segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Menino Jum

Tive , mais uma vez, a honra de escutar as sábias palavras de Jum Nakao. Foi na quinta feira passada, num ambiente cheio de pessoas a quem quero muito bem. Noite perfeita. E cada vez que o escuto, mais vejo de outra forma o criar. Para quem não conhece seu trabalho, entre tantos, está o desfile na São Paulo Fashion Week em 2004, onde, para horror da platéia vip, as peças, de papel meticulosamente trabalhado em rendas e detalhes, foram rasgadas pelas próprias manequins, sem dó, em plena passarela.
Um marco.
Jum fala com muita propriedade sobre a criação, seja na moda ou na arquitetura, meu campo. Seu falar manso, pausado, em contraposição com as imagens fortes e som incessante, mantém a atenção. E a tensão. Um sonho de 182 dias tendo como auge o rasgar. A imagem, difusa, das meninas rasgando o trabalho perfeito, dos espectadores entre riso e choro, estupefatos, emociona. Prende. Tira a respiração, solta a emoção. Choro, mais uma vez.
Jum ensina uma das coisas mais difíceis da vida: o desprender-se. Mostra que a criação vem do muito transpirar, de ideias e mãos. Prova que para construir temos que desconstruir. Que para se ter o novo temos que abandonar o velho, não na vida, mas em nosso poluído cérebro. Ele crê nisso, aposta nisso, vive isso. E da forma mais calma possível. Vejo ali uma lição para tudo.
Um desprender-se para fazer brotar.
No olhar de menino, consciência de homem. No trabalho do homem, esperança de menino.
Um menino que tem muito a ensinar.

Um comentário:

  1. Joyce,
    Suas palavras me emocionam e deixam em meus olhos de homem lágrimas de um menino.
    Muito obrigado!
    bjs
    Jum

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