sábado, 8 de agosto de 2009

Verbo

Já dizia Carlos Drummond de Andrade, em seu poema
Em seu Santo Nome:
Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda a razão ( e é raro).
Não brinque, não experimente,
não cometa a loucura sem remissão de espalhar aos quatro ventos do mundo
essa palavra que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.
Nada mais natural, se estivermos falando de amor de amar, de amor de pele e de alma.
De amor de gostos e gozos. Mundo de muitos medos, para muitos.
Perdoe o poeta, mas não o tenho, esse medo. Tiro dela , da palavra dita, seus tantos rótulos e fachadas. Deixo-a nua. Não há porque endeusá-la. E nem jogá-la ao vento. Deixo-a sair de dentro, bem de dentro, minha caverna de ser. Deixe-a livre, e virá verdadeira, virá sincera. Se sapo ou príncipe, tanto faz. Se a palavra sair, príncipe é, montado no cavalo do momento. E esse é o momento que vale.
O agora. Um presente.
Ah, e que sabor tem o amar vindo de dentro...traz com ele minha essência, meu grito primário, meu ser sem amarras. Traz meu calor e meu sabor. Meu ser livre, meu ser uno, desprovido de tantos anos de imprópria educação.
Meu ser como sou - menina, lolita e mulher.
Meu ser como quer ser. Meu eu. Meu, só meu.

Um comentário:

  1. Aguardava-te ansioso, para receber de ti meu bom dia.E tremi.Tremo ainda.De anseio, de medo, não sei. Estás nua no texto, e mais linda do que nunca.Tem que ser muito homem para te amar!

    ResponderExcluir