sábado, 12 de dezembro de 2009

Caricato

Por vezes é curiosa a vida. Nós, mulheres, quando somos meninas, queremos ser adultas. E quando adultas, somos loucas para voltar ao frescor das meninas. Falo isso pelas outras, não por mim. Sempre tive um espírito de moleca que me impediu de ser uma apaixonada por saltos e maquiagens. Até vestidos relutei para usar. Maquiagem, nem hoje.
Mas ontem na formatura do meu filho, meninas de 14, 15 anos, com cara de 20. Seu frescor escondido sob pesada maquiagem e andares equilibristas. Nem se cabiam no papel. Mais preocupadas com os alisados cabelos em dia de chuva do que com a mudança de vida pela qual passarão. Até seus sorrisos eram calculados, como se estivessem a tirar fotos para um book e não para o álbum de família. Nas mais naturais, entre menina e mulher, o suave retoque e o vestido rodado lembravam filmes românticos, romances de gaveta. Nas apressadinhas, quase uma caricatura do que imaginam que seja ser mulher.
Não as condeno. São os novos tempos. Um dia a ficha cai - assim espero - e vão ver que ser mulher é um movimento que vem de dentro para fora. Ser mulher é muito mais que pastas na cara e andares sexies. Vão descobrir que a sensualidade feminina está nos gestos firmes e delicados ao mesmo tempo, nos sorrisos francos, no posicionamento frente a vida , e não nas escadarias perfumadas dos salões de festa. Vão descobrir, talvez tarde, que essa fase doce da vida se vai e não volta mais. Talvez só lá sintam saudades de suas bonecas , de suas risadas e outras delícias. Talvez sintam falta de não ter sido, tarde demais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário