segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Visita


Mudo de lugar, mas não de práticas: fui caminhar logo cedo. Adoro as cidades desertas pelos feriados. Adoro seu silêncio e como ficam bonitas quando sós. Ou talvez seja porque reparamos mais em seus detalhes, seus panos de fundo, sem os atores de sempre. Vemos ali seu cenário, ou o nosso, de nosso passar pela vida.
Revi os ipês roxos de minha infância já esquecida. O passar de tantos anos deu a eles uma nova paginação. Talvez pelo passar de tempo que lhes trouxe troncos mais vigorosos e florações mais intensas. Talvez pelo meu olhar, mais atento e cauteloso. Mais romântico, diria. Formam belos tapetes de pétalas por onde passo, feito rainha. Piso com pesar nas flores caídas ao chão. E olho admirada de seu colorido cor de lavanda. Pena não terem tal perfume, mas ai já era presente demais...
Revejo meus ipês e a mim mesma. Minha infância normal, mas divertida.
Meu jeito de ser que volta e meia revisito.
Como meus tapetes roxos. Meu chão.

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