quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Fulana


Recebi um convite em minha casa para um casamento de um amigo meu. Um convite igual, como qualquer outro, de tantos. Estava escrito no grande envelope branco: fulano de tal e sra. Machista, como sempre. Nós, mulheres, que movemos o mundo, viramos senhoras. Perdemos a identidade. Não somos ninguém. Não somos nada. Uma abreviatura. Meras três palavras. A que acompanha, apenas. Ou a mãe de fulano. A senhora de ciclano. Já fomos a filha de tal. Irmã do outro. Já perdemos nosso nome tantas vezes por ai que nem sei.
Porque de tanta pompa? Porque de tantas regras? Não seria mais apropriado e muito mais encantador meu nome e o dele? Fulano e fulana. Até as lojas usam deste subterfúgio para nos fazer sentir mais a vontade, mais importante. Uma chamada mais intimista que cabe, sim, a um convite de casamento.
Paro para pensar e até acho graça. Começam ali uma nova vida, juntos. E já moldados às regras da casa. Ela será a próxima vítima: vai virar "sra. fulano de tal".

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