quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Gula

Cansei de brigar com a balança. Uma briga inútil de como sou com o que queria ser. Uma discussão infindável entre o que desejo e o que posso.
Delicio-me com pratos coloridos, com enormes pratos verdes - ou pratos de "vaca" como diz meu filho. Saboreio com vontade todos os gostos. Como porque gosto.
Não me apetecem muito os doces - a não ser os amargos chocolates quase puros, leve sabor de menta ou laranja. E dos bolos "de vó", aqueles simples, sem recheios nem frescuras, com uma bela caneta de café com leite ou os chás de minha mãe. Amo integrais e outras naturebas. Mesmo assim, engordo. Talvez seja fato o "engordar só de olhar". Ou do que sempre digo, que comemos pelos problemas, excessos ou faltas. Como garantia de que nada nos falte no coração.
Mas, admito publicamente: sou, na verdade , gulosa da vida. Gosto das misturas, dos devaneios gastronômicos, do bom vinho com o bom queijo (castigo máximo, não posso comer!), das misturas inusitadas de damascos com roquefort e figos com presunto parma, da caponatta sobre a torrada, do palitinho no chutney. Sou da comida simples, mas feita com carinho, das misturas sexies e inusitadas, do experimentar na língua. Comer , para mim, é prazer.
Luxo? Não. Bom gosto. Gosto. Do bem feito e bem servido. Do prato que tem história para contar desde o seu feitio. Da taça fina à toalha xadrez e limpa. Mas sem frescura, sem pompa e sem circunstância. Mas com amor, muito amor. Melhor ainda se com um amor do lado...
Eu tenho muitas fomes.
E você, tem fome de que?

2 comentários:

  1. Gula tenho eu de tuas palavras, de teus sentimentos, de tua luz diária!Já te imaginava assim, entre simples e de bom gosto. E a cada dia vejo que é uma mulher completa!meu sonho!

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  2. Onde anda a Vida no meio desta gula toda? Bjs Ma

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