domingo, 13 de setembro de 2009

Eu, mulher


Muitas vezes pensei - e até falei - que queria ser homem. Achava bem mais fácil, isso desde a adolescência. Via as meninas da casa às voltas com faxinas, limpezas e arrumações. Aos meninos, levar o lixo e talvez varrer o pátio, depois do vento ter descabelado as árvores. Para nós a clausura, para eles a rua. Achava uma discrepância. Acho, ainda.
Para uma festa, a eles basta um banho e a roupa de sempre. A nós uma infinidade de vaidades, dos pés à cabeça, da escolha da roupa - e seus tantos complementos às reclusões no salão.
Para o dia a dia dos sortudos, banho e , talvez, barba. Para nós, uma infinidade de dores e calores.
E, pior, isso tudo só para agradá-los...
Hoje penso diferente. Hoje acho que está ai meu diferencial. E não mais faço por eles e sim por mim. Cuido-me porque me amo. Gosto da pele lisinha, das unhas em cor, do cabelo bem cuidado. Da pintura que ressalta meus olhos. Do batom que emoldura meu sorriso. Gosto da massagem, no corpo e no ego. Do perfume em minha pele já desgastada pelo tempo.
Hoje, gosto-me. Faço desses rituais meu recomeço.
Reconheço-me, hoje, eu mulher!

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