sábado, 3 de outubro de 2009

Madura



Estava aqui revendo umas coisas, pensando noutras. Pensava em como a vida é injusta, dando a nós a experiência que deveríamos ter desde jovem, num corpo que já não o é tanto assim.
Olho minhas rugas no canto dos olhos - que já chamei de vida em braille - e fico a pensar onde vão parar. Que caminho seguirá meu corpo ao envelhecer. Como serei daqui a 10 anos. Ou mais.
Lembro de meu filho perguntando para a vó , então com seus 60 anos, porque ela era tão enrugadinha. Hoje ele me vê "enrugadinha". E estou longe disso.
Rugas não vêm só de falta de cuidados - se fosse só isso, não teria nada, tamanho fanatismo. Rugas vêm de mágoas, de tristezas, do franzir frente à vida. Estão aqui, e as acompanho de perto, dou carinho e atenção, para ver se me esquecem.
Mas penso pelo outro lado. Somos, nós, mulheres atiradas no abismo dos "enta", mais femininas. Somos mais sensuais, pelo menos quando assim queremos. Somos mais completas e complexas, belas charadas. Não nos satisfazemos com pouco, com restos, com sobras, com rapidinhas. Desenvolvemos outras capacidades a serem admiradas além da casca.
E isso nos fez assim, mulherões. Firmes de caráter e de vontades. Guerreiras, únicas. A nós cabem os homens mais fortes, os corajosos, os destemidos cavaleiros que enfrentam as guerras. Aos fracos, medrosos de suas falhas, deixamos as mulheres fracas dos bordéis.
E que façam bom proveito...

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