terça-feira, 25 de agosto de 2009

Poesia

Tenho me interessado muito por vinhos. Fico atenta e sempre vem para mim algo sobre eles.
E depois de uma visita à uma vinícula, nada mais natural. Conhecer seu processo, da terra à boca é, sim, uma viagem fascinante para quem, como eu, adora aprender.
Mas o que me encanta neles? Mais do que seu gosto, ou ritual de abrir, servir, sorver, a poesia. Sim, a poesia de descrever seu bouquet. Soam tão doces as misturas que parecem saídas de livros de Neruda. Quem sabe até seriam dos bouquets sua maior inspiração?
Cor, aroma, sabor, tudo descrito de forma poética, por vezes sensual. Colorações amarelo ouro, rubi intenso, vermelho sangue, reflexos castanhos. Aromas ricos, com notas de chocolate, frutas negras, cereja, leve mentolado, torrefação de café. Final de boca longuíssimo e provocante, equilibrado e envolvente, macio, leve toque picante.
Não seriam os enólogos, poetas? Não seriam os vinhos belas poesias engarrafadas? Sorvo cada palavra, cada gesto, cada gota, encantada. Um mundo de mistérios e prazeres.
Descubro tal fascínio, aos poucos. Entrego-me a eles, gole a gole. Ainda sem decifrá -los, mas já apaixonada. Absurdamente apaixonada.

Um comentário:

  1. Luz do meu dia, que saudades! Estive fora, triste por não poder te ler, te ver, te falar! ficou feliz em voltar e te ter, mesmo que de leve, nestas simples palavras....Beijos!

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