domingo, 2 de agosto de 2009

Criança


Depois de mais de duas semanas entre nublado e chuvoso, deu meia horinha de sol. Desse sol quente que vem depois da chuva, chamando mais chuva. Coloquei coleira no meu cachorro e sai feliz, ansiosa, feito criança em manhã de Natal.
Essa é uma experiência imperdível: cheiro de terra molhada aquecida pelo sol, pássaros cantando em comemoração, o perfume do musgo nas árvores, o vento morno no rosto. O sol em meu rosto me deixou coradinha. Aquecida. Feliz!
Lembrei de que gosto disso desde pequena, o passear depois da chuva. Na praia, ver os pequeninos rios correndo para o mar. Neles, qualquer graveto virava um barco à deriva, que o olhar de criança seguia até se perdem. Notava os desenhos deixados pela chuva na areia, as flores que pareciam mais vivas, os caranguejos e pássaros que saiam para se alimentar.
Criança tem esse olhar apurado, cheio de detalhes, que perdemos ao crescer. Vêem mais cores, mais vida, sonham mais, criam mais histórias em sua mente. Uma folha é um abrigo de um mundo minúsculo, enquanto gravetos salvam os animais de Nóe.
Por isso me digo menina. Tenho, ainda, muito desse olhar sonhador. Noto, muito, todo o colorido do mundo, com ou sem chuva. Rio por dentro das coisas que vejo e sobre o que penso delas.

Feito menina. Feito como sou.

3 comentários:

  1. Pode ser até chato, repetitivo, redundante até, mas você é muito especial, como mulher, como escritora, filósofa da vida. falas de um jeito simples, mas mexes muito com a gente. Comigo, em especial.E muito.

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  2. Nossa! Que delicia de texto! Tens, sim, uma bela criança dentro de ti e que eu adoro!

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  3. Que bonitas cosas dices.
    Me recuerda mis vivencias en Ihla do Mel

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