sábado, 22 de agosto de 2009

Vitória

Levei anos para me convencer a pintar minha unhas de vermelho. Roi as minhas dos 6 aos 30 anos. Por isso, vê-las assim, fortes e vermelhas, dá uma bela sensação de vitória.
Pareço uma outra mulher!
Não que não cuidasse de mim, que não me importasse, que não tivesse vaidade. Roer era mais forte que eu. Minha luta da vez. E minha vitória de agora.
Aliás, a vida de uma mulher é sempre pautada em vitórias, da calça que entra depois de meses no armário, do filho já criado, do trabalho que se arranja, da faculdade terminada. E nos parecem - ou nos fazem parecer - por vezes, tão pequenas!
Para muitos, só mais uma coisa. Para nós, que deveríamos estar mais atentas, toda vitória deveria ser , e muito, comemorada. Estamos sempre no limbo, filha de tal, mulher de alguém, mãe de fulano. estamos, sempre, atreladas a alguém. Raramente vida e nome próprio. Até o sobrenome fica preterido, se deixarmos.
É a dita "tradição".
Ai que está: não sou ligada nelas. Na verdade, abomino. Sou uma pessoa. Tenho nome. Sou eu. Mulher. Posso até ser mãe de fulano porque disso me orgulho. Ou filha de ciclano, desde que me nomeiem. Não me cabe menos que isso, pois que batalhei.
Olho minhas unhas vermelhas, feito quem olha o primeiro vestido no espelho. Para muitos, só uma unha vermelha. Para mim, vitória sobre um vício. Para mim, vitória sobre o medo de me dizer mulher. Vitória sobre o medo de ser. Um acordar. E nas minha mãos, aqui,
bem na minha frente, meu prêmio.
Vermelho!

Um comentário:

  1. Joyce!!!!! Esta sou eu! Mesmo!! Igual! Vou ter q postar no meu orkut! Bjs. Ma.

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