê nisso, aposta nisso, vive isso. E da forma mais calma possível. Vejo ali uma lição para tudo.
Um desprender-se para fazer brotar.
No olhar de menino, consciência de homem. No trabalho do homem, esperança de menino.
Um menino que tem muito a ensinar.

domingo, 30 de agosto de 2009

Compensações

Descubro que tudo tem, mesmo, seu lado bom :
meus olhos ficam ainda mais azuis quando eu choro...

sábado, 29 de agosto de 2009

Banho

Adoro banho. Sentir a água morna em mim, o cheiro do sabonete e óleos, a pele de bem com a vida. Adoro banho inteiro, da cabeça aos pés, sem poupar nada, sem desvios. Adoro banho demorado, pleno, completo.
Banho é para mim uma terapia. Meu auto carinho diário, minha massagem no ego. Como se me livrasse do que não quero. Ali organizo o dia, revejo as coisas, penso na vida. Ali me alongo, como se quisesse completar o tratamento. Respiro fundo, ponho para fora o que não me serve, de dentro e de fora. Sai pelo ralo a água, para mim, suja. Leva muito de mim, muito do que não quero. Fica em mim o que mereço. Deixo na pele o perfume do dia, a sensação de um bom começo.
Ah... e os perfumes. Paixão a parte. Podem ter cheiro de criança e despertar a que ainda existe em mim. Ou de flor, e despertar a mulher. Um óleo para animar e prolongar a sensação de leveza. A pele bonita, cheia de gotas de prazer. A mão passando pelo corpo, misto de reconhecimento e agrado. Meu presente diário. Meu bom dia bem dado.
E há de se reconhecer: como ficamos lindas, assim, nuas, de cabelo molhado...


sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Ciclo

Passei anos dentro de um baú, escondendo-me da vida. Tentei levá-la assim, como se fosse tudo normal. Achava que era só o que me cabia. Quando, enfim, acordei. Quando, enfim, sai. Não de uma só vez, não de rompante como poderia. Mas devagar, pensando, pesando as coisas. Acho que foi melhor. Assim, não corro o risco de voltar para lá.
Mas foi, como qualquer outro processo de cura, dolorido. Está sendo. Acho inspirador relembrá-lo, como forma de não errar mais. Muitos já disseram que se aprende assim, na marca a ferro e fogo. Se aprendi, ainda não sei. Mas sou outra. Ou melhor, sou eu mesma, como nasci.
Enfim, vejo a luz do sol lá fora. E amo vê-lo. Meu baú ainda está aqui, como prêmio ou alerta. Para me lembrar de quem sou, do que posso superar, da minha garra e persistência, teimosia quase, em bem viver. Consegui. Consigo.
Devo isso à Vida, eterna companheira. Incentiva-me todo dia, mesmo que distante. Ama-me como nunca fui amada. Ama-me, assim, cheia de meus bons e meus ruins. Ama meu lado menina e meu lado mulher. Ama-me mais do que eu mesma. Como nem eu sei se sou capaz.
Meu sol.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Meu hoje


Acho que toda mulher tem dupla personalidade, poderia eu dizer. Falo de carteirinha. E explico.
Vamos nos acostumando com a vida, levando as coisas, sendo perfeitinha em tudo. Casa, filhos, marido, vida profissional, amigos. A "senhora certinha" , como dizia uma mensagem que recebi. Sempre correndo atrás, sempre tentando ser melhor, sempre tentando fazer o melhor. Nada falta para ninguém. Um ninguém que nem sempre reconhece.
E para nós?
Talvez um café com amigas vez por outra. Ou comportados almoços entre familiares e amigos. Quem sabe , se der tempo, manicure, uma massagem, uma arrumada nos cabelos, um cuidar de nós - ou seria até isso umficar bonita para os outros?
Se der tempo, a gente lê aquele livro tão esperado. Se der tempo - e tiver companhia - a gente assiste aquele filme tão falado. Se der tempo - e se tiver onde deixar as crianças - uma pizza só entre adultos. Amanhã a gente lê, pensamos. Amanhã a gente ri. Amanhã a se dá valor. Amanhã serei amada. Amanhã a gente ama.
Amanhã serei feliz. Amanhã.
Não aceito. Minha outra Joyce quer tudo, e hoje. Tenho pressa. Quero meu ser por inteiro. Que me chamem de má. Que me chamem de incompreensiva. Que me chamem de egoísta. Que me xinguem e me queimem em praça pública! Quero ser feliz! Hoje, não só amanhã! Não quero mais verbos só em tempo futuro. Não quero mais um entupir de gavetas de sonhos e desejos. Quero ser eu, inteira e íntegra. Eu, assim como sou, não o que fazem de mim.
Quero Ser. Meu hoje. Eu.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Cabernet

Se eu fosse um vinho, pela minha cor de pele e minha vivacidade frente à vida, seria um Chardonnay. Desses, simples ao primeiro olhar, mas complexo ao paladar. Quem sabe aroma de frutas maduras e notas de amêndoas, coisas que amo. Não um leve e fresco, mas um marcante, ou como diria um sommelier,
"denso e elegante".
Mas penso que minha alma é de um Cabernet Sauvignon. Tem um tom profundo, pedra rubi. Desce seco ao primeiro gole, mas vai se adornando e seguindo lento, suave, pelo menos para quem entende sua complexidade. Como diriam "de paladar aguçado com notas iniciais de cereja, framboesa e amoras, cacau,
toques de torrefação ".
Enfim, em minh'alma, tudo que gosto.
Minha alma tem um sabor marcante, persistente, vigoroso.
Minh'alma se guarda em caves, se conhece aos poucos, lentamente, sem pressa, ao sabor do tempo. Minh'alma é puro mistério, assim como os vinhos. Minh'alma sou eu, poesia engarrafada.
Bebida para poucos. Meu néctar.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Poesia

Tenho me interessado muito por vinhos. Fico atenta e sempre vem para mim algo sobre eles.
E depois de uma visita à uma vinícula, nada mais natural. Conhecer seu processo, da terra à boca é, sim, uma viagem fascinante para quem, como eu, adora aprender.
Mas o que me encanta neles? Mais do que seu gosto, ou ritual de abrir, servir, sorver, a poesia. Sim, a poesia de descrever seu bouquet. Soam tão doces as misturas que parecem saídas de livros de Neruda. Quem sabe até seriam dos bouquets sua maior inspiração?
Cor, aroma, sabor, tudo descrito de forma poética, por vezes sensual. Colorações amarelo ouro, rubi intenso, vermelho sangue, reflexos castanhos. Aromas ricos, com notas de chocolate, frutas negras, cereja, leve mentolado, torrefação de café. Final de boca longuíssimo e provocante, equilibrado e envolvente, macio, leve toque picante.
Não seriam os enólogos, poetas? Não seriam os vinhos belas poesias engarrafadas? Sorvo cada palavra, cada gesto, cada gota, encantada. Um mundo de mistérios e prazeres.
Descubro tal fascínio, aos poucos. Entrego-me a eles, gole a gole. Ainda sem decifrá -los, mas já apaixonada. Absurdamente apaixonada.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Verdade


Pode até não parecer, mas sou um mulher bem romântica. Sonho com uma vida cor de rosa, como dizem. Uma vida suave, perfumada, feliz. Com um bem amor vivido em um quarto provençal, puro leite, paredes em floral lilás ou azul. Quarto de menina-moça. Acordar e dormir com um amor ao meu lado. Ah, que bom seria. Um belo bom dia, um sorriso no rosto. Saber que a vida vale a pena. Fazer a vida valer a pena. Aninhar-se para ver televisão, andar de mãos dadas pelas ruas, dormir em concha,
beijo na testa, colo e proteção.
Receber flores porque mereço. Abraços porque sou amada. Beijos porque sou desejada. Não espero grandes casas nem belos carros. Não espero grandes atitudes nem grandes homens. Não espero nada além do que se espera de um amor. Que me alimente. Que me supra as carências. Nada mais quero , a não ser que me ame.
Com fervor!

domingo, 23 de agosto de 2009

Rumos

Casa arrumada, meia casa limpa. Isso dizia minha mãe e nisso acredito. E vale para a casa e para a vida. Posso até não estar com meu íntimo totalmente limpo, mas uma arrumada na alma sempre ajuda.
Hoje é segunda, dia de organizar a semana, de se organizar. Como um recomeço. Tenho tantas coisas para ver - tantas que não quero - que só assim, de empurrão, a coisa funciona. Meus olhos está no futuro, espero que próximo, mas com muitas coisas desarrumadas ainda pelo caminho.
E se não dá para limpar, colocar para fora as coisas que não mais me cabem, pelo menos arrumar a casa. Pode ser até usando a máxima de estratégia: se não podes contra o inimigo, junta-te a ele. Se não posso mudar tudo o que e como quero , vou me alinhando, achando brechas, pegando meu rumo aos poucos. Burlando as regras, talvez. Ou pelo menos traçando regras paralelas. Traçando caminhos paralelos. Seguindo em frente, sim, parecendo ir para o mesmo lado, mas sempre de olho num atalho ou caminho meu. Um caminho próprio, que hei de achar.
Nisso tem razão a Vida. Leva a dela numa boa, parecendo não se importar. Leva a vida como se não tivesse nada paralelo. Traça seus caminhos , todos, como se fossem um só. Se vai ou não trocar de caminho, não sei, já que diz que o todo já está traçado, que basta confiar.
Com ela tenho muito a aprender. Mas dela não sei muito o que esperar. Faço a minha, paralela, da melhor forma. Torcendo para que, um dia, as nossas vidas voltem a se cruzar!

sábado, 22 de agosto de 2009

Matinal


Acordei com alma de criança. Leve, feliz pelo sol radiante. Rindo, muito, nem sei do que, nem de onde. Talvez porque seja domingo, dia que aprendi a gostar. Um dia sem pressa, sem destino, sem porquês, a não ser o de "nada" fazer. Sigo sem programas.

Domingo tem tido para mim cheio de lavanda, de banho recém tomado. Dia de um café sem pressa, de um passeio sem volta, de um nada apurado. Talvez lembre piqueniques sobre toalhas xadrezes. Ou caminhadas na praia aos sons do dia despertando. Ou talvez seja só o silêncio do dia que amanhece mais tarde.

Ah, e que belo deve ser o domingo ao lado de quem se ama. Um acordar sem muito pensar, uma preguiça dupla, devaneios matinais. Gosto disso, de um amor descompromissado, de um amor sem agenda, de um amor de bom dia. Um amor sem hora para acabar. Nele, o meu melhor, minha mais pura alma.
Um amor entre risos, leveza do ser. Meu tudo de bom.
Meu amor de menina, entre lençóis de flor...

Vitória

Levei anos para me convencer a pintar minha unhas de vermelho. Roi as minhas dos 6 aos 30 anos. Por isso, vê-las assim, fortes e vermelhas, dá uma bela sensação de vitória.
Pareço uma outra mulher!
Não que não cuidasse de mim, que não me importasse, que não tivesse vaidade. Roer era mais forte que eu. Minha luta da vez. E minha vitória de agora.
Aliás, a vida de uma mulher é sempre pautada em vitórias, da calça que entra depois de meses no armário, do filho já criado, do trabalho que se arranja, da faculdade terminada. E nos parecem - ou nos fazem parecer - por vezes, tão pequenas!
Para muitos, só mais uma coisa. Para nós, que deveríamos estar mais atentas, toda vitória deveria ser , e muito, comemorada. Estamos sempre no limbo, filha de tal, mulher de alguém, mãe de fulano. estamos, sempre, atreladas a alguém. Raramente vida e nome próprio. Até o sobrenome fica preterido, se deixarmos.
É a dita "tradição".
Ai que está: não sou ligada nelas. Na verdade, abomino. Sou uma pessoa. Tenho nome. Sou eu. Mulher. Posso até ser mãe de fulano porque disso me orgulho. Ou filha de ciclano, desde que me nomeiem. Não me cabe menos que isso, pois que batalhei.
Olho minhas unhas vermelhas, feito quem olha o primeiro vestido no espelho. Para muitos, só uma unha vermelha. Para mim, vitória sobre um vício. Para mim, vitória sobre o medo de me dizer mulher. Vitória sobre o medo de ser. Um acordar. E nas minha mãos, aqui,
bem na minha frente, meu prêmio.
Vermelho!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Girassol


Engraçado...tanta coisa para resolver, tanta pendência me travando, tanto a esperar da vida, e estou feliz. Incrivelmente feliz. Inacreditavelmente feliz. Talvez tenha sido o bom dia do sol, talvez a caminhada cheia de energia, talvez. Talvez seja um brilho já reconhecível no horizonte. Talvez algum presente futuro me aguardando. Talvez.
Talvez seja esse meu sorriso tatuado na cara, esse brilho alegre nos olhos e seus sem porquês.Talvez o anúncio de boa safra de mim. Talvez minha menina interna e seu olhar de girassol. Talvez seja a brisa do amor. Talvez o sabor da paixão. Talvez.
Uma coisa é certa, sem talvez: vou aproveitar. Aquecer-me com meu calor, sentir meu sol dentro de mim, sentir minha energia à flor da pele. Amar-me no espelho, vendo só as coisas boas. Rir-me por dentro com meus pensamentos, que andam faceiros. Sentir-me leve com essa brisa de contentamento.
Talvez isso seja viver. Talvez seja o caminho certo. Talvez seja
eu mesma, como gosto de ser.
Eu mesma, meu girassol.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Gosto

Em minha caminhada de hoje, sentindo o prazer dos músculos sendo requisitados, pensei, de novo, de quão pouco precisamos para sermos felizes! Uma vida saudável, uma cabeça boa,
um relacionamento atento.
Nada de afetamentos e acelerações, a não ser as do coração. Nada de academias e de dietas especiais, a não ser a do juízo. Nada de casas enormes para cuidar, nem carros complicados de manter.
O simples, sempre ele, rondando-me.
E não é demagogia de minha parte: gosto. Encantam-me as coisas simples, não afetadas, de pessoas a coisas. Um bom dia que alegra, a mão na mão, o beijo na testa. Até nas coisas ditas caras, chama-me a atenção a simplicidade da beleza. O ser belo por ser,
não por impor.
Não sou de fru-frus, nem de dourados. Não sou do brilho. Não sou de recheios e confeitos. Sou do bem feito e bem servido. Sou do puro. Da palavra sincera, da flor bem dada, do afeto espontâneo. Emocionam-me as coisas pequenas, os pequenos gozos, as pequenas fatias de felicidade. Provo-as, encantada, a bocadas de menina.
Degusto-as como se fossem únicas.
Meu alimento.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Mulher


Por trás dessa mulher aparentemente guerreira, forte, que por vezes assusta ou encabula, tem um eu guardado a sete chaves. Sou, assumo, extremamente romântica.
Um lado pueril e ingênuo, posso dizer.
Gosto de ser mimada, gosto de gentilezas, gosto do sutil encantamento de palavras e gestos. Que me abram portas, que se importem comigo, que me peguem pela mão, que me abracem e me abriguem. Gosto de pequenos gestos - para mim de muito valor. Um alô, um elogio, uma mensagem carinhosa, flores , mesmo que virtuais. Gosto de sinceros olhos que me digam algo, de uma mão que pega a minha de forma suave, um abraço não esperado. Amo beijo na testa. Amo declarações inesperadas, mesmo que sem nenhuma palavra.
Quanta coisa se vê em pequenos gestos, quanta força em detalhes discretos. Adoro um sentir-me segura, amada, desejada. Quando fazem escapar de mim um sorriso envergonhado, sentir a pele corando. Meu lado feminino aflorado.
Por trás dessa mulher aparentemente segura, muita procura de porto, onde descanso minhas armas e me entrego para a Vida. Dentro dela, um coração que dispara por um simples olhar...
Mulher, apenas.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Recomeçar


Fiquei lendo e relendo este texto de Fernando Pessoa , feito mantra:

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas
Que já tem a forma de nosso corpo
Esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares
É o tempo de travessia
E se não ousarmos fazê-la
Teremos ficado para sempre
À margem de nós mesmos..."

Tempo de sair da concha, deixar o casulo, tempo de tentar. Rasgar envólucros. Quebrar redomas que montaram em minha volta. Estou precisando disso dentro de mim. Um libertar-me do de sempre. Um limpar de teias que me prendem. Falta coragem, falta ousadia, falta. Por vezes, sinto-me engessada, por outras, rebelde, mas nada que me impulsione a sair de vez do lugar.
E sei que posso, sei que tenho essa força dentro de mim. Está escondida sob a pele, em algum lugar. Talvez me impeça o morno cotidiano, ou falte tempo no rápido passar das horas. Mas, sinto, nas veias, que é tempo de mudar!
Soltar minha guerreira, montar estratégias,
galgar espaço, ganhar batalha por batalha. Lutar! vencer!
Acorda, Alice, que tua hora já chegou!
Acorda, mulher que teu caminho está ai. Acorda, menina, e agarra tua vida pela crina.
Teu dia está ai, teu novo recomeçar!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Escolha


Recebi uma frase de uma pessoa que gosto muito. Manda-me, diariamente, mensagens que me fortalecem, que me deixam confiante em cada passo que dou na vida. Manda-me mensagens otimistas para fazer-me forte. E de carinho, para sentir-me bela. Todas de uma delicadeza ímpar, floridas e perfumadas. Fazem-me mais leve, mais sorridente, mais preparada.
Um elixir para o dia. Um belo bom dia!
"Ansiedade não esvazia o amanhã de suas tristezas,
mas esvazia o hoje de suas forças.
Ela não faz escapar do mal:
mas impede que avancemos, se ele vier",
Assim dizia a frase de Jhonn Wason certa manhã, bem acompanhada de lindas flores e de um querido "fique bem". Vi nela, além de muito carinho, uma bela verdade. Mais leve fica o presente se o levamos de forma consciente, sem o peso do amanhã, nem o tártaro do passado. Mais leve fica a vida, se não nos pré-ocuparmos com o que virá, diria minha mãe, não sei se por credulidade ou poesia. A caminhada fica pesada , os pés amarrados e nós sem forças para enfrentarmos os desafios do dia a dia.

Esperar pelo que não se sabe se vem, sofrer pelo que não se sabe se nos cabe, deixar-se corroer pelo que não faz sentido. Assim levamos a vida, sempre a sofrer pela chuva do amanhã, não vendo o sol brilhando na janela do hoje. Tirando-os a atenção sobre o presente, aqui, na nossa frente, lindamente embrulhado. E nos fazendo sentar na porta pelo que nossa mente persiste em esperar. Fazendo-nos de cegos, com medo de bem olhar.
Na minha estrada, muitas flores, perfumando meu caminho.

Basta eu ver e querer. Nada mais.

domingo, 16 de agosto de 2009

Viver

Vivi esse final de semana como não fazia faz tempo. Vivi-o intensamente, da melhor forma que imaginei. Vivi - penso - a Joyce como ela realmente e', plena inteira , risonha, interessada, aberta ao mundo. Fazendo da própria vida uma terapia. Um viver como gosto.
E não falo aqui de grandes coisas, não. Uma pequena viagem, em tão boa companhia, rindo muito, conversando muito, conhecendo coisas e pessoas. Seguindo de forma leve, a vida.
Descobrindo mundos, muitas viagens em uma só.
Aí esta a chave: viver, de forma simples, mas plena. Essa sou eu, penso. Lá estava a Joyce,a ntes escondida em algum lugar. Talvez sob a capa do medo, talvez sob a capa do cômodo. Com certeza sob a capa do cotidiano, confortável e chato. Aventura é isso, penso. Viver é isso, afirmo para mim mesma, como forma de me abrir os olhos. E o coração.
Há luz no fim do túnel, e muita vida para se viver!
Então, que me venha!

sábado, 15 de agosto de 2009

Viagens


Hoje vou fazer umas das coisas que mais gosto: viajar. Uma viagem curta, nem interessa, mas viagem. Saio para qualquer uma delas com meu espírito de criança ativado. Levo na mala curiosidade e olhos atentos, como sempre. E meu sorriso de contentamento.
Hoje , na verdade, farei duas. Uma por estradas jamais vistas aos meus olhos de poeta. Vou subir a Serra do Rio do Rastro que, por si só, já faz do meu passeio uma dádiva. Conheci suas curvas com olhos de menina e olho vou revê-la após tantos anos. Matar as saudades do belo que a imponente me traz.
E vou fazer uma viagem ao maravilhoso mundo do vinho. Uma vinícola me espera, com todo o charme que lhe é pertinente. Poesia pura, das videiras no campo formando desenhos às uvas furta cor ao sol. Do local, magnífico, ao néctar sendo produzido. Poesia em terra, tijolo e vinho.
Hoje farei muitas viagens, talvez muitas mais além do que imagino. Estou de alma leve, pronta para a aventura.
E fez um lindo dia de sol. Parece que até São Pedro está do meu lado. Quer ver sua menina feliz! Meu presente do dia, embrulhado com papel dourado.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Silencio

Fazer a diferença. Parece uma frase - e um sugestão - batida, mas tem seus méritos. Gosto de saber que faço diferença na vida das pessoas, seja quem e como for. Um só sorriso, um elogio não esperado, um agradecimento. Basta um olhar, muitas vezes. Uma única mensagem e o dia fica mais feliz. Um olhar mais acolhedor e a conversa muda.
Acho que vem acompanhada da ideia, quase fixa, de fazer o meu melhor. Nem sempre sei, nem sempre consigo, nem sempre agrado. Muito menos me agrado. Tento. Por isso tantas culpas. Ou porque não agradei, ou porque - pasmem! - agradei demais.
Soa falso algumas vezes,
mas a minha intenção é sempre boa, acreditem!
Falo isso porque recebi uma mensagem de alguém que magoei. E foi tão carinhosa comigo que me desconsertou. Devolveu de forma positiva tudo o que de ruim eu achava ter dado. Parei para pensar se havia mesmo magoado, mesmo em forma de silêncio - sempre a minha "pior" arma. Faço do silêncio minha arma branca, sem sabê-la tão pesada. Sempre usei, desde pequena. E sei de sua força, mas ainda assim acho a minha melhor forma de agir.
Já dizia a música que " o mal é o que sai da boca do homem". Acredito. Basta uma palavra errada, ou dita de forma imprecisa, pode mudar tudo. Incrível seu poder. Por isso me calo, faço do silêncio meu maior aliado. Há quem não goste dessa minha arma, há quem odeie até,
quem se magoe.
Mas, acredite. E pense nisso.
Pode ser uma bela forma de acalmar a mente...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Mergulho


Tanta gente falando mal da Internet, dos amigos virtuais, do dito alienamento em relação aos amigos ditos reais. Parece uma pandêmia (nova moda...): jornais, revistas, TVs, todos falando a mesma coisa. Uns criticando, outros defendendo. Acho que quem critica não tem - ou não fez - bom uso disso.
Não vejo muita diferença. Ou vejo: os amigos virtuais estão, sempre, mais disponíveis para conversar, ouvir desabafos. Mandam flores, lindas, todas as manhãs. Mandam recados que me fazem feliz. Deixam bilhetes no MSN. Sorrisos no Orkut.
Bato com eles "altos papos", seja de forma instantânea ou em forma de mensagens. Faço deles meu mergulho na vida, minha terapia diária. Não me julgam, não me recriminam, muitos dão conselhos, perguntam se estou bem. E eu a eles. Uma troca, uma bela troca. Não tenho muitos, ficam ali só os especiais. Somos todos, sim, carentes. Mergulhadores de um novo tempo. Exploradores de muitos mundos. Mundos que podem ser virtuais, mas meu carinho,
ah, esse é bem real...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Papo

Quando for ao Rio, não quero saber das visitas enfadonhas de turista. Essas coisas, já as fiz, em tempos de colégio. Dizem os amigos que tem muito de mim lá, que tenho que descobrir. Que a cor do mar lembra meus olhos (mas mar eu tenho por aqui, embora o namore bem menos do que gostaria) e que talvez eu me apaixone, definitivamente, pelo mar de lá.... Que a alegria do carioca combina comigo, e isso já o sei. Ah, e que Santa Tereza tem a minha cara ...
ainda bem que gostei dela nas fotos!
Aliás, o próprio nome da cidade me encanta....tem som de poesia, cheiro de alegria, de movimento - apesar de que eu acho que deveria se chamar Mar de Janeiro!
Ou Mar de Todo Dia! Quem sabe um dia?
Mas quero mesmo é me sentar e conversar com Drummond, com ou sem seus óculos furtados. Ouvir suas sábias palavras. Ou apenas admirá-lo em sua grandeza. Quem sabe sentir o gostinho do simples estar ao seu lado. E rir-me, incrédula, de tamanha criancice,
feito a menina da foto.
Quem sabe ele me ensina mais sobre o mar. Quem sabe ele me ensina mais sobre a vida. Quem sabe me ensina mais sobre o amor. Quem sabe sobre o amar, quem sabe.
Amor, o mar, amar - ele diria que já tinha ai muita poesia!
E , quem sabe, num momento de muito calor,
sussurrar ao meu olhar atento:
A vida escorre da boca, lambuza as mãos, a calçada....
Passagem do Ano, in Reunião — 10 Livros de Poesia

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Fome


Faz algum tempo falei com uma amiga que não comia por fome e sim pelos outros. Pelo pai, pela mãe, pela família toda. Pelo filho em fase decisiva da vida, pela falta de companheiro em casa. Comia pela falta de mim. Como se comer preenchesse lacunas. Com se comer me preenchesse. Um doce aqui, um café com leite acolá. Hoje, necessito de um salgado. Amanhã, de um biscoito doce. Outro dia, um chocolate. Como se cada um destes sabores suprisse algo,
preenchesse gavetas vazias.
Como coisas saídas do nada e muitas vezes até sem pensar. Como nas horas mais impróprias, as mais impróprias coisas. Como coisas que não gosto. Mato fomes, conhecidas ou não. Mato fomes inconscientes e também escancaradas. Procuro ali meus prazeres, fantasmas que me rondam. Tento matá-los, matando-me aos poucos. Um comer solitário, enganador, perturbador.

Sim, porque comer bem é uma atividade não solitária. Pede companhia, pede alegria, pede o outro do outro lado da mesa. Pede uma prova na boca, pede gargalhada solta e olhar cúmplice.
Sou dos sabores, todos.

Dos mais inusitados aos mais simples. Das exóticas misturas ao pastel de feira. Gosto do comer sem frescuras, da mesa simples - mas bem servida, da mesa bem acompanhada de amigos. E sempre, sempre acompanhada pela alegria. Não há sabores se não houverem sorrisos. Gosto do comer como grupo, como encantamento, uma descoberta . Sou gulosa da Vida. Gulosa de tudo. Melhor ainda se for a dois...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Limpeza


Hoje é segunda, dia de aprumar-se. No final de semana escutei de um amigo, senhor de belos olhos e de sábias palavras: "estou faxinando gavetas, jogando fantasmas fora". Dizem que faz bem, e disso já falei aqui. É como faxinar a nós mesmos. Jogar fora as travas e limitações, limpar o mofo das ideias estagnadas, arejar as boas e abrir espaço para as novas. Ando precisando...
Amei a ideia dos fantasmas. Amei odiando. Assombrações em nossa vida. Longe de filmes e ficções, quantos habitam em nós, fazem de nossa cabeça, casa, quando não de nossa alma. Tantos, que poderiam nos amedrontar, se é que não o fazem. Ficam à espreita, esperando o momento menos apropriado para assombrar. Acordam-me de sobressalto no meio da noite, histéricos. Ou na hora de alguma decisão importante. Pressentem quando estou vulnerável. Atacam na hora certa. Espertos.
E eu tento ser mais que eles. Não me deixo levar. Domino-os, com menor ou maior trabalho. Trato-os bem, para ver se me esquecem. Levo na lábia, como dizem. Ou dou uma de "mosca morta", esperando a rebeldia passar. Mas isso se deu com o tempo, anos de guerra, lutas infindáveis, até eu mudar a estratégia. E deu trabalho!
Hoje estão comigo, meus fantasmas das coisas mal resolvidas. Meus companheiros de viagem. Uno-me à eles, quando não posso atacá -los. Jogo conversa fiada, levo na boa - ou tento - levo na brincadeira. Quem sabe cansam de mim, dessa chata mesmice e assombram outro lugar...

domingo, 9 de agosto de 2009

Lembranças

Hoje é Dia dos Pais. Longe do meu , distante eu diria , faço aqui uma breve homenagem. Lembrando o lado bom, voltam as longas caminhadas pela praia e o dançar com meus pés sobre seus. O longo esperar de banho tomado para merecer um belo abraço. Ah, e os tantos e tantos cartões apaixonados, mil desenhos em lápis de cor. Meus dias de amar meu homem perfeito.
Ensinou-me paixões, sem saber, como amar a praia em qualquer tempo, o sentir da areia nos pés, o som do vento nos ouvidos, o mantra envolvente do mar. Ensinou-me , sem saber, a amar o que faço, nas tantas e tantas visitas não esperadas em casas em construção. Delas vieram meus primeiros desenhos na tela gigante da praia, minha inspiração pelo bem morar, pelo bem viver, minha bela noção de espaço, minha arquiteta interior. Nem ele sabia que traçava ali uma de minhas maiores paixões.

Dele veio também minha forma de enfrentar a vida. Uma forma dura, quase máscula, de enfrentar as coisas de qualquer forma, gélida e calculista, que perdi , aos poucos, em algum atalho do caminho. Amaciei, penso, com as surras da vida. Melhor assim, estaria eu mais dura do que já sou, mais sóbria, muito menos nena.

Resgatei minha fragilidade, resgatei minha feminilidade, resgatei meu ser. Resgatei minha Jacque, meu segundo nome, dado por ele em homenagem a la Kennedy.

Resgatei minha Dada, como me chamavam ao nascer.

Meu lado menina, minha base mulher.

sábado, 8 de agosto de 2009

Limpeza

Hoje é segunda, dia de aprumar-se. No final de semana escutei de um amigo, senhor de belos olhos e de sábias palavras: "estou faxinando gavetas, jogando fantasmas fora". Dizem que faz bem, e disso já falei aqui. É como faxinar a nós mesmos. Jogar fora as travas e limitações, limpar o mofo das ideias estagnadas, arejar as boas e abrir espaço para as novas. Ando precisando...
Amei a ideia dos fantasmas. Amei odiando. Assombrações em nossa vida. Longe de filmes e ficções, quantos habitam em nós, fazem de nossa cabeça, casa, quando não de nossa alma. Tantos, que poderiam nos amedrontar, se é que não o fazem. Ficam à espreita, esperando o momento menos apropriado para assombrar. Acordam-me de sobressalto no meio da noite, histéricos. Ou na hora de alguma decisão importante. Pressentem quando estou vulnerável. Atacam na hora certa. Espertos.
E eu tento ser mais que eles. Não me deixo levar. Domino-os, com menor ou maior trabalho. Trato-os bem, para ver se me esquecem. Levo na lábia, como dizem. Ou dou uma de "mosca morta", esperando a rebeldia passar. Mas isso se deu com o tempo, anos de guerra, lutas infindáveis, até eu mudar a estratégia. E deu trabalho!
Hoje estão comigo, meus fantasmas das coisas mal resolvidas. Meus companheiros de viagem. Uno-me à eles, quando não posso atacá -los. Jogo conversa fiada, levo na boa - ou tento - levo na brincadeira. Quem sabe cansam de mim, dessa essa chata mesmice e assombram outro lugar.

Verbo

Já dizia Carlos Drummond de Andrade, em seu poema
Em seu Santo Nome:
Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda a razão ( e é raro).
Não brinque, não experimente,
não cometa a loucura sem remissão de espalhar aos quatro ventos do mundo
essa palavra que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.
Nada mais natural, se estivermos falando de amor de amar, de amor de pele e de alma.
De amor de gostos e gozos. Mundo de muitos medos, para muitos.
Perdoe o poeta, mas não o tenho, esse medo. Tiro dela , da palavra dita, seus tantos rótulos e fachadas. Deixo-a nua. Não há porque endeusá-la. E nem jogá-la ao vento. Deixo-a sair de dentro, bem de dentro, minha caverna de ser. Deixe-a livre, e virá verdadeira, virá sincera. Se sapo ou príncipe, tanto faz. Se a palavra sair, príncipe é, montado no cavalo do momento. E esse é o momento que vale.
O agora. Um presente.
Ah, e que sabor tem o amar vindo de dentro...traz com ele minha essência, meu grito primário, meu ser sem amarras. Traz meu calor e meu sabor. Meu ser livre, meu ser uno, desprovido de tantos anos de imprópria educação.
Meu ser como sou - menina, lolita e mulher.
Meu ser como quer ser. Meu eu. Meu, só meu.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Vontade


Voltou a chover, uma chuva fria de inverno. Ainda bem que é final de semana. Acho que vou proclamar dia da hibernação. Tomar muito chá quente, pegar filme no vídeo, enroscar-me com o filho debaixo das cobertas. Aninhar-me. Entocar-me. Nem ver o dia passar.
Não me importo com o frio. Mas com chuva junto, parece que a umidade entranha na gente. Gela meu corpo, deixa-me estagnada - apesar que minha mente continua a mil. Então, vou usar de minhas melhores armas, minha alegria e meu espírito infantil. Quem sabe assim engano meu corpo e ele se acelera?
Dias de frio e chuva são dias de lembranças. Vem a imagem de minha avó, menos de metro e meio de calor, cheiro de banho tomado e alegria. Acho que herdei dela o ser criança, sempre, além da mania, desde pequena, de usar lenços no pescoço, quase uma marca registrada. E de comer! Chuva era sinal de ovinhos recheados e bolinhos de chuva. E de belos empadões do que tivesse na geladeira. Nem me importava de ter que limpar a cozinha, tamanha bagunça. Fazia do cozinhar um ritual, uma mágica, entre nuvens de farinha e de louças sujas. E nós a esperar o raspar de panelas, as lascas de massa.
Dela também a ideia de calor de colo. Era grande e quente. Cheiroso até. Macio. Desses que se procura até depois de tempos. Desses que se procura no colo do amado após o amar.
Colo de sossego e carinho. Colo de amor.
Faço de hoje um dia perfeito para minhas carências. Perfeito para um colo. Pena não tê-lo como gostaria. Vontade de um colo satisfeito, ele de mim e eu dele, eu menina, ele homem. Eu sendo dele, ele minha vida. Ele me embalando, eu entregue.
Colo de não sair. Colo de amar.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Extremos

Gosto dos venenos os mais lentos!
As bebidas as mais fortes!
Dos cafés mais amargos!
E os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
e daí !!! eu adoro voar!!!
Amo este texto de Clarice Lispector. Tem uma energia própria das palavras bem assumidas, dos riscos expostos. Tem cheiro de vida bem vivida. E me vejo nele, já que não sei ser pequena, não sei ser metade, todos já sabem. Não sei ser morna, não sei ser média, não sei ser certinha, muito menos normal. Não me venha com boazinha, queridinha, lindinha: minha mãe já dizia que diminutivos são pejorativos. Não me venha com frases prontas, pratos feitos. Não me venha com dia a dia, apesar do conforto da rotina. O que me impulsiona é o tempero do inesperado. O quente ou o bem gelado, cada um com sua queimadura, cada um com seu perigo.
Não consigo ficar parada. Não consigo esse "ir levando". Fico no porto, onde recém cheguei, já olhando para o horizonte à procura de um novo partir. Vivo, bem, o que tenho que viver e ponho nele muito de mim. Sou o famoso "oito ou oitenta".
Gulosa!
Mulher de extremos, embora bem calculados, para que não me queime...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Leve



Adoro rir. Amo gargalhar.
Seja com quem for, ou até sozinha, dando uma de louca. Desopila o fígado, dizem. parece que sim. Vai embora a tristeza, a mágoa, o peso nos ombros. Fica uma leveza sem fim. Por isso muito filme com o filho, muita cosquinha, muito afeto. Muito riso frouxo. Que me desculpem os mais velhos pelo "muito riso, pouco sizo",
não ligo a mínima! E nem acredito.
Aliás, pelo que me contaram, bom humor é a palavra chave para casamentos duradouro. Então, estou certa. Rir a dois, gargalhar enquanto se namora, se anda pelas ruas de mãos dadas, isso sim é tratamento de beleza! Um rir ao menos olhar, tamanha sintonia! Um rir-se sem controle, mostrando alegria. Uma combinação perfeito com o amar. Um complemento. Para mim, um sustento. Não gosto de gente muito séria, querendo se mostrar. E nem da gargalhada por nada, pela piada boba, sem a perspicácia da inteligência.
Faço do bom humor, meu e do outro, ponto de equílibrio. Como se não se levasse a vida sempre tão ao pé da letra, tão pesada.
Isso, rir dá leveza. Dá vida. Dá sabor.
Rir relaxa,
limpa os olhos para que vejamos o outro de alma pura. Alma de criança, talvez, pura de pre - conceitos estabelecidos.
Pura de regras. Alma feliz.
Ah, e rir , para mim, dá mais tesão, mas ai é outro papo...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Livre



Ler Clarice Lispector é um mergulho sem volta ao universo feminino. Mas não frágil, não rosa, não cheiro de plumas. Frase fortes de uma mulher forte. Por vezes seca, triste, dura,
mas nunca longe de su'alma.
Li várias vezes a frase "Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome". Li como quem recita um mantra. Ri por dentro, de tamanho achado. Define tanto meu pensamento sobre a Vida, ainda que o meu seja meio lilás e tenha cheiro de jasmim. Ou o meu não pensamento, meu não pensar, apenas vivenciar em relação à Vida e o que penso, amo e espero dela, muito não é definível. Por vezes nem palpável. Por vezes soa inacreditável, conto de fadas,
estórias de folhetim.
Mas, eu creio, apuro, rego todos os dias o sonho de viver com ela meus melhores momentos ainda por vir. Por vezes tento fugir, entrar na fila da mesmice, vestir a roupagem dos normais, mas saio logo da formação, à menor distração.
Nada me agrada no mundo fácil.
Nada me detém o pensamento no mundo dos simples mortais.
Nada me alimenta, nada tira a minha fome.
Necessito do não óbvio, do não diário, do não direto. Necessito da vida que a Vida me ensinou a viver. E só. Que magnetismo é esse, que vem de tão longe, não sei. Nem quero. Não ouso questioná-lo. Não ouso perdê-lo. Não ouso entendê -lo porque perderia o sentido do mistério e da atração, por vezes fantasioso. Um fantasioso que me leva a mundos distantes, viagens sem rumo, brilho de ouro e cheiro de amor. Um mundo livre, quente, doce, que só a Vida me dá. Minha liberdade. Mesmo que não seja esse o nome...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Sou

"Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela só tenho uma chance de fazer o que quero. Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce, dificuldades para fazê-la forte, tristeza para fazê-la humana e esperança suficiente para fazê-la feliz". Gostaria, muito, e talvez o faça, mesmo que inconsciente, do me espelhar neste pensamento de Clarice Lispector.
Mesmo levando a vida como dá, mesmo deixando de ser a pessoa que queria ser, vejo-me meio Clarice. Burlo o que dá para burlar, brinco com a vida para deixá-la com gosto de doce, faço das dificuldades meu drama de teatro, com ou sem máscaras. Padeço-me das minhas e de outras tristezas com vontade, ponho nelas minhas lágrimas como se, assim, as jogasse fora. Ah, e esperança tenho, muita, para dar e , se pudesse, ficaria rica em vendê-las.
Cultivo uma esperança quase que infantil, e é ela que me faz levantar todo dia com um sorriso maroto na cara. Não me igualo à Clarice, pois que seria uma blasfêmia. Mas me valho de suas ideias para me expressar. Preciso culpar alguém, e ela, tal como é, já deve ter se acostumado a ser levada frente ao juiz, queimada em praça pública. Infantil? Corajosa? Mulher? Não o sei.
Sou, tudo o que quiserem que eu seja. E sou o que quero ser.
Espelho-me na grande dama. E só.
Meu jeito de ser feliz!

domingo, 2 de agosto de 2009

Criança


Depois de mais de duas semanas entre nublado e chuvoso, deu meia horinha de sol. Desse sol quente que vem depois da chuva, chamando mais chuva. Coloquei coleira no meu cachorro e sai feliz, ansiosa, feito criança em manhã de Natal.
Essa é uma experiência imperdível: cheiro de terra molhada aquecida pelo sol, pássaros cantando em comemoração, o perfume do musgo nas árvores, o vento morno no rosto. O sol em meu rosto me deixou coradinha. Aquecida. Feliz!
Lembrei de que gosto disso desde pequena, o passear depois da chuva. Na praia, ver os pequeninos rios correndo para o mar. Neles, qualquer graveto virava um barco à deriva, que o olhar de criança seguia até se perdem. Notava os desenhos deixados pela chuva na areia, as flores que pareciam mais vivas, os caranguejos e pássaros que saiam para se alimentar.
Criança tem esse olhar apurado, cheio de detalhes, que perdemos ao crescer. Vêem mais cores, mais vida, sonham mais, criam mais histórias em sua mente. Uma folha é um abrigo de um mundo minúsculo, enquanto gravetos salvam os animais de Nóe.
Por isso me digo menina. Tenho, ainda, muito desse olhar sonhador. Noto, muito, todo o colorido do mundo, com ou sem chuva. Rio por dentro das coisas que vejo e sobre o que penso delas.

Feito menina. Feito como sou.