segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Crises


Estava assistindo um programa na TV sobre a " crise dos 30". Achei até graça: aos trinta achei que era a dona do mundo. E o próprio mundo deu um jeito de me mostrar que eu não era dona nem de mim mesma.
Com exatos 30 anos, perdi o emprego, a irmã, o apartamento, numa sequência só. E descobri que estava grávida desde o primeiro dia de meu namoro, um namoro de mês. A tal crise veio depois. Crise de grana, crise de trabalho, crise de ser mãe ser querer ou poder. Medo de que meu filho passasse fome ou coisa pior. Crise me deu ao sair de um dos melhores bairros da cidade e ir morar na longínqua periferia. Crise me deu quando passei por seis meses de enchente, quando saia para trabalhar, deixando o bebê em casa com a babá, sem saber se conseguiria voltar. Crise me deu quando passamos por seca por outros seis meses, com carro pipa a nos abastecer. Mais crise ainda quando tive que me abandonar e seguir caminhos que não queria. Caminhos nos quais até hoje estou.
É, passei pela crise dos trinta. E ela me trouxe medo da vida. Deixei nela muito de mim, coisas tão difíceis de resgatar. Ainda.
Na crise dos 40 achei que devia mudar.

Hoje, com 45, ainda acho que devo mudar. Tento.

Crise, tenho , todos os dias. Ou pelo menos uma vez por semana. Melhor eu pensar como os chineses, onde o ideograma da palavra crise contém as sementes de novas oportunidades.

Quem sabe são as ditas cujas que me fazem lutar...

2 comentários:

  1. Sabia que tinha ai uma grande mulher, com muitos desafios e desafetos. Tive que ler umas 3 vezes para acreditar.
    Fazia tempo que não te comentava, achei que estava sendo demais, viciado demais.Mas saibas que , mesmo a distancia,admiro essa mulher, para mim, perfeita. Um sonho.

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  2. É, minha querida! Vivemos em crise, mas são elas que nos fazem evoluir.
    Adorei o post.

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