sábado, 17 de outubro de 2009

Armadilha


"Quem, por medo do terrível, prefere o caminho prudente de fugir do risco, já nesse ato estará morto. Porque o medo lhe terá roubado aquilo que de mais precioso existe na vida humana: a capacidade de se arriscar para viver o que se ama".
Esse pensamento do sábio Rubem Alves, de quem invejo a jovialidade infinita, por vezes me define. Mas por vezes não, exatamente pelo próprio medo. Medos estes que não são meus , penso, ou de mim. Medo pelos outros, de fazê-los sofrer. Eu mesma, não tenho nenhum mais forte - a não ser os óbvios de mãe.
Ficamos, muitas vezes, às margens de nós mesmos, pelo "simples" medo de magoar, de ferir. Ou de sermos julgados, tendo os outros como juízes. Mulher tem muito disso, pelo fato de nos exigirmos tanto. De estarmos sempre à procura de sermos perfeitas - na mesa, na casa, na vida, na cama. Estamos sempre na margem de risco. Sempre a perigo. Sempre insatisfeitas, devendo - não por nós, mas pelos outros. Sempre nos dando mais, sempre cedendo, sempre acatando. E sempre esperando.
Descubro que meu medo é esse: o de me esquecer como pessoa e virar boneca inflável...

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